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Inglaterra autoriza massacre de mais de 30 mil texugos

Até 33.500 texugos serão assassinados na Inglaterra durante o outono sob o pretexto de controlar a tuberculose em bois e vacas explorados por fazendeiros. O número representa um extremo aumento na comparação com os 10 mil mortos em 2016

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13/09/2017 às 06:00
Por Redação

O governo anunciou que 11 novas áreas de matança de texugos foram licenciadas e somadas as 10 já instaladas. Devon agora tem seis operações de morte de texugos em andamento, sendo que Somerset e Wiltshire possuem três cada e outras ocorrem em Cheshire, Cornwall, Dorset, Gloucestershire e Herefordshire.

Texugos em tronco de árvore

Foto: Graham Harries/Rex Shutterstock

Os assassinatos de texugos despertam uma extrema indignação e ministros e alguns fazendeiros argumentando que eles são “uma parte vital da contenção da tuberculose bovina (bTB)”, que fez com que 29 mil bois e vacas fossem mortos em 2016.

No entanto, os cientistas destacam que as evidências não mostram que uma relação entre as mortes de texugos e a diminuição da BTB. Pelo contrário, as mortes dos texugos podem propagar ainda mais a doença.

Os Ministros também anunciaram a retomada de um esquema de vacinação de texugos. A ação, suspensa nos últimos dois anos por causa da falta de vacina, financiará 50% dos custos dos candidatos aprovados. Restrições ao movimento de alguns bois e vacas de alto risco também têm sido implementadas e alguns cientistas dizem que esta é a chave para acabar com a epidemia.

Cada caçada de texugos estabelece um número mínimo e máximo de animais que serão baleados para que os animais não sejam exterminados localmente, mas que ocorra um número de mortes “suficiente para que o extermínio seja efetivo”, embora os cientistas tenham descrito os objetivos do governo como um disparate.

De acordo com o The Guardian, foi estabelecido que o número de texugos que serão mortos neste ano é no máximo 33.347 e no mínimo 21.797. O maior massacre é em Dorset que terá mais de sete mil animais mortos. Os massacres atingiram seus objetivos em 2016.

A professora Rosie Woodroffe, da Zoological Society of London e que realizou um estudo histórico de 10 anos sobre o massacre de texugos, destaca: “É deprimente que o governo persiga a morte de texugos em áreas tão amplas quando os benefícios permanecem tão incertos. Os dados publicados hoje sugerem que, após três anos de assassinatos, a TB bovina nas primeiras zonas de morte não era menor do que em áreas desertas”.

Peter Martin, presidente do grupo Badger Trust, completa: “Os disparos em texugos foram condenados como desumanos tanto pelos próprios especialistas independentes do governo quanto pela British Veterinary Association”.