Lolita: abandonada no olho do furacão


​Liguei. Conversei com uma mensagem gravada, dizendo que o parque estava fechado por causa da aproximação do furacão Irma.

Não há a opção de enviar mensagem pela principal rede social, tampouco consegui mandar pelo formulário do site – que, a propósito, não está funcionando. Fiz contato por uma rede social secundária, também sem sucesso.

“Ah, mas eles estão no meio de um furacão”. Bom, ontem, alguém fez um comunicado via redes sociais informando que o parque estaria fechado. Um, não. Dois. O primeiro só avisando sobre o fechamento, sem nem sequer citar quem vive lá. Horas depois, um segundo informativo, dessa vez falando que tinham planos para manter todos em segurança.

Irma deve chegar amanhã. E atingir em cheio o lugar onde a orca Lolita vive em cativeiro há mais de 40 anos – o menor tanque do mundo, alguns preferem chamar.

​Marine Life Aquarium depois do furacão Katrina
Marine Life Aquarium depois do furacão Katrina

Em 2005, oito golfinhos do Marine Life Aquarium, em Gulfport, conseguiram sobreviver ao furacão Katrina escapando para o mar – foram recapturados três semanas depois, obviamente. Ou resgatados, como os responsáveis pelo oceonário preferem relatar. E vale dizer que, no total, eram 14 golfinhos vivendo no aquário, mas só seis foram removidos do local de risco e transportados para piscinas de hotéis (sim, piscinas de hotéis).

O problema é que Lolita não é uma jovem golfinho. São 47 anos, 44 em cativeiro. E, levando em consideração que cetáceos têm mais dificuldade para respirar durante fortes tempestades, já que não respiram “automaticamente” como a gente, a chance de Lolita sobreviver se o furacão atingir o parque é realmente mínima.

Há anos, ativistas tentam libertar Lolita. Um movimento até mais intenso do que os que eram feitos para dar um fim de vida digno a Tilikum, a maior da espécie em cativeiro até então, morta no início deste ano. Isso porque Lolita é considerada a orca mais solitária do mundo. Mas o Miami Seaquarium nunca quis libertá-la. Nem do cativeiro, nem da solidão.

E claro que, agora, literalmente no olho do furacão, todo mundo vai perguntar: mas o que você quer que eles façam?

Eu queria que eles tivessem feito.


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