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Raposa-do-campo pode ser extinta devido à ação humana, aponta pesquisa

De acordo com estudo realizado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), a raposa-do-campo corre risco de extinção devido à ameaça humana.

A Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveu pesquisa que concluiu que a raposa-do-campo corre risco de extinção devido à ameaças humanas, já que cerca de 50% das mortes desse animal são causadas por seres humanos. Outro foco do estudo é entender como esse animal, que vive apenas no Brasil e em áreas de cerrado, é capaz de se adaptar e viver em áreas modificadas pela agricultura.

O coordenadora do Programa de Conversação dos Mamíferos do Cerrado, o professor Frederico Gemesio Lemos, disse, em entrevista ao G1, que a espécie tem de 10% a 5% de chance de desaparecer em 100 anos, o que é considerada uma probabilidade alta. “100 anos pode parecer muito para a gente, mas para a natureza, não é nada. A espécie levou dois ou três milhões de anos para se adaptar a esse ambiente”, explicou.

Raposa-do-campo corre risco de extinção (Foto: Divulgação/Frederico Gemesio Lemos)

O professor, que trabalha com a espécie desde 2008, explicou que há um alto índice de mortalidade da raposa-do-campo, tanto entre indivíduos jovens quanto adultos. A maior parte dessas mortes é resultado da ação do homem.

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“A raposa-do-campo não vive apenas em áreas de preservação, estão espalhadas pelo cerrado e, muitas vezes, acabam próximas a fazendas e rodovias. Com isso, muitas pessoas caçam, matam o animal achando que representa um perigo, que vai atacar o galinheiro, fazem uso de venenos, tampam as tocas onde estão os filhotes”, afirmou Lemos.

De acordo com o pesquisador, a espécie possui características peculiares e importantes para o meio ambiente, mas ainda é pouco conhecida. Não se sabe todas as regiões em que o animal vive, tampouco quantos indivíduos existem atualmente.

“Ela não come galinha, como muitos temem. Fizemos análise das fezes e do estômago de animais mortos e não foi achado nenhum indicativo disso. Ele é um bicho que come cupins, besouros, serpentes, roedores e até frutos. Ainda estamos analisando, mas ela pode até ter uma função de dispersar sementes pelo cerrado”, completou.