ROBIN LAMONT

"Há tantos investigadores que procuram justiça para as pessoas, alguém tem que defender os animais"

Jude Brannock é uma dedicada investigadora de uma organização de direitos animais procurada por um funcionário de um matadouro que possui provas sobre a extrema crueldade do local. Porém, ele...

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14/02/2017 às 20:20
Por Redação

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Foto: Arquivo Pessoal

Jude Brannock é uma dedicada investigadora de uma organização de direitos animais procurada por um funcionário  de um matadouro que possui provas sobre a extrema crueldade do local. Porém, ele morre misteriosamente após documentar o tratamento brutal dos porcos assassinados no local. Este é o enredo de “The Chain”, escrito pela norte-americana Robin Lamont e publicado em 2013. O livro é o primeiro da trilogia de suspense “The Kinship Series”, criada pela autora para abordar os direitos animais. Em “The Trap” (2015), o segundo livro da série, a autora discute  os Serviços de Vida Selvagem dos Estados Unidos. A última obra da trilogia é “The Experiment”, que será sobre testes em animais, cujo lançamento está previsto para este ano. Nessa entrevista exclusiva, Lamont comenta suas motivações para escrever, seu processo autoral e como as histórias ficcionais podem ajudar na defesa dos direitos animais.

ANDA: Desde quando você é vegana e como foi seu processo de conscientização em relação à exploração animal? 

Robin Lamont – Sou vegana e defensora dos animais há cerca de cinco anos. Foi o meu marido que me apresentou ao mundo da exploração animal. Para mim, não ocorreu uma “iluminação”, foi mais como a abertura dos meus olhos um pouco de cada vez. No entanto, quando li o livro de Gail Eisnitz, “Slaughterhouse”, isso esclareceu tudo. A transição não foi fácil no início, mas principalmente porque não gosto de carnes “falsas” ou queijo vegano. Quanto mais permaneço em uma dieta baseada em vegetais, em alimentos inteiros, melhor eu fico.

ANDA: Você já foi uma atriz da Broadway, advogada assistente, investigadora particular e agora é escritora. De que forma surgiu a ideia de escrever livros sobre direitos animais e por que escolheu o gênero policial?

Robin Lamont – Sempre amei romances de suspense e mistério, desde que eu era criança. Eu me tornei uma escritora de suspense antes de me tornar defensora dos animais. Quando comecei a aprender sobre a exploração animal, parecia ser um ajuste natural criar uma série de livros com uma investigadora de proteção animal. Há tantos policiais, advogados e investigadores que procuram justiça para as pessoas – alguém no suspense ficcional tem que defender os animais. Acredito muito no poder das histórias em afetar como as pessoas enxergam as coisas em sua vida que não viram antes. Se os meus leitores podem torcer por Jude Brannock e ver por meio de seus olhos, acho que terá mais impacto do que simplesmente lhes dizer ou mostrar os fatos do sofrimento animal.

ANDA: “The Kinship Series” discute diferentes temas relacionados à crueldade animal. Em “The Chain” você aborda as condições dos animais em matadouros, em “The Trap”, problematiza os Serviços de Vida Selvagem dos EUA e seu próximo livro “The Experiment” falará sobre testes em animais. Como foi a seleção destes temas e a estruturação da trilogia? Você chegou a pesquisar dados reais sobre maus-tratos a animais ou conversar com funcionários de matadouros, por exemplo?

Robin Lamont – “The Chain” foi inspirado pelo livro de Gail, não apenas por causa do que acontece com os animais em um matadouro, mas também devido ao que ocorre com as pessoas que trabalham nesses locais. Trata-se de um trabalho de baixos salários, de altas lesões, feito por muitos imigrantes que não conseguem nenhum outro trabalho. Acredito que eles sofrem também. Já em “The Trap”, quis falar o quão secretas são as operações dos Serviços de Vida Selvagem. A agência é realmente uma filial do Departamento de Agricultura e separada do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA. Muitas pessoas – mesmo os defensores dos animais – estão conscientes do número de belos animais que são mortos por nossa própria agência governamental, muitas vezes de maneira brutal. Eu queria expor esse problema. No terceiro livro, “The Experiment”, quero expor testes em animais, particularmente em cães. Muitas pessoas amam seus cães e não sabem quantos são mortos em testes de laboratório desnecessários. Para cada um dos meus livros, faço uma extensa pesquisa e tento conversar com especialistas no campo. Também aprendi muito com os investigadores infiltrados. Falei com vários investigadores que trabalhavam em fazendas industriais, matadouros, fábricas de cachorros etc. Eles foram gentis o suficiente para compartilhar histórias sobre o que acontecia dentro desses locais e também as dificuldades de manter sua “cobertura” enquanto trabalhavam.

ANDA: Vale ressaltar também que os funcionários de matadouros sofrem uma série de transtornos psicológicos devido à realidade sombria destes locais. Seu personagem Frank Marino chega a filmar e a denunciar os maus-tratos de animais para uma organização de direitos animais. Gostaria que falasse um pouco sobre isso.

Robin Lamont –
Isso é verdade. No fundo, acredito que ninguém realmente quer que os animais sofram e é por isso que as pessoas odeiam olhar para vídeos secretos e por que o movimento dos direitos animais é visto com receio. É porque ninguém quer ver. Assim, os trabalhadores que estão matando seres vivos todos os dias, dia após dia, constroem mecanismos de defesa para lidar com isso. No entanto, geralmente não são boas defesas. É comprovado que as comunidades em torno de um matadouro têm taxas muito altas de violência doméstica, drogas e abuso de álcool. Elas são lugares onde as pessoas irão fazer qualquer coisa para desligar seus sentimentos.

ANDA: Tendo em vista os animais mortos pelos Serviços de Vida Selvagem, de que maneira você escolheu abordar a atuação da agência em “The Trap”?

Robin Lamont – Como uma novelista de suspense, os Serviços de Vida Selvagem pareciam um vilão para um thriller perfeito. Tenho certeza de que na vida real eles não são pessoas ruins. Porém, para os meus propósitos, a evidência muito real de que um grande número de animais inocentes é capturado em armadilhas destinadas a outras espécies, precisava ser abordada. Como eu mencionei, poucas pessoas estão cientes de que esta agência governamental ainda existe, muito menos estão cientes dos danos que eles fazem aos animais selvagens, como lobos, coiotes, ursos, castores, águias, linces…a lista é interminável.

ANDA: Embora seus livros abordem questões perturbadoras, você usa uma linguagem objetiva, mas que não recorre ao sensacionalismo. Isso foi intencional? Houve alguma preocupação sobre até que ponto você poderia ir nesse sentido?

Robin Lamont – Luto em cada página sobre quanta violência mostrar e quão verdadeira eu posso ser. Quero que a minha escrita seja honesta e “diga como é”, mas, ao mesmo tempo, não quero afastar meus leitores mostrando muita crueldade. Meu objetivo é fazer com que os leitores apreciem o livro, apresentá-los a mundos que de outra forma não conheceriam e, assim, criar alguma curiosidade sobre a defesa dos animais. Quando as pessoas percorrem seu próprio caminho em direção à aprendizagem, acredito que elas são mais propensas a fazer mudanças em suas vidas.

ANDA: Você optou por usar a ficção como um espaço para discutir os direitos animais, um campo que ainda é bastante deficiente nesse debate. Em sua opinião de escritora, qual é o tipo de papel que a ficção pode desempenhar na luta pelos direitos animais?

Robin Lamont –
Sinto firmemente que a ficção tem um papel na luta por qualquer causa de justiça social. Pesquisas já mostraram que nossos cérebros são atraídos por histórias – eles são como nós aprendemos de uma perspectiva emocional. Acredito que a chave, é claro, é envolver os leitores e colocá-los nos sapatos do personagem para que eles experimentem as coisas como o personagem. Por essa razão, é importante criar um personagem que seja atraente e empático. Podemos nem sempre gostar dele, mas vamos nos relacionar com o que está sentindo. Realmente há pouca ficção no mundo dos direitos animais. Espero que mais sejam criadas à medida que avançamos. Uma história ficcional em particular se destaca para mim. É um livro chamado “The Plague Dogs”, de Richard Adams. Embora tenha sido escrito há 50 anos, é um dos argumentos mais condenatórios contra testes em animais que eu já li porque é escrito a partir da perspectiva dos cães. Chorei todo o livro, mas é adorável.

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