Corredor ecológico pode garantir preservação de primata símbolo de Manaus (AM)


Sauim-de-coleira é símbolo de Manaus (Foto: Diogo Lagroteria/ Divulgação )

O sauim-de-coleira é um dos símbolos de Manaus. Durante os 348 anos da capital amazonense, a espécie sofre com a expansão da área urbana da cidade e a ameaça presente de extinção. Desde 2011, o Plano Nacional para a Conservação do Saium-de-coleira (PAN Sauim) tenta garantir a preservação do primata. De acordo com ambientalistas, o segundo ciclo do plano inicia ainda em 2017.

“É uma espécie endêmica, criticamente ameaçada, símbolo da cidade, tem um dia só dele. A gente percebe que mesmo o sauim-de-coleira só existindo em Manaus, mesmo assim, a população desconhece o sauim, desconhece as ameaças ao sauim e desconhece a situação crítica em que ele se encontra”, disse o analista ambiental do Ibama e veterinário, Diogo Lagroteria.

O Dia do Sauim-de-coleira é celebrado nesta sexta-feira (20). A data visa conscientizar sobre as mortes de animais em área urbana e ressalta a importância da construção de um corredor ecológico que ligue fragmentos florestais em Manaus.

Segundo Lagroteria, cerca de 25 a 30 instituições estão engajadas na elaboração do segundo ciclo do plano.

“Os planos de ação são ferramentas de conservação que têm cinco anos de ciclo. Justamente para a gente poder, nesses cinco anos, implementar, avaliar e corrigir o que não funcionou bem. Estamos discutindo quais os próximos objetivos do plano de ação e quais as ações mais prioritárias para os próximos cinco anos”, afirmou.

Em liberdade, o primata é encontrado apenas em uma área de terra que compreende alguns quilômetros, entre três municípios do Amazonas.

Dados do Projeto Sauim-de-Coleira – que faz o monitoramento dos atropelamentos da espécie no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) – cerca de 10 a 15 animais morrem por ano vítimas de atropelamentos.

Corredor Ecológico

A proposta do Corredor Ecológico Sauim-de-Coleira consiste em interligar de forma contínua o Corredor Ecológico do Igarapé do Mindu, na Zona Centro-Sul de Manaus até a Reserva Adolpho Ducke, na Zona Norte da cidade, unindo várias áreas que sofreram remoção da vegetação e perda de conectividade devido à ações de urbanização.

“Muitas vezes a gente não precisa reflorestar uma área. Se a gente conseguir, por exemplo, que alguns bairros façam trabalho de arborização com árvores frutíferas, a gente começa a melhorar áreas que o sauim utiliza para atravessar de um fragmento para o outro”, afirmou Lagroteria.

O corredor, segundo o analista, vai gerar inúmeros benefícios para os moradores de Manaus.

“O corredor ecológico vai ajudar muito a fauna, mas ele, por tabela, traz vários benefícios para a população. Por exemplo: a gente vai ter mais áreas verdes para a população utilizar, como parques lineares, isso acaba trazendo mais conforto térmico para os bairros, vamos ter mais árvores, mais áreas sombreadas, a gente também tem a questão da beleza cênica, termos locais mais bonitos, arborizados, tem a questão da purificação do ar, e o que a gente chama de serviços ecossistêmicos que retornam para que os igarapés fiquem mais limpos, o ar menos poluído, menos calor, a gente evita aquelas ilhas de calor”, afirmou.

Avanços

Segundo Lagroteria, cerca de 67% das propostas do Plano de Ação efetivado em 2011 foram cumpridas, mas ainda há muitos fatores que impedem a diminuição da morte dos primatas. As áreas do plano mais bem sucedidas foram relacionadas a educação ambiental da população e a articulação de novas áreas protegidas, corredores, unidades de conservação.

“Só que ao mesmo tempo a gente percebeu que em outros objetivos a gente teve muita dificuldade, entre eles a questão do manejo e a questão da pesquisa. A gente está sempre no prejuízo. Por mais que o plano de ação consiga avançar em algumas coisas, o ritmo do crescimento da cidade, o ritmo da perda de habitat, o ritmo do desmatamento, da fragmentação do habitat do sauim ainda é maior do que a gente acaba tendo de sucesso em relação ao plano”, disse.

Mortes

Ainda não há estatísticas que medem o número de mortes do animal em toda a cidade, mas os registros de sauins atropelados, eletrocutados e atacados por outros animais existem e preocupa os pesquisadores.

“A gente monitora os atropelamentos aqui no campus e a gente tem uma média de 10 a 15 animais mortos atropelados aqui dentro do campus, então se dentro do campus tá morrendo esse número de animais, dentro de um local que tem só uma estrada cortando o campus inteiro, se a gente for imaginar na cidade toda a gente pode imaginar que realmente é grande o número [de mortes”, disse o veterinário.

Arte sauim-de-coleira (Foto: Arte/G1 AM)

Fonte: G1


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