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Pampas Safari: em vídeo vazado, dono de frigorífico diz que cervos não tinham tuberculose

O vídeo foi gravado durante reunião do dono do frigorífico com agentes da prefeitura.

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30/08/2017 às 11:06
Por Redação

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O dono do frigorífico que matou 20 cervos do Pampas Safari, antes da ordem judicial que proibiu o extermínio deles, foi flagrado, por meio de um vídeo feito discretamente, afirmando que os cervos não tinham tuberculose. O vídeo gravado durante reunião do dono do frigorífico com agentes da prefeitura foi vazado pela página do Facebook A.L.F RS/Brasil.

Ele disse ainda que era para todos os cervos terem sido mortos, não apenas 20, o que não aconteceu porque o matadouro pediu que fosse encaminhado um número pequeno de cervos para que os equipamentos fossem testados nesta espécie, já que o local é especialista em matar bovinos. “Não temos experiência nenhuma nisso, aí pedi que viessem poucos, um número menor possível para fazer um teste”, afirmou o dono do frigorífico.

Confira o vídeo abaixo:

Exames mostram resultado negativo

Entre outubro de 2016 e janeiro deste ano foram realizados exames em 257 cervos do Pampas Safari. Validados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os exames apontam resultado negativo para tuberculose.

Os laudos, assinados pelo veterinário Estanislau da Silva, foram obtidos pela deputada Regina Becker Fortunati (REDE) e pelo diretor-presidente da Fundação de Meio Ambiente de Gravataí (FMMA), Jackson Müller.

O Ibama, que não têm cumprido seu papel de proteção à fauna silvestre, afirma que a Secretaria Estadual da Agricultura autorizou o extermínio dos cervos amparada por laudos que comprovam a doença.

Um inquérito civil para apurar o caso foi instaurado pelo Ministério Público. O resultado das amostras colhidas nos corpos dos cervos mortos, encaminhadas ao Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, em Guaíba (RS), deve sair na próxima semana.

O diretor do instituto, Rogério Oliveira Rodrigues, explicou ao G1 que uma primeira avaliação não detectou lesões macroscópicas nos cervos, mas que isso não é suficiente para determinar o resultado. “Deu negativo macroscopicamente, o que não significa dizer que não tenha bactéria. Não é um resultado definitivo, ainda está em processamento”, disse.

A promotora de Justiça Carolina Barth conta que um ex-funcionário do Pampas Safari afirmou, em depoimento, que os cervos mortos não tinham tuberculose. “Ele disse que acompanhou o abate, que foi feito por outro profissional, contratado pela direção”, afirmou ao G1.

Carolina disse ainda que a prática de morte induzida no caso de animais doentes é muito questionável e que, pelo fato de o processo ser irreversível, “é necessário que se suspenda o procedimento até que sejam apurados os fatos”.

Entre os 20 cervos mortos, haviam quatro fêmeas grávidas. “A gente quer esclarecer, saber o porquê disso. Tem uma lei federal que inclusive proíbe a morte de uma fêmea grávida”, sustentou Regina.

O extermínio dos outros cervos, que permanecem no parque, foi proibido mediante decisão judicial. A liminar, concedida pelo juiz João Ricardo dos Santos Costa, da 16ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre, determina ainda que os cervos contaminados sejam mantidos em isolamento e com separação por sexo para evitar a procriação.

Ativistas protestam contra extermínio dos cervos

Ativistas que protestaram em frente ao Ibama de Porto Alegre (RS), na última sexta-feira (25), cobram uma comprovação de que os cervos realmente estavam doentes.

Os manifestantes, que somavam cerca de 100 pessoas, usaram chifres e ficaram deitados na calçada do Ibama em um ato de solidariedade aos cervos do Pampas Safari.

Ativistas protestam contra morte dos cervos do Pampas Safari (Foto: Bernardo Bortolotto/RBS TV)

Thiane Nunes, integrante do Partido Animais, disse ao Correio do Povo que é inaceitável que os tutores dos cervos tenham o direito de requerer o procedimento de morte induzida alegando falta de recursos sem a certeza de que há, de fato, contaminação por tuberculose. “Falta de recurso de uma empresa que tem capital social de R$ 2,5 milhões?”, questionou.

A ativista contestou ainda o posicionamento dos órgãos envolvidos no caso. Para ela, o Ibama, a Fundação Municipal de Meio Ambiente de Gravataí, o governo do Estado e o Ministério Público Federal poderiam ter agido para mudar a realidade de abandono dos animais do Pampas Safari.

Um termo pedindo que providências sejam tomadas foi lido pelos ativistas no local. Entre os pedidos está a necessidade de os órgãos competentes tomarem atitudes em prol dos cervos, a formação de uma comissão para analisar o tema e o anseio de que os proprietários do parque tornem público uma cópia do livro do plantel de animais desde 2013, quando o Pampas Safari foi interditado.

Os ativistas pedem ainda que, por meio de um termo de compromisso, os proprietários do Pampas Safari sejam condenados a perder integralmente a área onde o parque está localizado como compensação ambiental pelos danos patrimoniais e morais e que o local seja transformado em um santuário.

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