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Sem proteção do Ibama, javalis correm risco de morte no MS

Agricultores enxergam a espécie como uma ameaça e o Ibama, que deveria proteger os javalis, opta por liberar a prática cruel da caça.

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12/09/2017 às 17:30
Por Redação

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Os javalis correm risco de morte no interior do Mato Grosso e não são protegidos nem mesmo pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que libera a prática cruel da caça. O Estado, que é o maior produtor de milho do país, reúne inúmeros agricultores que declaradamente enxergam a espécie como uma ameaça à produção agrícola devido ao fato dos javalis consumirem as espigas. Na realidade, eles apenas vivem e se alimentam em áreas que também pertencem a eles, já que antes daquelas terras serem de seus proprietários, elas já pertenciam a todos os animais que dela sempre fizeram uso para sobreviver.

A caça de javalis é liberada pelo Ibama no Estado do Mato Grosso (Foto: Divulgação)

A diretora da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, Roseli Giachini, afirmou que o prejuízo é grande porque “ao passar correndo, os javalis derrubam os milhos, e a máquina de colheita não consegue chegar até esses milhos”. Entretanto, os javalis não podem ser culpados pelo prejuízo referido, visto que eles apenas entram nas plantações e consomem o milho porque precisam saciar a fome e não por terem a intenção de impedir que a colheita seja feita perfeitamente.

O produtor rural Mário Wolf disse à Folha que como a instalação de cercas não impede a entrada dos javalis nas plantações, que as pulam, a solução encontrada foi colocar funcionários circulando com motos e utilizar fogos à noite para afastar os javalis. Sabendo dos efeitos que os fogos causam na audição de qualquer animal e, considerando também as consequências psicológicas geradas – como medo e desespero causados pelo barulho -, é possível identificar o especismo em que o produtor se baseia quando escolhe os fogos como tática para afastar os javalis. Ele considera apenas a eficiência e lucratividade que sua lavoura, em perfeito estado, irá gerar, e despreza a necessidade de reconhecer e tratar qualquer animal como alguém que deve ter seus direitos básicos preservados.

Os javalis não encontram proteção nem mesmo em um órgão que deveria preservar a espécie. O Ibama cadastra pessoas autorizando-as a caçar javalis no Estado do Mato Grosso. O produtor rural Ederson Viaro é um dos 247 caçadores autorizados pelo órgão. Em todo o país, há aproximadamente 20 mil pessoas cadastradas para à caça da espécie.

O Ibama planeja divulgar ainda neste ano um plano de controle, prevenção e monitoramento dos javalis.

A caça é liberada porque a espécie não é um animal silvestre e, por essa razão, não tem predador natural. Os javalis foram trazidos ao país por volta de 1990 por produtores que pretendiam vender sua carne. A iniciativa fracassou e os locais que tinham planos de matar os javalis fecharam as portas e, por isso, eles foram soltos e se reproduziram. O insucesso na tentativa de vender a carne desta espécie no Brasil não só foi responsável por explorar os javalis naquela época, como resultou no problema atual de crueldade e especismo, que motiva desde agricultores até um órgão teoricamente defensor do meio ambiente à causar sofrimento aos javalis e tirar-lhes a vida.

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