PROCEDIMENTO RARO

Cirurgia de marca-passo salva a vida de cachorrinha em Passo Fundo (RS)

Uma cirurgia de marca-passo, incomum em animais, salvou a vida de uma cachorra em Passo Fundo (RS). O procedimento mobilizou 10 profissionais.

Cachorra foi submetida à cirurgia para colocar marca-passo (Foto: RBS TV)

Uma cirurgia comum nos seres humanos salvou a vida de uma cachorrinha de 11 anos que passava por problemas cardíacos, em Passo Fundo (RS), na Região Norte do estado.

O quadro de saúde de Moee, quando chegou ao Hospital Veterinário da Universidade de Passo Fundo, era grave. O problema era um bloqueio no coração, que dificultava a passagem de sangue para o resto do corpo.

Cachorra foi submetida à cirurgia para colocar marca-passo (Foto: RBS TV)

“Ela tinha muita dificuldade para fazer exercícios, intolerância a caminhadas e qualquer atividade que exigisse um pouco mais do sistema cardiovascular”, explica o médico veterinário Ricardo Pimentel Oliveira. Se a intervenção não tivesse sido feita a tempo, a tendência era de que a frequência cardíaca baixasse ainda mais, aumentando o risco de Moee não resistir.

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A cirurgia de implante de marca-passo é comum entre os humanos, mas não em cachorros. “O marca-passo tem a função de regularizar a frequência cardíaca. Então, ele vai estimular a parte do coração que não está funcionando da forma mais correta, elevando a frequência cardíaca ao limite normal”, explica Ricardo.

A frequência cardíaca de Moee estava em 40 batimentos por minuto. O normal é cerca de 150. Foi aí que o cirurgião cardiovascular Guilherme Krahl entrou em ação. Em quase 20 anos de profissão, o médico já perdeu as contas de quantas cirurgias em humanos já fez: chega a ser até mais de uma por dia. Mas em um paciente tão pequeno e especial, foi a primeira vez.

“A técnica é muito semelhante a que podemos usar em alguns casos nos animais. Estamos acostumados com o tamanho de um ser humano adulto, e de repente nos deparamos com um pequeno animal de seis quilos. Alguma coisa tem que improvisar”, comenta ele.

Fora do Brasil, esse tipo de implante em animais já é feito há alguns anos. Mas por aqui, ainda é raro. Esse foi o segundo com sucesso no Rio Grande do Sul. O aparelho usado nos animais é igual ao dos humanos. Para a cirurgia de Moee, quase 10 profissionais foram mobilizados. E o resultado foi satisfatório: um dia depois do procedimento, Moee já estava bem.

“Foi muito angustiante, mas ela não tinha outra alternativa a não ser essa. Pensamos e decidimos: é a chance que ela vai ter”, conta a tutora de Moee, Márcia Mozzato Bergamo. Com a cachorrinha bem e saudável, a família voltou a se alegrar. “Ela é a nossa vida, em casa, em qualquer lugar. Ela é tudo”, conclui Márcia.

Para os especialistas envolvidos na operação, a gratificação é em dobro. “Foi extremamente importante e enriquecedor para minha vida, como profissional, saber que a gente conseguiu ajudar uma vidinha e também restabelecer o convívio dela com a família, que é extremamente importante”, diz o cirurgião Guilherme.