Estudante adota cão vítima de maus-tratos e com pata amputada


Pepe era arisco quando chegou em abrigo
Felipe e a namorada no abrigo onde Pepe foi abandonado (Foto: Arquivo Pessoal)

O membro necrosou e precisou ser amputado. Apesar de ter uma pata a menos, Pepe, agora com 10 meses, é independente e adora correr, segundo conta Felipe. O estudante diz que optou pela adoção com apoio da namorada, a também estudante de medicina, Amanda Ristow Reinert. Certo dia, olhando as redes sociais da Associação Brasileira Protetora dos Animais (ABPA-BA), ele viu Pepe e quis conhecê-lo. “Eu e minha namorada sempre gostamos de cachorro. Eu já tive, ela também. Pensamos em adoção e fomos conhecer o abrigo”, relata.

O abrigo que Felipe cita é o São Francisco de Assis, localizado em Salvador, e que possui cerca de 400 cães e gatos abandonados. O espaço é mantido pela ABPA-BA, que após tratar os animais abandonados na porta do abrigo, os coloca para adoção vacinados, vermifugados e castrados.

O estudante explica que escolheu fazer uma adoção “especial” porque, para ele, animais com problemas de saúde ou físicos estão fadados a viver em um abrigo pelo resto da vida. “Pensei que poderia, também, dar uma força ao abrigo. No início, fiquei preocupado sobre como seria a adaptação dele com uma pata a menos, mas ele é muito independente. Eu não ajudo ele em nada. Ele sobe no sofá sozinho, come sozinho e ama passear. Ele gosta muito de correr também, corre mais do que eu”, brinca Felipe.

Conquistar a amizade de Pepe não foi fácil. No primeiro contato, ainda no abrigo, o cão não quis, em momento algum, fazer jus ao título que os cães levam de “melhor amigo do homem”. Em vez de rabo abanando e lambidas, Felipe recebeu rosnadas. “Ele ficava querendo morder”, revelou.

Casal deu nome de Pepe para marcar novo começo
Pepe quando chegou ao abrigo ganhou o nome de Caramelo e passou por cirurgia para amputação da pata (Foto: Divulgação/ABPA-BA)

A técnica em veterinária do abrigo, Bárbara Lima, lembra que os próprios funcionários também tiveram dificuldades em se aproximar de Pepe, que chegou ao local em 25 de janeiro deste ano e ganhou o nome de Caramelo. “Não deixava ninguém pegar nele. A pata estava amarrada com fio, teve necrose e fizemos amputação. Ele teve boa recuperação. A gente deu muito amor a Caramelo. Por isso que eu digo que o amor transforma. Aqui ele não recebeu só atendimento médico. Antes, ele era bastante arredio e depois ele não saía mais do meu colo”, recordou.

Felipe conta que entendia Pepe ser tão arredio, devido aos maus-tratos que sofreu e por ter perdido a pata. Apesar das desconfianças, o estudante não desistiu de “ganhar” o cãozinho. “Depois, eu e minha namorada fomos lá novamente. Daí ele deixou fazer carinho. Quando pegamos ele, vimos outra cadela lá e resolvemos adotar também. Eles se dão bem”, celebra.

Pepe quando chegou ao abrigo ganhou o nome de Caramelo e passou por cirurgia para amputação da pata (Foto: Divulgação/ABPA-BA)

Agora, Pepe não é amável apenas com a cadelinha. O estudante conta que o animal é dócil com todos, brincalhão e até meio bobo, às vezes. “Ele é brincalhão, mas se algum cachorro latir para ele, ele late de volta, mas no geral, é um cão muito tranquilo. De vez em quando digo a ele: ‘você está me envergonhando, pensei que seria mais durão'”, brinca Felipe.

Sobre a mudança do nome, de Caramelo para Pepe, Felipe explica que com a adoção, ele preferiu chamar o cachorro com outro nome, como representação da mudança de vida. “Caramelo é o cachorro que conheci agressivo. Pepe é carinhoso, meio bobão”, conta.

Apesar da adoção, Felipe diz que os voluntários do abrigo São Francisco de Assis continuam recebendo informações do tão querido Pepe. “Eles têm a preocupação de não ‘soltar’ o cachorro depois da adoção, de saber se ele está bem”, concluiu.

Fonte: G1


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