Biólogos encontram mais de mil espécies de animais silvestres em SP


Um trabalho de pesquisa realizado desde 1993 pela Divisão de Fauna do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave) da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (SVMA) de São Paulo, concluiu que existem mais de mil espécies diferentes de animais silvestres habitando o município nas praças, parques e matas dos arredores da mancha urbana. A principal responsável pelo trabalho, desde que ele se iniciou até hoje, é a bióloga Anelise Magalhães.

O tucano-toco é uma das espécies que habitam São Paulo (Foto: Anelise Magalhães/SVMA)

Entre os mamíferos, há antas, porcos-do-mato, veados-catingueiros, preguiças-de-três-dedos, tamanduás-mirins, muriquis-do-sul (o maior primata da América do Sul), lontras, tatus-peba e cachorros-do-mato. São 1.113 espécies silvestres registradas no Inventário da Biodiversidade do Município de São Paulo – 2016, da SVMA.

“Naquele ano, realizamos o trabalho em apenas três parques, Ibirapuera, do Carmo e Alfredo Volpi”, diz a bióloga ao lembrar da época em que o projeto se iniciou. “Para a lista atual, fizemos os registros em 138 localidades do município de São Paulo”. Animais feridos ou resgatados e entregues pela população ao departamento também entraram no inventário.

Seis grupos de invertebrados e cinco de vertebrados fazem parte da lista.

Dentre os invertebrados estão moluscos, crustáceos decápodes (caranguejos e camarões), quilópodes (lacraias), aracnídeos (carrapatos, aranhas e escorpiões) e insetos (borboletas, besouros, baratas, mosquitos, abelhas, percevejos, formigas, vespas, cupins, grilos e pulgas). Peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos integram os vertebrados.

Desde que os trabalhos de pesquisa começaram, sete listas foram produzidas. Elas foram divulgadas nos anos de 1998, 1999, 2000, 2006, 2008 e 2010 e 2016, cada uma com um número de espécies maior do que a anterior. A lista elaborada em 2010, por exemplo, continha apenas 700.

Biodiversidade de São Paulo surpreende

“Nós nos surpreendemos com a biodiversidade que existe na maior cidade da América do Sul”, diz Magalhães ao contar que foram encontradas espécies que não se esperava que vivessem na capital paulista. “Não era esperado, porque o processo de urbanização acaba com o ambiente natural e afeta muito a fauna e a flora.”

O registro do muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), também conhecido como mono-carvoeiro, espécie endêmica da Mata Atlântica, foi a novidade do inventário de 2010. O maior primata não humano das Américas mede cerca de 1,60 de comprimento, do nariz à ponta da causa, e pesa até 15 kg. A espécie é considerada em perigo pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) devido à destruição e fragmentação do habitat e a prática da caça. Descobrir que ele vive em São Paulo, portanto, é importante para sua preservação.

Araponga e macaco da espécie Callithrix também foram encontrados na capital paulista (Foto: Marcos Kawall e Daniel Perrella/SVMA )

Em 2016, foi feito o registro de uma onça-pintada (Panthera onca), descoberta, em janeiro, através de uma armadilha fotográfica instalada no Núcleo Curucutu do Parque Estadual da Serra do Mar, no extremo sul da capital paulista. O Instituto Pró-Carnívoros, parceiro do projeto, havia colocado a câmera no local.

A presença da onça parda ou puma (Puma concolor capricornensis) também foi registrada. A existência desses grandes mamíferos e outros animais exigentes ecologicamente em São Paulo indica que as áreas onde foram encontrados estão mais preservadas do que se imaginava.

Os animais silvestres, entretanto, não foram vistos apenas em matas fechadas e em áreas protegidas do chamado cinturão verde. Áreas verdes localizadas na mancha urbana também abrigam diversas espécies, especialmente aves.

Registro fotográfico de onça-parda foi feito em 2010 (Foto: SVMA/Divulgação)

Pássaros típicos de vegetação mais densa, como a araponga (Procnias nudicollis) e o pavó (Pyroderus scutatus), parentes próximos, já foram encontrados em parques como Aclimação, Buenos Aires, Burle Marx, Ibirapuera, da Independência e Villa-Lobos. O tucano-toco (Ramphastos toco) ou tucano-grande e ainda tucanuçu, é característico do cerrado, também foi registrado. As informações são do portal G1.

Devido ao longo prazo de realização do levantamento, descobertas a respeito da chegada à cidade e proliferação de espécies que eram raras ou até mesmo a diminuição na presença de outras, foram possíveis. Pombas asa-branca (Patagioenas picazuro) e avoante (Zenaida auriculata), por exemplo, são espécies comuns do cerrado e da caatinga que se adaptaram bem à zona urbana da capital paulista. Em 1993, quando foi iniciado o trabalho de pesquisa, elas eram raras na cidade, hoje são comuns. “Em contrapartida, temos a impressão de que a população de rolinhas (Columbina talpacoti) está diminuindo”, explica a bióloga.

Importância dos parques e praças 

O projeto coordenado pela bióloga é considerado importante não só por ter descoberto um grande número de animais silvestres vivendo em São Paulo, mas também para alertar sobre a necessidade da existência de áreas verdes, como parques e praças, na manutenção da biodiversidade, especialmente de aves, que servem como indicadoras da saúde ecológica de um ambiente.

Por serem formadas por vegetação heterogênea, as áreas verdes, que reúnem árvores nativas e exóticas, servem como viveiros naturais para espécies que precisam de sombra e pontos de parada para alimentação e descanso durante deslocamentos.

Aves são os principais habitantes de praças e parques (Foto: Anelise Magalhães/SVMA)

“Também servem como trampolins para as aves alcançarem áreas verdes maiores, mais afastadas da cidade”, diz Magalhães. “A malha de parques e praças urbana tem maior relevância ecológica do que se pensava.”

O inventário fornece ainda subsídios para a criação de estratégias de conservação da biodiversidade em São Paulo e serve de embasamento científico para políticas públicas de monitoramento e conservação ambiental.

“Com esses levantamentos, começamos a conhecer a fauna de São Paulo e saber onde ela se encontra. Essas listas servem para escolher áreas prioritárias para preservação e ajudam a mostrar as que têm importância. Esperamos também que os dados sejam utilizados em programas de educação ambiental e em pesquisas sobre ecologia urbana, por exemplo”, conclui a bióloga.


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