Conheça a cientista libanesa que luta para salvar tubarões no Oriente Médio


Infelizmente, as descobertas de Jabado mostram a difícil situação desses vertebrados com mandíbulas: a primeira Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza de Rochester (peixes cartilaginosos) publicada em Agosto mostra que mais de 50% dos tubarões, raias e quimeras que vivem no Golfo Arábico, no  Mar Vermelho e no Mar do Norte da Arábia correm grande risco de extinção.

Cientista com pequeno tubarão
Foto: Simone Caprodossi

O documento, do qual Jabado foi uma das principais contribuintes, oferece os primeiros dados para a região oceânica árabe (limitada por 20 países, incluindo a Índia e o Paquistão) e pode ser comparado a todos os futuros esforços de proteção.

A cultura pop não ajudou a melhorar a situação dos tubarões. Enquanto filmes como “Jaws” e “Open Water” os retratam como monstros sanguinários, Jabado, de 38 anos, tenta educar as pessoas sobre o papel vital dos tubarões para a ecologia oceânica.

Em seu estudo de 2008 sobre os predadores, ela mostra que os tubarões são cruciais para manter os oceanos saudáveis porque são responsáveis pelo equilíbrio nos ecossistemas marinhos, restringindo o número de presas, que fazem o mesmo com outras espécies na cadeia alimentar. Por isso, segundo ela, um oceano sem tubarões pode ter consequências imprevisíveis e devastadoras.

Porém, ajudar a proteger esses animais é impossível sem informações precisas.  Foi assustador e emocionante para Jabado descobrir que ninguém realizava pesquisas oficiais sobre tubarões nas águas do Golfo quando ela viajou para o Dubai durante as férias de 2008. Ao consultar antigos registros de pesquisadores dinamarqueses, portugueses e japoneses, ela percebeu a ausência de atualizações. “Eu tinha uma tela em branco para trabalhar”, diz.

Ao mesmo tempo, Jabado diz que dados de Hong Kong revelaram que os Emirados Árabes Unidos são o quarto maior exportador de barbatanas de tubarão, um comércio multimilionário que cresceu no final dos anos 90 para abastecer a demanda chinesa por sopa de barbatanas dos animais, revela o portal Ozy.

Recentemente, a United Arab Emirates University iniciou o seu programa de doutorado, então Jabado apresentou uma proposta para continuar seus estudos na instituição e analisar a pesca de tubarões nos Emirados Árabes Unidos. Ela recebeu uma bolsa de estudos integral e conduziu a pesquisa por dois anos. Jabado realizou a primeira análise sobre a ecologia e a pesca de tubarões na região.

Mohammad Tabish, um especialista em pesca que a conheceu primeiro como estudante e depois a teve como companheira no Ministério do Meio Ambiente e Água, parabeniza seu trabalho: “Nos Emirados Árabes Unidos, um dos principais desafios é não conseguir a emissão de regulamentos – conseguimos elaborar uma das primeiras leis relacionadas na região”.

Jabado  ajudou a implementar uma proibição quanto à pesca de tubarões na região entre Fevereiro e Julho. Porém, ela confessa, é improvável que os pescadores locais liberem capturas acidentais. “Eles podem lucrar pelo menos US$ 100 com as barbatanas secas de um tubarão”, explica.

Embora os esforços para proteger as espécies de tubarões ameaçadas estejam em seus estágios iniciais, Jabado tem aumentado a conscientização sobre o assunto. Até a sua chegada, até mesmo os membros da comunidade científica desconheciam a biodiversidade do Golfo. “A maioria das pessoas com quem falo diz: ‘Há tubarões no Golfo?’. Eles têm medo de entrar na água depois disso”, esclarece.

Jabado, ao contrário, é apaixonada por tubarões desde criança. Sua família mudou-se para a Grécia depois que Israel invadiu o Líbano em 1982. Sua mãe criou três filhos enquanto seu pai trabalhava com transporte de carga. A cientista recorda-se de ver tubarões à venda nos supermercados, o que despertou sua curiosidade sobre eles, mas seu pai desencorajou uma carreira de pesquisa porque não via futuro na área. Ela se concentrou em políticas de proteção e estudou Ciência Política na Concordia University em Montreal (Canadá) e aplicou seus conhecimentos na James Cook University em Queensland, na Austrália.

Com planos de permanecer nos Emirados Árabes Unidos no futuro, Jabado tem se juntado a especialistas em tubarões em todo o mundo para adotar iniciativas de educação e oficinas de treinamento. Com o apoio do Fund for Animal Welfare, do Oriente Médio e do Norte da África e da Convenção das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias, ela foi coautora de um guia de identificação bilíngue para ajudar os oficiais aduaneiros a identificar e proteger espécies ameaçadas comercializadas nas fronteiras.

O trabalho de Jabado é lento e árduo e ela se preocupa que o tempo está acabando.  Ameer Abdulla, consultor sênior sobre biodiversidade marinha e ciência da conservação da União Internacional para a Conservação da Natureza, diz que já é tarde demais para alguns tubarões que são facilmente capturados, como espécies que habitam litorais rasos.

Além disso, ele ressalta que existem desafios geopolíticos na região do Golfo que contribuem para a falta de recursos para o controle, a instabilidade governamental e a caça. “Tudo isso se traduz em impedimentos significativos para a conservação e continuidade dos tubarões”, esclarece.


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