Tutora viciada em drogas planeja destino de gatinho antes de se internar


O programa Redenção internou neste sábado (27) nove viciados em crack, todos de forma voluntária. A última ambulância a deixar a tenda instalada nas esquinas da Rua Helvétia com a Creveland partiu às 17h30. O carro levava Letícia F., de 33 anos, para o Hospital Santa Marcelina, na Zona Leste de São Paulo. Esta será a 9a internação dela. “Cuida bem do meu gatinho”, pediu de dentro do carro já deitada na maca.
Gatinho Brisa vivia com Letícia antes da tutora ser internada (Foto: João Batista Jr. / Veja SP)

Sua mãe, Roseli F., e seu padrasto vieram de São José do Rio Preto para acompanhar a internação. Letícia mora há quatro anos na região conhecida como Cracolândia. Ela integrava o programa Braços Abertos, ganhava uma mensalidade da prefeitura e, em tese, deveria morar em um hotel na região do Parque Dom Pedro. Sua rotina, no entanto, era dentro do fluxo. Acordava, se drogava e dormia em função do crack. Chegava a cobrar 10 reais para fazer um programa. O dinheiro era destinado a manter seu vício.

Depoimento de Roseli, a mãe de Letícia:“Ontem eu liguei para os assistentes sociais para saber da minha filha, fiquei preocupada ao ver o noticiário sobre as mudanças ocorridas aqui na região. Fiquei então sabendo ela estava no dentro da Praça Princesa Isabel, para onde se mudaram os usuários que ficavam dentro do fluxo. Depois, mais tarde, me ligaram contando que ela tinha interesse em ser internada. Fiquei feliz. Ela impôs uma condição. Minha filha agora andava com um gatinho chamada Brisa. Estão juntos tem uns dois meses, segundo me contou. Ela queria dar um paradeiro para o animal, assim poderia seguir em paz para uma clínica. Concordamos, claro.Cheguei hoje por volta do meio-dia aqui na Luz. Fiquei surpresa em ver as ruas policiadas e vazias, sem os usuários. Mas daí eu fui até a Praça Princesa Isabel procurar a minha menina, me deparei com a realidade triste do vício.

Eu tenho uma neta de 7 anos, que hoje vive com a avó paterna. O ex-marido da minha filha também é viciado em droga. Meu plano é conseguir, por meio de uma autorização judicial, que ela consiga uma vaga em uma clínica no interior. A Letícia já foi internada à força e de forma voluntária, em um total de oito vezes. Agora, sinto que ela vai vencer.

O gatinho Brisa ficou apegada demais ao assistente social que encontrou a minha filha. Ele vai levá-la para a sua casa. Vou voltar para Rio Preto com o coração cheio de esperança.”

Fonte: Veja São Paulo


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