Jegues são explorados e maltratados em passeios turísticos na orla de Ubatuba (SP)


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Animais são explorados para passeios turísticos na orla de Ubatuba (SP) | Divulgação

Há mais de 25 anos jegues são vítimas de maus-tratos e exploração na Avenida Ubatuba, na orla da cidade, no Litoral de SP. A situação dos animais sempre chamou a atenção e foi alvo de críticas. Segundos uma denúncia encaminhada ao Ministério Público (MP) por ativistas dos direitos animais, são seis jeguinhos, incluindo uma grávida prenhe, explorados para transporte de turistas por uma homem conhecido como “Srº Carlos” ou “Srº Piãozinho”.

Jegues são deixados em terreno baldio, sem abrigo adequado | Divulgação

Os animais são mantidos em terrenos baldios, em condições mínimas de sobrevivência. Não recebem atendimento veterinário e o guardião dos animais sequer possui autorização legal para exercer a atividade. Os ativistas descobriram ainda que a Prefeitura já tinha expedido uma ordem de recolhimento dos animais, devido a situação de irregularidade no manejo dos jegues e da falta de alvará, mas a ordem nunca foi cumprida, porque políticos locais interferiam e eram favoráveis à perpetuação da exploração dos animais.”A sociedade de Ubatuba, em sua grande maioria, abomina a utilização dos jegues na avenida da Praia. O responsável pelos animais foi autuado por dezenas de vezes pela vigilância sanitária mas nenhum prefeito nunca recolheu os animais. Embora a legislação Municipal proíba, embora os animais sofram maus-tratos e ficassem abandonados em terrenos baldios com diversos relatos de falta de alimentação adequada, suplementos e agua, nada nunca foi feito por esses animais. Agora estão velhos e todos com idade entre 20, 25 anos, sem vacinas importantíssimas desde 2015, colocaram, inclusive, a população em risco também”, conta Jaqueline Frigi, a advogada que luta pela libertação dos animais.

A carga de trabalho dos animais é intensa e alvo de críticas há 25 anos | Divulgação
Trecho da ata do MP registra laudo de maus-tratos | Divulgação

Após ter conhecimento da denúncias apresentada ao MP e do volume de evidência sobre a situação dos animais, tendo inclusive um laudo que atesta maus-tratos assinado pela veterinária do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), o homem concordou em entregar os animais voluntariamente. Os ativistas e autoridades públicas organizaram o transporte e translado dos jegues para um sítio vegano, onde os animais poderiam ter uma vida digna e livre da covardia humana, mas no momento do resgate, o homem e os animais desapareceram e seu paradeiro é desconhecido.

Laudo de veterinária do CCZ atesta condições inadequadas | Divulgação

O caso está recheado de provas que atestam a condição dos animais, o próximo passo é aguardar que o MP emita uma mandado de busca e apreensão para o resgate compulsório dos jeguinhos. “Protetores, ONGs e advogados colheram durante 40 dias vídeos e fotos do dia a dia desses jegues e a situação era desesperadora. A prefeitura não conseguiu encaminhar os animais para os sítios veganos na região e o responsável sumiu com os animais no dia 13 de abril, embora o promotor do Meio Ambiente, Drº Henrique Miranda tenha conversado pessoalmente com o guardião e o mesmo se comprometido em entregar os animais. A Prefeitura de Ubatuba disponibilizou emprego ao explorador, mas não foi aceito. Aguardamos agora as providências judiciais a serem movidas pelo MP”, conclui Jaqueline.

No local não foram encontradas água ou alimento | Divulgação

Reações

Lamentavelmente, em meio a uma grande e importante luta pela libertação animal, a exploração dos jeguinhos ganhou “defensores” e “simpatizantes” e resultou em uma petição pedindo a permanência dos maus-tratos aos animais na orla. Segundo o texto da petição que possui apenas 53 assinaturas, os animais devem continuar “trabalhando” porque a atividade é uma tradição. Como resposta, um ativista vegano criou uma petição-resposta pedindo o fim da escravidão dos jegues e esta já conta com 572 assinaturas. “Os animais trabalham há décadas na Avenida de Ubatuba, estão velhos e sem vacinas, ficam horas sem água ou comida e carregando turistas. Não podemos aceitar que isso continue”, diz o texto do abaixo-assinado digital.

Reprodução | Avaaz

Uma história de docilidade e exploração

Jegue é explorado em atividade turística em Caucaia (CE)

Também chamados de jumentos e asnos, dependendo da região do país, jegues (Equus africanus asinus) são animais dóceis e altamente resistentes que são explorados e maltratados desde os primórdios da humanidade. Indefesos e humildes, não é incomum que estes animais sejam abusados para o transporte de carga e no turismo, principalmente em áreas rurais e litorâneas. Originários da Etiópia, na África, estes animais podem ser encontrados em todo o mundo, pois devido a sua mansidão, foram transportados e explorado em todo tipo de atividade desde a pré-história.

Os animais e o guardião continuam desaparecidos | Divulgação

Nota da Redação: É lamentável que atualmente seja necessário lutar e defender o óbvio: a defesa dos indefesos e mais fracos. Casos como da Avenida de Ubatuba, em SP, acontecem em todo o país e são comumente ignorados pelo poder público. Uma prova desse descaso é o anúncio de um matadouro de jegues e burros no Rio Grande do Norte, que foi considerado uma solução para controle populacional dos animais e uma alternativa barata para obtenção de lucros por parte dos exploradores. A denúncia movida pelos ativistas de Ubatuba, é uma luta pela libertação de todos os animais. Acompanharemos de perto a resolução deste caso e ansiamos para que o MP atue trazendo justiça para as verdadeiras vítimas: os jegues. A Justiça e a humanidade precisam dar esse passo.


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