A importância e a responsabilidade de ter animais domésticos


Vistos até pouco tempo atrás como guardiões de residências e protetores de famílias, os cães passaram a ter um espaço especial nos lares. Da mesma forma, os gatos que antes ficavam nos galpões agora encontram o aconchego das moradias e deixam de lado o instinto da caça. Mais do que lugares confortáveis e tutores amorosos, os animais domésticos conquistaram poder na sociedade.

Veterinária brincando com animais no pátio da clínica
Quem vive em apartamento, opta por deixar os animais no pátio da clínica algumas vezes (Foto: Rodrigo Assmann)

Embora os casos de maus-tratos e abandono ainda sejam recorrentes, a movimentação em torno do cuidado também é percebida, o que reflete uma mudança no comportamento dos humanos. A cada dia, as pessoas se conscientizam mais sobre a responsabilidade de ter um amigo de quatro patas. Há dez anos trabalhando na área, a proprietária da Pet Boulevard, veterinária Manuela Oliveira Hammes, observa essas transformações. Mas, para ela, a dedicação com gatos é ainda mais notável. “Antigamente, havia aquele pensamento de que ‘gato se cria’. As pessoas tinham os animais, porém não procuravam o veterinário”, comenta. “Hoje, a população está mais esclarecida sobre a necessidade de fazer exames e vacinas”, acrescenta.

Segundo a veterinária, em sua clínica a maioria dos atendimentos é de cães de pequeno porte. No entanto, ela afirma que os grandalhões ainda são zelados. “Não é o pastor alemão que só cuida do pátio. É um pastor mimoso, que tem uma casinha boa, dorme com paninhos na garagem e tem uma vida confortável”, explica. E mesmo em tempos que tanto se fala de crise financeira, o amor e o cuidado prevalecem. “Tem gente que inclui todas as despesas no orçamento da casa. Os tutores podem estar até um pouco contidos e dar algum banho em casa quando conseguem, mas mantêm as rações de qualidade e os exames em dia”, conta.

Em sua empresa, Manuela também presta os serviços de creche e hospedagem. A médica comenta que alguns clientes que residem em apartamento deixam seus animais para passar algumas horas do dia no pátio da clínica, onde podem ter a companhia do Bidu, o recreacionista adotado – como define Manuela – que não deixa nenhum cachorrinho parado. Nos períodos de fim de ano e férias, a intensa procura pela hospedagem do estabelecimento mostra um fator importante: os guardiões até podem ficar longe dos animais, mas somente com a garantia de que estarão bem cuidados. E o motivo para toda essa proteção e apego é simples para Manuela. “As pessoas estão mais ocupadas, os dias mais corridos. Então, muitas vezes preferem ter um cachorro ou um gato do que um filho”.

Quando fazem parte da família

A fotografia de Fabiane Carine Hoff com o marido Felipe Köpp e as cachorrinhas mostra a razão de tantos mimos com Layla, a shitzu de 7 anos, e a filhote Safira, a doberman de apenas três meses. As duas fazem parte da família, segundo a contadora. A mais velha foi adquirida pela santa-cruzense para fazer companhia dentro de casa. Vai na pet shop toda semana, ganha banho, ossinho e ração de qualidade. Foi acostumada assim e é dessa forma que deve continuar, conforme Fabiana. “A doberman nós pegamos para a segurança porque fomos assaltados há pouco tempo. A gente pensava em ter um cão feroz, porém carinhoso. Mas a Safira é tão apaixonante que acabamos tratando igual à Layla”. comenta.

Tutores com cadelas no colo
Casal diz que trata cadelas como se fossem da família (Foto: Rodrigo Assmann)

Cidade pode ter hospital e curso

Santa Cruz poderá contar em breve com um hospital público veterinário. No mês passado, o prefeito Telmo Kirst (PP) visitou as dependências de uma instituição privada de Florianópolis, reconhecida no país pela excelência dos serviços. No local, o chefe do Executivo pôde buscar referências para a construção. Telmo sinalizou durante a visita que uma das áreas cogitadas para receber o empreendimento é a da antiga Escola Murilo Braga, no Bairro Independência. Por enquanto, o projeto está apenas na fase de estudos.

Outra novidade que pode chegar à região é a implantação do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Há cerca de dois anos, a instituição anunciou que pretendia criar a opção no campus de Venâncio Aires. A universidade foi procurada pela Gazeta do Sul, mas não quis se manifestar sobre o andamento da proposta tendo em vista que ainda não há definições referentes ao assunto.

Vozes que defendem os animais

Apesar da mudança do comportamento da sociedade, nem todos os animais são abençoados com uma família cuidadosa e um lar quentinho. Há aqueles que ainda sofrem pelo descaso e por agressões. E nem sempre a vontade de abrigar um animal abandonado é suficiente, já que a adoção também gera responsabilidades.

Entretanto, o desejo de melhorar as condições de vida deles pode impactar diretamente no resultado de uma eleição. Foi o que aconteceu com a vereadora Bruna Molz (PTB), em Santa Cruz do Sul, e a deputada estadual Regina Becker Fortunati (REDE). Ambas são defensoras da causa e carregam a responsabilidade de proteger e lutar pelos direitos dos animais.
Regina foi recentemente comentada na mídia por se mobilizar e garantir que a Prefeitura de Porto Alegre ficasse impedida de realizar a eutanásia de cães com leishmaniose na capital.

Já Bruna ficou conhecida no meio após atuar à frente do Canil Municipal e trabalhar no resgate de animais vítimas de maus-tratos, como o Cabeção, cachorro adotado por ela depois de ser salvo. Eleita no ano passado, ela já aprovou o projeto que torna o 25 de março o Dia Municipal da Adoção, Proteção e Bem-Estar dos Animais, e recentemente um projeto que cria o programa Cachorródromo, um espaço público para cães.

Vereadora runa abraçada com cão
Bruna é reconhecida pelo trabalho em defesa da causa animal (Foto: Rodrigo Assmann)

A vereadora de Santa Cruz reconhece que sua vitória na disputa por uma cadeira na Câmara ocorreu por causa daqueles, que assim como ela, querem melhorar a realidade animal. “Os votos que recebi, com certeza, são de pessoas que acreditam que nos unindo em prol de um bem maior podemos fazer a diferença e que ter uma representante no Legislativo do município já é o primeiro passo”, observa. “A minha entrada no Legislativo se deve ao fato de que os amantes dos animais crescem a cada dia. Somos um exército de pessoas que têm animais em casa e amor por eles. Não conseguimos ver outro animal sofrendo e passando necessidades”, afirma.

Sentimento é gratidão

O que os tutores desses animais ganham em troca vai além do amor: a gratidão. A professora aposentada Ana Luiza Wagner, de 52, que tem em casa dois felinos adotados garante que o carinho que recebe de Apolo e Zeus é imenso. O Zeus, de quatro anos, é o que mais retribui toda a atenção desprendida por Ana. “Peguei o Zeus na rua, era só pele, osso e pulga. Ele olhou para mim, veio no meu colo ronronando e eu comecei a chorar. Ele se aconchegou no meu colo de uma maneira que eu não tive mais coragem de largar. O Zeus tem uma coisa diferente comigo. Parece que ele me agradece todos os dias”.

No apartamento onde a aposentada mora com o marido e dois filhos, os gatos têm mais regalias, segundo conta. Mesmo com as artes dos filhos adotivos, não têm coragem de xingá-los. São os bebês da casa. “Eles têm caminha, brinquedinhos. Procuro dar uma ração melhor, que a veterinária indica. Fazem todas as vacinas e medicações. Sou dessa opinião: pega um animal de rua e cuida bem dele”. A preocupação de Ana é tanta que ela não deixa os gatos saírem para rua e, para evitar qualquer descuido, chegou a adaptar o pátio da antiga moradia. “As pessoas têm a cultura da voltinha. Têm gatos e deixam eles passear. Eu nunca fiz isso. Na casa onde eu morava, montei toda uma infraestrutura para manter eles dentro do meu pátio”.

Tutora com gato no colo
A tutora conta que seus gatinhos são muito mimados (Foto: Rodrigo Assmann)

Fora os cuidados com os dois gatinhos que possui, Ana também ajuda ONGs de proteção. Para ela, é o conhecimento que vai ajudar a reduzir os casos de maus-tratos e abandono. “É o conhecimento que vai te levar a ter a consciência de que precisa cuidar, que é uma vida que está ali. Não está escrito em nenhum lugar que a minha vida tem que ser melhor que a vida deles. Eles não tem a função de te servir. Se está com eles é por amor mesmo”.

Fonte: Gaz

 


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