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A comovente história de um chimpanzé cego e com ''síndrome de Down'' criado em cativeiro

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Kumamoto Sanctuary

O segundo caso registrado de um chimpanzé com trissomia 22 – um defeito cromossômico semelhante à síndrome de Down (trissomia 21) em seres humanos – foi confirmado por pesquisadores japoneses.

O chimpanzé fêmea, chamado Kanako, tem 24 anos e nasceu em cativeiro. Em seu estudo, pesquisadores disseram que melhoraram a qualidade de vida do chimpanzé, proporcionando-lhe oportunidades para uma interação social normal.

Nos seres humanos, a síndrome de Down ocorre devido a uma anormalidade cromossômica. Normalmente, as células de um ser humano possuem 23 pares de cromossomos que totalizam 46 cromossomos.

Foto: Kumamoto Sanctuary

Porém, as pessoas com síndrome de Down possuem uma terceira cópia extra do cromossomo 21 – razão pela qual a condição também é chamada de trissomia 21.

Os primatas possuem 24 pares de cromossomos que totalizam 48 cromossomos. Primatas como chimpanzés, gorilas e orangotangos podem desenvolver uma condição semelhante à síndrome de Down chamada trissomia 22, quando há uma terceira cópia adicional do cromossomo 22.

O primeiro caso confirmado de um chimpanzé com trissomia 22 foi documentado em 1969. Ele morreu antes de seu segundo aniversário, o que significa que Kanako é o mais velho chimpanzé com esta doença cromossômica de que os cientistas tem conhecimento.

Kanako nasceu em cativeiro em 1992 em um santuário que foi transferido para a Universidade de Kyoto em 2011 e nomeado Kumamoto Sanctuary, Wildlife Research Center.

Foto: Kumamoto Sanctuary

Quando ela tinha 156 dias de idade, Kanako foi separada de sua mãe, Kanae, que foi anestesiada para um exame físico.

Como a anestesia estava perdendo o efeito, Kanae mordeu sua própria língua e teve que se recuperar sozinha por quatro dias. Quando se reuniram, a mãe não cuidou mais de Kanako, que foi criada por humanos.

Durante seu primeiro ano de vida, Kanako frequentemente sofria com tosse, resfriados, febre, diarreia e inchaço em torno de seu olho direito embora estes sintomas não sejam incomuns em chimpanzés jovens.

Desde o início, ela teve um crescimento prejudicado e possui doença cardíaca congênita, assim como dentes que não se desenvolveram corretamente.

Foto: Kumamoto Sanctuary

O problema cardíaco de Kanako só foi descoberto em 2014 durante um exame físico de rotina. Um ecocardiograma revelou que ela tem um defeito no septo atrial – um buraco na parede que separa as duas câmaras superiores do coração.

Kanako desenvolveu catarata antes de completar um ano e ficou cega quando tinha sete anos. Ela tem um olhar estrábico e um distúrbio que provoca o enfraquecimento gradual de suas córneas.

Estes tipos de problemas de saúde também são comuns em humanos com síndrome de Down. A cegueira de Kanako torna difícil sua interação com outros chimpanzés, mas não totalmente impossível.

Foto: Kumamoto Sanctuary

Ela viveu separadamente de outros chimpanzés para evitar interações agressivas, mas teve a oportunidade de interagir com outra fêmea chamada Roman uma vez por mês, que tem sido calma e amigável com Kanako desde que se conheceram.

O desenvolvimento de Kanako não foi sistematicamente investigado ao longo dos anos, de modo que os pesquisadores não sabem se sua condição causou algum atraso mental específico no decorrer do tempo.

“No entanto, a falta de anormalidades observadas em seu atendimento diário antes da idade de um ano, exceto a inatividade neonatal e membros coxos, sugere que não houve atraso grave em seu desenvolvimento comportamental”, diz Satoshi Hirata, autor-chefe da pesquisa e diretor do santuário.

Foto: Kumamoto Sanctuary

Ainda não se sabe o quão comum é a trissomia 22 entre chimpanzés.

Em 2015, informações sobre uma mãe cuidando de um chimpanzé bebê com síndrome de Down na Tanzânia não puderam ser confirmadas porque não foi possível realizar o teste cromossômico, de acordo com o Daily Mail.

“É difícil estimar a probabilidade de um evento raro usando uma pequena população, mas dado que cerca de 500 chimpanzés nasceram em cativeiro no Japão, a probabilidade desta trissomia autossômica ocorrer em chimpanzés pode ser comparável à da trissomia 21 em humanos, que ocorre em um a cada 600 nascimentos “, afirmou Hirata.

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