CONTEÚDO ANDA

Conheça a mulher que dedica sua vida à proteção de rinocerontes na África do Sul

Lynne MacTavish vive em uma pequena casa de madeira em uma reserva sul-africana com um emu, um avestruz, um grupo de gansos, dois terrier Jack Russell e a espingarda da sua avó para proteger rinocerontes

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13/08/2017 às 06:00
Por Redação

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Ela mantém uma estátua em seu portão: um tokoloshe, ou espírito maligno segundo a crença tradicional local, instalado por um feiticeiro para afastar os caçadores supersticiosos.

Mulher abraçada a rinoceronte

Foto: Charles Theron

Todas as noites, MacTavish levanta-se depois da meia-noite, pega a espingarda, entra em uma SUV e faz sua patrulha em busca de caçadores.

Ela ainda se recorda de quando encontrou uma cena trágica em Outubro de 2014 e ainda chora ao contar a história. Caçadores haviam matado dois rinocerontes, incluindo uma fêmea  grávida que MacTavish conhecia desde o nascimento. Mais dois morreram como resultado indireto do ataque e um bebê, com apenas alguns dias de vida, desapareceu.

MacTavish luta para arcar com as despesas de seguranças, já que um caçador local ameaçou matá-la. A África do Sul é o lar de 80% dos 25 mil rinocerontes do mundo. Com a corrupção e as falhas de segurança, o país perde três rinocerontes diariamente para a caça, sendo que 85% deles estão em reservas estatais.

Proprietários privados como MacTavish tornaram-se importantes para a sobrevivência da espécie, criando mais de 6500 rinocerontes em cerca de 330 reservas privadas, com cinco milhões de hectares, que oferecem uma relativa segurança aos animais.

Mas o preço da segurança é alto e muitas reservas estão fechando suas portas. Para ajudar a obter receita, os operadores de reservas privadas defenderam o retorno do comércio limitado de chifres de rinoceronte na África do Sul, que havia sido banido desde 2009. O governo está finalizando os novos regulamentos que permitirão que os estrangeiros exportem até dois chifres para uso pessoal.

A medida causou indignação em muitos ativistas. A maioria dos defensores dos animais selvagens ressalta que permitir até mesmo as vendas de chifres de rinoceronte “criados” pode ameaçar um esforço internacional para acabar com o comércio em todo o mundo. Cerca de 2200 chifres por ano são destinados ao comércio, principalmente vindos da caça e os ativistas destacam que os criminosos encontrarão maneiras de colocar esses chifres no mercado legalizado.

“A reabertura de um comércio doméstico de rinocerontes na África do Sul tornaria ainda mais difícil o acesso de oficiais da lei ao combate de crimes contra rinoceronte”, enfatizou o gerente de política do World Wildlife Fund, Colman O’Criodain, em um comunicado.

Lynne MacTavish chora depois de encontrar rinoceronte morto

Lynne MacTavish chora depois de encontrar rinoceronte morto/ Foto: Charles Theron

“Não há demanda doméstica por chifre de rinoceronte na África do Sul, por isso é inconcebível que alguém o compre a menos que pretenda vendê-lo no exterior ilegalmente ou eles estão especulando que o comércio internacional será legalizado”, acrescentou.

De acordo com o Los Angeles Times, a população de rinocerontes está tão ameaçada que pode desaparecer dentro de uma década.

No ataque à reserva de MacTavish, em 2014, os caçadores atiraram em um rinoceronte fêmea chamado Cheeky Cow durante a noite. O animal correu por vários quilômetros, levando-os para longe de seu bebê, mas os assassinos cercaram-na e fizeram o mesmo com outras três fêmeas e atiraram nelas, atingindo outra jovem grávida chamada Winnie.

Eles cortaram a medula espinhal de Cheeky Cowcom para que ela não pudesse se mexer e, enquanto estava viva, golpearam seu rosto com um machado para remover seus chifres. Winnie também estava viva quando eles foram arrancados.

Ao encontrar o corpo de Winnie, MacTavish chorou por meia hora. “Quando você está olhando para um animal que conheceu por toda a sua vida e você vê o que eles fizeram, é uma crueldade além das palavras”, disse MacTavish.

Ela sabia que tinha que remover os chifres dos outros rinocerontes “porque você não pode suportar o pensamento de que qualquer outro rinoceronte enfrente essa horrível crueldade”, afirmou. MacTavish chamou a polícia, mas eles não investigaram os corpos dos rinocerontes, as pegadas ou a cena do crime. Eles estavam bebendo cerveja e o capitão da polícia pediu que ela acendesse o forno para que não desperdiçasse a “boa carne”, contou ela.

Posteriormente, ela chamou veterinários para remover os chifres dos animais.  Patrol, de 32 anos, morreu durante o procedimento.

Após perder a mãe para caçadores, o filhote Charlie se aproximou do filhote Sweet Chilli

Após perder a mãe para caçadores, o filhote Charlie se aproximou do filhote Sweet Chilli/ Foto: Lynne MacTavish

Organizações como o World Wildlife Fund temem que o comércio doméstico de chifres de rinoceronte da África do Sul seja uma porta de entrada para o comércio internacional porque o processo de emissão de licenças governamentais é corrupto. Isso, somado ao policiamento ineficaz na Ásia, poderia resultar em uma onda de chifres no mercado comercial.

Pequenos proprietários privados, como MacTavish, não possuem condições de pagar drones, helicópteros, radares ou sensores. MacTavish economiza cada centavo para proteger os rinocerontes. Para ajudar com os custos, ela recebe grupos de estudo de universidades.

Perto de uma represa em sua propriedade, ela construiu um templo para os rinocerontes que perdeu para os caçadores. De um lado, está crânio de Cheeky Cow, com suas terríveis lesões. Apesar de suas medidas de segurança, ela vive com medo de outro incidente de caça. “Você basicamente coloca sua vida em risco por esses animais”, diz.

Porém, em Abril, o nascimento de um bebê lhe deu esperança e mostrou que o esforço vale a pena. Ele nasceu no meio de relâmpagos e trovões e foi chamado de Storm (Tempestade).

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