Taiwan continua no combate ao consumo de carne cães em contraposição à prática asiática


Cães à espera da morte em fazenda em Wonju, na Coreia do Sul (Foto: Kim Hong / Reuters)

Em 1998, Taiwan tornou ilegal matar cães e gatos para consumo. Mas a medida foi pouco eficaz: ainda hoje é possível comprar carne desses animais em um mercado paralelo fortificado pela tradição milenar. Agora, para combater esse mercado, o governo taiwanês endureceu, em 12 de abril, a pena contra quem infringir o “Ato de Proteção Animal”, acrescentando uma emenda ao texto.

Segundo a emenda, quem consumir ou comercializar carne de cachorro ou gato poderá ser multado em até US$ 8.200. Além disso, de acordo com a Agência de Notícias Central de Taiwan, como medida de constrangimento pela infração, aqueles que forem flagrados terão seus nomes e fotos tornados públicos pelo governo taiwanês. O rigor também aumentou para os casos de crueldade contra cães e gatos. O infrator pode pegar até dois anos de prisão com multa que pode ir de US$ 6.500 a US$ 65 mil, de acordo com o site “The National Geographic”.

O continuado esforço pelo banimento do comércio e consumo de carne de cães e gatos renova a face mais ocidentalizada de Taiwan e bota mais pressão sobre os países orientais que mantêm a prática.

A criminalização do consumo de cães e gatos na Ásia

Na cultura ocidental, cachorros e gatos são tidos como animais domésticos e, até mesmo, como membros da família. Na Ásia, ainda é possível comprar, vender e consumir carne desses animais, legalmente, em pelo menos mais sete países: China, Coreia do Sul, Filipinas, Camboja, Laos, Tailândia e Vietnã.

Em 2016, o Festival de Carne de Cachorro e Lichias de Yulin, na China,  gerou polêmica entre ativistas pelos direitos animais ao manter tradição do consumo de cães e gatos e pelo aumento do efetivo policial para garantir que o festival acontecesse. Organizações de direitos animais em todo o mundo voltaram a pressionar a China e outros países asiáticos pelo fim da tradição de consumo de gatos e cachorros por meio de petições.

Uma delas, feita contra o governo chinês que permitiu a realização do festival Yulin em 2015, diz que manter o evento é abrir precedentes para que os “sequestros de animais domésticos e animais em situação de rua” continuem a acontecer, além de aumentar “as prisões e fazendas de criação de cachorros [para matar]”.

Qin Xiaona, diretor da Associação de Bem-estar Animal de Pequim disse, ao National Geographic em junho de 2016, pouco antes da realização do festival daquele ano em Yulin, que “é vergonhoso que o mundo acredite, erroneamente, que o brutal e cruel festival de Yulin faça parte da cultura chinesa”.

Naquela ocasião, o deputado americano do partido Democrata Alcee L. Hastings pressionou o governo chinês com uma resolução bipartidária que condenava a crueldade contra os animais e pedia seu fim imediato, além de maior atenção à saúde pública dos cidadãos. De acordo com Hastings, 10 milhões de cachorros são mortos anualmente para consumo na China.

Ao saber das novas regras aplicadas em Taiwan em 12 de abril, o Diretor de Proteção Animal e Resposta a Crises da Sociedade Humana Internacional, Adam Parascandola, disse à “The National Geographic” que a tradição não poderia ser um empecilho para se alcançar o fim da violência animal para consumo humano.

Zona cinzenta brasileira

No Brasil, em 2015, cada pessoa consumiu em média 83 kg de carne (bovina, suína e de aves) por ano – o que fez o país ficar em 5º lugar entre os que mais consomem carne no mundo. Para os brasileiros, não há restrição direta na legislação sobre o consumo de cães e gatos, porém, moralmente, consumir a carne desses animais é inaceitável.

Fonte: Nexo

 


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