Poluição pode ser uma das causas do encalhe de baleias


A baleia jubarte encalhada desde a última quinta-feira (24) na Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, conseguiu voltar ao mar no sábado (26).  Também na quinta-feira, outra baleia foi liberta após passar 24h presa na Praia Rosa, em Búzios. Já a baleia encalhada na Ilha Grande, apesar dos esforços, não resistiu. Foram três casos em menos de uma semana no litoral carioca.

Baleia jubarte que encalhou na Baía de Sepetiba foi devolvida ao mar (Foto: Kátia Silva)

Especialistas levantam várias possibilidades que podem explicar os frequentes encalhes de baleias, que passam pelo litoral do Rio em direção à Antártica, após se reproduzirem em Abrolhos, na Bahia.

“A população de jubartes que frequenta a costa brasileira era de dois mil indivíduos entre as décadas de 1980 e 1990. Atualmente, é estimada em 17 mil. Quanto maior o número de indivíduos, maior a probabilidade de encalhes”, explicou o biólogo Leonardo Flach, do Instituto Boto Cinza e da Associação Noel Rosa.

De acordo com o biólogo, além do aumento no número de baleias, há outras razões que podem ocasionar os encalhes, dentre elas os atropelamentos por embarcações, a baixa de imunidade e consequente desorientação, provocada pela poluição das águas, colisões com artefatos de pesca e menor disponibilidade do krill – conjunto de invertebrados que lembram o camarão, considerado o arroz com feijão das baleias.

“Mas podem existir outros motivos que, às vezes, a gente nem consegue imaginar”, disse.

A bióloga Kátia Silva, integrante do Instituto Boto Cinza, lembrou em entrevista ao O Globo que a curiosidade também é um fator que pode levar às baleias a ficarem presas nas praias. “A Baía de Sepetiba não faz parte da rota das jubartes. A grande maioria não usa o local como trajeto, mas algumas optam por passar por lá. Pode ser apenas para ver o que há ali ou para aproveitar a área abrigada, sem sol e grande (com cerca de 540 quilômetros quadrados) para descansar, relaxar”, concluiu.


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