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Especialistas afirmam que mortes de macacos por febre amarela é um desastre ambiental

Por Sophia Portes / Redação ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais)

Reprodução/Youtube

De acordo com pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo, a morte de mais de mil macacos pode ser considerada um desastre ambiental no estado.

Agricultores que moram próximo a Mata Atlântica no Espírito Santo dizem que fazia parte do dia a dia ouvir o som dos macacos bugio nas árvores. Era uma algazarra com o som característico da espécie, também conhecido como barbado; som este que não existe mais. “O barulho que eles faziam acabou. Não tem mais aquela roncadeira deles. Só tem assim, eles mortos”, contou o agricultor Donaldo Renselmann.

O bugio é a espécie de macaco mais atingida pela febre amarela. Segundo os pesquisadores, eles estimam que, somando com outras espécies, a doença já matou 1100 macacos no estado.

Nas regiões de mata, os estudiosos marcam os locais onde são encontrados os animais mortos, o que permite um estudo de mapeamento que facilita a identificação dos locais para onde o surto está avançando. Nos laboratórios da universidade, os pesquisadores analisam o DNA dos macacos que morreram da doença e fazem exames das características físicas dos animais, como pelo, tamanho e peso, para poderem afirmar se antes da febre os macacos não tinham problemas de saúde. Eles eram animais saudáveis.

“Com essa caracterização genética da população, a gente consegue entender como essa doença poderia se disseminar no futuro”, afirmou o professor Yuri Leite.

O bugio é um animal ameaçado de extinção. Por ter um filhote a cada dois ou três anos, estima-se que para recuperar essa população após o surto de febre amarela, serão necessários no mínimo 30 anos.

“Sem dúvida, nós vivemos um desastre ecológico porque os primatas interagem com diversos animais e plantas. Eles dispersam sementes, comem sementes, ajudam a recuperar a floresta levando as sementes para outros lugares. Então a ausência de primatas nas matas causa um impacto grande para as florestas”, disse o professor de zoologia.

Os macacos não são os transmissores da febre amarela. Assim como nós, seres humanos, eles são vítimas da doença. Além disso, eles indicam o local onde a doença está chegando. Por isso, matá-los é uma atitude ignorante e irresponsável, pois além de ser crime, mata animais inocentes e dificulta os estudos que tentam conter a disseminação da febre amarela.

 

 

 

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