Moradores de bairro de Nova Friburgo (RJ) se unem por animais abandonados


Moradores do bairro Cônego, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, se uniram para cuidar dos cães abandonados no local. O projeto, intitulado “Cão Nosso”, começou há pouco mais de seis meses e já conta com dez participantes. A ideia é de que os cães, considerados comunitários, tenham uma qualidade de vida melhor a partir da ação dos voluntários.

“Nós já nos conhecíamos aqui do bairro, só que cada um vinha à praça para alimentar os animais e ajudar como podia. Até que um dia resolvemos nos unir para transformar o que era feito de forma individual em um trabalho conjunto e mais abrangente. Criamos o nome do grupo, Cão Nosso, e a partir daí, a ideia foi se multiplicando e o grupo crescendo”, conta o oficial de justiça e voluntário co-fundador do projeto, Christiano Jardim Teixeira Leite.

Os voluntários do projeto colocaram casinhas na praça para abrigar os cães comunitários (Foto: Henrique Pinheiro)

Tratando-se de cães comunitários, eles são tutelados por todos os voluntários em conjunto. Sendo assim, cada um se responsabiliza por alguma necessidade específica dos cachorros. “Temos uma escala definida e sempre estamos nos comunicando pelo grupo de WhatsApp. Nós nos revezamos para repor a ração, trocar a água, limpar a área e, claro, dar atenção a eles”, explica Christiano.

Casinhas com cobertores foram colocadas na praça do bairro junto de vasilhas com água e ração. O espaço foi carinhosamente chamado de “cãodomínio”.

Mequetrefe e Brad Bitt foram os nomes dados pelos voluntários aos dois cães que vivem atualmente no local. “Temos alguns ‘hóspedes’ volantes, que são esses cachorros que às vezes se perdem de casa e ficam por aqui, mas são achados pelos donos, ou aqueles que circulam por vários bairros. E o João e a Maria, um casal de cachorros bem simpáticos, que agora estão em um lar temporário”, conta Christiano.

Os cães, entretanto, não recebem apenas um nome quando passam a viver no “cãodomínio”, neles também são colocadas plaquinhas de identificação, presas às coleiras, com o nome de cada um e o endereço da página no Facebook do projeto “Cão Nosso”.

“Os animais ficaram mais dóceis depois dessa mobilização. Também nos preocupamos em castrá-los, tanto como forma de proteção, quanto para ajudar no relacionamento mais amigável entre eles”, conta a aposentada e voluntária Valéria Doblas, que reforça a importância da castração.

Apesar de todos os cuidados que recebem na rua, os cães sempre são disponibilizados para adoção. Os membros do projeto entendem que, por mais que tentem tornar a vida dos cachorros mais confortável no espaço destinado a eles na praça, a melhor opção é um lar seguro. “Cada cão que vai aparecendo a gente cuida, identifica e começa a divulgar para a possível adoção”, explica a aposentada e voluntária, Vera Naliato.

Vera diz ainda que o processo de adoção é criterioso, já que o intuito do grupo é encontrar um tutor responsável. “É muito mais difícil o cão adulto ser adotado, sem contar com os casos de pessoas que abandonam esses cães quando atingem a idade adulta. Por isso, a gente procura conhecer os potenciais adotantes, saber quem são, se realmente estão dispostos a cuidar do animal e se possuem estrutura para tal. Até porque, muitos desses cachorros cresceram na rua então disponibilizar um espaço pequeno, por exemplo, não adianta”, esclarece a voluntária.

Doações e parcerias

O projeto “Cão Nosso” funciona à base de doações dos membros do grupo e também do apoio de empresários locais e e ajudadores anônimos. Um dos parceiros é o proprietário de um pet shop do bairro, Bruno Nascimento.

“Me reuni com o grupo logo quando criaram a iniciativa para saber como poderia ajudar. Uma das nossas colaborações é a doação de um saco de ração por mês. Também viramos um ponto de apoio e coleta de donativos”, conta Nascimento.

O dono do estabelecimento lembra ainda toda ajuda é bem-vinda e que a soma das pequenas atitudes de todos tem resultado positivo para os animais abandonados. “Não tem como abraçar a cidade, mas se cada comunidade fizer um pouquinho a situação desses animais melhora. Infelizmente Nova Friburgo não tem um abrigo municipal para receber e cuidar desses animais de rua e aí eles ficam abandonados. Ração, água fresca e abrigo, podem parecer pouco, mas ajudam a melhorar a qualidade de vida deles”, afirma o empresário.

O voluntário Christiano explica que a Subsecretaria de Bem Estar Animal do município também é parceira do projeto. “A Subbea nos deu o respaldo legal para essa ação, através da Lei do Cão Social, e instalou a primeira casinha para abrigar os cães que vivem na rua”, diz.

Interessados em apoiar a iniciativa por meio de doações, trabalho voluntário, lar temporário ou até mesmo adotando um dos cães que vivem na praça, podem entrar em contato com o grupo através da página no Facebook “Cão Nosso – Nova Friburgo”. Doações também podem ser entregues no Pavilhão das Artes, no Cônego, que abre de terça a domingo.

“A ideia é que esse projeto seja um piloto e inspire pessoas a fazer o mesmo em suas comunidades. Além de divulgar a própria lei do cão social, a intenção é levar essa proposta para as escolas para que possamos semear atitudes legais como de cuidado, responsabilidade e a amizade, que pode surgir num ato de solidariedade como esse”, declara Christiano.

Lei do Animal Comunitário

De autoria do então vereador Marcelo Verly, a lei municipal do Animal Comunitário, criada em outubro de 2012, dispõe sobre os vínculos de dependência e cuidado entre o animal e a população da comunidade em que ele vive, sem a existência de proprietário definido e único.

Sancionada pelo ex-prefeito de Nova Friburgo, Sério Xavier de Souza, a lei determina que o animal comunitário seja mantido, preferencialmente, no local onde se encontra, sob fiscalização da Coordenadoria do Bem Estar Animal, que também é responsável por cadastrar os voluntários responsáveis pelos cuidados diários destinados ao animal.


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