Chimpanzé acorrentado durante anos abraça homem que o libertou


Grobler, um jornalista da Namíbia, estava visitando Angola a trabalho quando visitou a Granja-por-de-Sol, um parque privado no Sul de Huambo.

Chimpanzé nas árvores que era acorrentado
Foto: John Grobler

Nesse momento, ele viu Leila pela primeira vez, uma fêmea de chimpanzé de quatro anos e meio.

“Imediatamente vi esse jovem chimpanzé que estava acorrentado entre duas árvores e ao lado da entrada, o que parecia ser uma condição muito ruim. Ninguém realmente estava cuidando dela, disse Grobler.

Ele começou a questionar os moradores locais sobre Leila e descobriu que ela tinha sido vendida ao proprietário do parque quando era apenas um bebê. Isso provavelmente ocorreu depois que a mãe do chimpanzé foi morta por sua carne.

Grobler ouviu que Leila foi inicialmente mantida dentro de uma jaula, mas ela aparentemente a destruiu e foi acorrentada.

Leila estava exposta diretamente sob a luz solar e não possuía um abrigo real, mesmo que em algumas fotos sua corrente pareça grande o suficiente para que ela se libertasse.

Chimpanzé em agonia ao ser acorrentado
Foto: John Grobler

Ela tinha feito uma pequena cama para si mesma perto de uma das árvores possuía um tecido que às vezes colocava em cima de sua cabeça, de acordo com Grobler. A vida do jovem chimpanzé era extremamente difícil.

Para sobreviver, Leila implorava para ser alimentada pelas pessoas que visitavam o parque. Infelizmente, as lojas de alimentos nas proximidades apenas vendem itens como massas e batatas fritas, assim como cerveja e whisky, que foram dados a Leila por anos.

Lamentavelmente, para se hidratar, ela se habituou a beber a própria urina, disse Grobler.

Enquanto Grobler observava que as pessoas na área pariam geralmente “gentis” com ela, ele também encontrou uma cicatriz em sua cabeça, o que mostrava uma realidade diferente.

“Ela estava claramente desnutrida e em más condições e havia sido atingida na cabeça em algum momento”, afirmou Grobler ao The Dodo.

Chimpanzé com John Grobler
Foto: John Grobler

Grobler não estava planejando permanecer na região angolana por muito tempo, mas sabia que não poderia sair sem resgatar Leila, independentemente do que fosse preciso.

“Venho de uma linhagem de pessoas que amam animais, vi esse chimpanzé e pensei: ‘Tenho que fazer algo sobre isso e não posso deixar isso assim”, ressaltou.

Infelizmente, resgatar Leila não foi fácil. É tecnicamente contra a lei manter um chimpanzé como animal doméstico em Angola, mas há muita corrupção no país e Grobler suspeitava que teria que convencer as pessoas certas para que pudesse retirá-la dali.

Inicialmente, ele procurou Dalene Dreyer, uma mulher namibiana que criava outro chimpanzé órfão chamado George. Quando Grobler perguntou se ela ficaria com Leila até ele decidir o próximo passo, Dreyer concordou.

Porém, as coisas ficaram mais complicadas. Grobler teve que conseguir uma licença de confisco para retirar Leila do local, além de obter um passaporte para o chimpanzé e vaciná-lo contra a raiva. Foi preciso encontrar um motorista e contratar um carpinteiro para criar uma jaula de transporte para ela.

Carinho entre Chimpanzé e seu salvador
Foto: John Grobler

Felizmente, ele obteve ajuda da Wild Heart Wildlife Foundation, que auxiliou na arrecadação da quantia necessária para transformar o resgate de Leila em realidade.

Enquanto esperava para transportá-la em segurança, Grobler lhe levou água e alimentos nutritivos como coco. Curiosamente, Leila desconfiava de tudo o que não via Grobler comer, o que sugeria que alguém poderia ter tentado envenená-la ou enganá-la no passado. “Ela não comeria, por exemplo, um biscoito sem que eu comesse primeiro na sua frente”, explicou Grobler.

Recentemente, chegou o dia em que o jornalista libertou Leila de suas correntes e a levou para iniciar uma nova vida. O chimpanzé foi sedado e mostrou-se paciente durante a longa viagem.

Chimpanzé abraça jornalista que o salvou
Foto: John Grobler

Agora, Leila está na casa de Dreyer em Luanda (Angola), tem se recuperado bem. Ele planeja transferi-la para o orfanato Chimfunshi Wildlife Orphanage, na Zâmbia.

Espera-se que, dentro de um ou dois anos, ela seja libertada  na natureza. Grobler acredita que Leila poderá se adaptar facilmente à vida selvagem.

Quando chegou o momento de Grobler voltar para sua casa em outra parte da Namíbia, foi difícil se despedir de Leila e o jornalista acredita que Leila sabia que ele estava indo embora.

“Eu a peguei e ela apenas colocou seus braços em volta de mim. Ela conseguia ver as malas, então acredito que compreendeu”, observou.

Grobler confessou que não pode esperar para visitá-la novamente, o que ele lhe prometeu que faria.


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