Pampas Safari: com apoio do Ibama, liminar que proibia extermínio de cervos é cassada


A liminar que impedia o extermínio dos cervos do Pampas Safari, em Gravataí (RS), foi cassada no final da tarde de ontem (4) pelo desembargador Armínio José Abreu Lima da Rosa. A justificativa apresentada por ele é a de que há risco de proliferação da tuberculose. Decisão controversa após laudos finais não terem detectado tuberculose nos cervos mortos e um vídeo ter registrado o momento em que o proprietário do matadouro contratado para matar os cervos, durante reunião com agentes da prefeitura, confirmava que eles não estavam contaminados pela doença.

(Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS)

Vinte cervos foram assassinados antes da Justiça de primeira instância determinar a paralisação da matança, que poderá voltar a ser realizada agora, dependendo apenas da emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) pela Secretaria Estadual da Agricultura para o traslado dos cervos entre o parque e matadouros. A família Febernati, proprietária do Pampas Safari, apresentou às autoridades um plano de encerramento das atividades que prevê o extermínio dos cervos como alternativa. Proposta cruel que ignora o direito à vida inerente a qualquer ser vivo.

A deputada estadual Regina Becker (Rede), que conseguiu a primeira liminar que impedia as mortes, afirmou, em relação a cassação que libera novamente a matança, que “pesou na decisão a chancela do IBAMA e da Secretaria Estadual da Agricultura”. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mais uma vez caminha na contra mão do trabalho de preservação das espécies que deveria ser realizado por ele e, covardemente, considera aceitável que vidas sejam tiradas mesmo com “a inexistência de laudos que comprovem a presença da doença nos cervos”, conforme lembra Regina.

O fato da cassação da liminar ter acontecido justamente no Dia Mundial dos Animais foi um dos pontos ressaltados pela deputada em entrevista concedida ao Gaúcha ZH. “Recebo a notícia com muita tristeza, logo hoje (4), o Dia Mundial dos Animais. Condenar animais à morte no dia que deveria celebrar a vida, não dá para receber de outra forma. As regras sanitárias não devem ser aplicadas em animais que não são levados ao consumo humano. Os cervos são exóticos. E as regras sanitárias têm de ser revistas, estão ultrapassadas e não contemplam o avanço da tecnologia. Existem tratamentos, não podemos simplesmente condenar animais por conta de suspeitas”, afirma.

O caso tem causado revolta em ativistas. Dois protestos já foram realizados – o primeiro, em agosto, em frente ao Ibama de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e outro em setembro, em frente ao Pampas Safari. O terceiro, segundo Regina, deve acontecer no próximo sábado (7).

“Não medirei esforços para reverter essa decisão”, diz Regina ao fazer um “apelo para que toda a rede de proteção, ativistas e todos que amam e respeitam os animais, estejam unidos no próximo sábado, 7, às 15h, quando será realizada a Marcha da Defesa Animal 2017, em frente ao Pampas Safari, Rodovia RS-020, KM 11, Gravataí”.

Para impedir que manifestantes se aproximem da entrada do parque, como aconteceu anteriormente, foi iniciada, há alguns dias, a construção de um novo muro e portaria no Pampas Safari.


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