Casal cria agência de viagens especializada no público vegano


Juliana Molina e Elton Bastos
Arquivo Pessoal

 A proposta da agência é organizar viagens que não envolvam a exploração animal em qualquer lugar do mundo. Além do serviço de consultoria personalizado, o casal também disponibiliza materiais para aumentar a conscientização das pessoas sobre o estilo de vida. Nesta entrevista exclusiva à ANDA, Juliana esclarece mais sobre a agência e fala das evoluções do setor de turismo.

ANDA: Como foi sua transição para o veganismo?

Juliana Molina – Eu e o Elton nos tornamos veganos juntos. Quando começamos a morar juntos, ele já não comia carne vermelha e por conta disso fomos procurando receitas vegetarianas para conhecer novos sabores e nos deparamos com várias receitas veganas. Depois, surgiu a curiosidade de saber o que era “vegano” e procuramos na internet. Até então, nunca tínhamos ouvido falar de veganismo. Depois disso, a transição foi rápida, isso ocorreu há aproximadamente quatro anos.

ANDA: Como surgiu a ideia de criar a Vegan4You Viagens Conscientes e quais serviços a empresa oferece?

Juliana Molina – A agência de viagens nasceu de uma “dor” nossa. Sempre gostamos muito de viajar e o Elton trabalha há mais de 16 anos com turismo. Depois que nos tornamos veganos, sentimos falta de serviços especializados para nós, de passeios que não envolvessem a crueldade animal, de experiências que tivessem a comida vegana inclusa. Começamos criando um blog com nossas experiências, depois organizando viagens para amigos até que resolvemos abrir a agência. Hoje oferecemos, desde passagens aéreas, seguro viagem até pacotes personalizados. Nosso diferencial são as viagens e experiências em grupo, nas quais a pessoa tem uma experiência completa como um passeio exclusivo, a alimentação, uma “aula de culinária”. Nesse momento, temos um grupo na Índia em uma viagem incrível de 15 dias, com aulas de yoga e meditação, visitas a restaurantes veganos, aulas de culinária e muito mais, tudo acompanhado por um de nossos guias.

ANDA: A empresa se preocupa em conscientizar as pessoas sobre o veganismo também, além de oferecer o trabalho de consultoria? De que forma?

Juliana Molina – Sim, nos preocupamos com a conscientização, mesmo porque consideramos nosso trabalho um ativismo também. Por meio da agência, queremos alcançar um número grande de não veganos. Todos os nossos clientes recebem material contendo informações sobre veganismo, nem sempre enviamos o mesmo material, depende muito do que temos. Pode ser um material de ONGs como a Mercy for Animals, da SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira) e também enviamos uma carta de agradecimento explicando a importância de viajar com consciência, além de criarmos um relacionamento com os clientes e falarmos muito sobre veganismo.

ANDA: Como tem sido a repercussão da agência entre o público?

Juliana Molina – A procura tem aumentado bastante, mesmo por não veganos. Aos poucos as pessoas estão se preocupando com essa tal sustentabilidade que é tão falada e o veganismo vem junto com tudo isso.
ANDA: Quais são as maiores dificuldades no planejamento de uma viagem que não envolva crueldade animal?
Juliana Molina – O planejamento de uma viagem é como montar um quebra cabeça, são infinitos detalhes, acredito que é justamente isso que dificulta. Para a viagem sair perfeita, a organização e planejamento são fundamentais e nem todo mundo tem tempo pra isso. Você precisa pensar no hotel, na alimentação, nos passeios, nos deslocamentos. Sabemos que existem pessoas que viajam de qualquer maneira, sem se preocupar muito e se adaptam no caminho, mas com certeza pode acontecer muita coisa indesejada dessa forma.

ANDA: Normalmente, a primeira questão que as pessoas pensam quando se fala em veganismo é a alimentação. Porém, outro fator crucial é a indústria do entretenimento. Mais recentemente, algumas empresas anunciaram que iriam parar de promover atrações que exploram animais. Como vocês avaliam esse movimento das empresas e a conscientização do público desde que iniciaram a Vegan4You?

Juliana Molina – Sim, ficamos muito felizes que as empresas estejam começando a mudar, mas, com certeza, isso aconteceu pela pressão popular. Se não houvesse essa pressão, essas empresas continuariam explorando os animais, pois visam somente ao lucro. Porém, acreditamos que isso é só o começo. Temos muita procura de pessoas preocupadas com os animais, até mesmo onívoros que acham que é exploração passear sobre um elefante, mas não compreendem que o ato de comer carne também é. Precisamos trabalhar com essas pessoas, pois vemos que existe compaixão.


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