Corrente pelo bem

Ações pelos animais abandonados mudam consciência sobre a causa animal

Ter um animais domésticos é como ganhar um novo membro na família. Muitos, inclusive, definem como um reencontro e não uma escolha.

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17/07/2017 às 16:30
Por Redação

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Recentemente, em Manaus, Amazonas, eventos de adoção têm ganhado mais espaço e visibilidade, trazendo consigo novas maneiras de encarar a relação com os animais. Cada vez mais ONGs e protetores decidem ajudar animais em estado de vulnerabilidade e essa corrente pelo bem só tende a crescer.

Cadela fruto de adoção

ONGs locais influenciam na adoção responsável de animais (Foto: Reprodução/Acervo Pessoal)

Um exemplo é Sheila Cavalcante Benjamin tem cinco gatos adotados e mais dois de cuidado compartilhado. Como muitas pessoas, ela conta que sempre teve e gostou de cuidar de animais, mas, em 2012, um encontro muito especial com a gatinha Tapioca se transformou na sua primeira experiência com adoção.

Tutora segurando gata adotada

Sheila com gatinha Tapioca, fruto de adoção (Foto: Reprodução / Acervo Pessoal)

“Ela veio de um resgate. Foi encontrada em uma feira com os irmãos. Na verdade, no começo, ela foi morar no meu antigo trabalho, mas era meio arisca e eu comecei levando para casa só nos fins de semana. Com o tempo, ela não pôde mais ficar no local e eu, que já tinha me afeiçoado ao animal, acabei levando para casa de vez”, relembra.

Segundo Sheila, essas e as outras experiências com os gatos que, hoje, estão na sua casa, criaram nela uma consciência sobre o cuidado com os animais. “Eu acompanho o trabalho muito sério da ComPaixão Animal. Quando posso ajudar, me envolvo, nem que seja compartilhando informações nas redes sociais. Sempre tive animal, sempre gostei. Mas foi tendo a experiência com os primeiros adotados que uma consciência foi sendo criada”, afirma.

Consciência que, passados cinco anos da primeira adoção, aguça ainda mais os sentidos de Sheila em relação à necessidade dos animais. “Esta semana, estava saindo do trabalho e, no caminho, percebi uma movimentação estranha em uma área de mato e era um gatinho miando. O primeiro reflexo foi reduzir a velocidade e olhar. Eu acho que vi a cabeça, só que o carro que vinha atrás estava buzinando e eu segui adiante. Esse é o tipo de sensibilidade que, quando começa a conhecer a causa animal, você vai adquirindo. Eu não tenho mais condição de pegar nenhum gato, mas, independente disso, me chamou a atenção”, relata Sheila.

No caso da advogada Letícia Pernambucano foi um pouco diferente. Ela tinha uma cachorra de raça que foi companheira da família inteira por dez anos e acabou morrendo. Acostumados com a presença do animal dentro de casa, eles decidiram ajudar um abrigo que estava começando as atividades.

A afinidade foi tanta que eles acabaram adotando, em um processo mais complicado que o normal. “Era uma cachorrinha mais velha e muito doente. Ela passou um mês na pet shop, porque tinha carrapatos e o veterinário suspeitava de anemia, enfim, uma série de coisas. No início, foi muito difícil, ela estava muito debilitada. Foram cerca de três meses para ela ficar 100%”, conta a advogada.

Apesar dos pesares, ela conta que a Mancha — como foi batizada a cadelinha — se adaptou perfeitamente à família e, hoje, é a alegria da casa. “Ela foi se adaptando com o tempo. Todo mundo estranhou um pouco, no início, mas virou uma grande alegria para a família. E essa experiência criou uma conexão com outros abrigos também, foi bem positivo”, conta Letícia. “A gente sempre ajuda esse abrigo, onde adotamos ela, e outros também quando tem algum evento”, completa.

Sobre ter outros cachorros, ela afirma que são planos para o futuro, no entanto, o meio certamente deve ser a adoção. “Até gostaria de adotar outros, mas sei que a Mancha demanda muito da gente. Ela é muito agitada! Para ter uma ideia, tirar uma foto nossa com ela é muito difícil, porque ela não deixa”, entrega a advogada. “Não seria imediatamente, mas a experiência de adoção foi muito positiva”, garante.

Missão de vida

O produtor Luppi Pinheiro leva a ideia ainda mais além. Há cerca de 20 anos, ele se dispõe a resgatar animais em situação de rua e dar a eles uma vida confortável, o que ele encara com uma missão. “Acho que tem pessoas tão ruins que abandonam os animais, principalmente quando já estão velhinhos, porque não querem ter trabalho. Eu pego, levo para casa, levo no veterinário e cuido até morrer. Tenho a sensação de que morrer só deve ser uma sensação muito ruim”, explica o produtor.

Ao longo destes 20 anos, as histórias são muitas. Mas, algumas ele faz questão de destacar para reforçar a prioridade que têm os animais em sua vida. “Uma vez, eu estava participando de uma campanha e me pediram para levar uma diretora para o hotel. Quando eu desci do local, tinha uma cachorra caída na rua, ensanguentada, com um corte na perna, sem conseguir andar. Eu fiquei tão alucinado que peguei a cachorra e levei embora. A Magrela — como foi chamada, depois — levou 11 pontos. Mas foi só depois que eu percebi que tinha deixado a diretora lá! Esqueci dela”, relembra, aos risos. “Mas, quando eu voltei, contei a história e ela elogiou a minha atitude, então, ficou tudo bem”, conta Luppi.

Atualmente, são sete cachorros que dividem a atenção e os cuidados de Luppi, que garante não se importar em gastar no que for preciso. Seu lema é: “apareceu para mim, a responsabilidade é minha”. “Acho que cachorro tem alma, e a gente faz parte da evolução deles. E acho que nada acontece de graça. Tenho um sonho de ter um canil bem grande para juntar todos os animais que vejo pela frente. Como não posso, pego os que estão morrendo”, afirma.

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