Quantidades maciças de substâncias tóxicas proibidas são descobertas em animais marinhos


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Alan Jamieson

Quantidades extraordinárias de substâncias químicas tóxicas que foram proibidas na década de 1970 foram descobertas nos corpos de animais marinhos que vivem no fundo da mais profunda vala oceânica do mundo.

Cientistas ficaram surpresos ao descobrir níveis tão elevados de bifenilos policlorados (PCBs) e outros poluentes orgânicos persistentes a mais de 10 quilômetros abaixo do nível do mar em Mariana Trench, no Oceano Pacífico. A área fica a cerca de 1.300 quilômetros da maior região terrestre mais próxima, o Japão.

Uma situação semelhante foi descoberta a cerca de sete mil quilômetros de distância na Kermadec Trench, que também está a mais de 10 quilômetros de profundidade e a cerca de 1.500 quilômetros ao norte da Nova Zelândia, informaram os pesquisadores na revista Nature Ecology and Evolution.

“O fato de termos encontrado níveis tão extraordinários desses poluentes em um dos habitats mais remotos e inacessíveis da Terra realmente mostra o impacto devastador em longo prazo que a humanidade está provocando sobre o planeta. Não é um grande legado que estamos deixando para trás. Ainda pensamos no oceano profundo como sendo este reino remoto e imaculado, a salvo do impacto humano, mas nossa pesquisa mostra que, infelizmente, isso não poderia estar mais longe da verdade”, declarou Alan Jamieson, que liderou o estudo.

Os poluentes estavam tão dispersos que as criaturas do mar, anfípodes, apresentaram níveis de contaminação semelhantes aos encontrados na baía de Suruga, no Japão, que Jamieson descreveu como “uma das zonas industriais mais poluídas do noroeste do Pacífico”.

“Somos muito bons em adotar uma visão ‘fora da vista, fora da mente’ quando se trata do oceano profundo, mas não podemos nos permitir ser complacentes. Esta pesquisa mostra que, longe de ser remoto, o oceano profundo está altamente ligado às águas superficiais e isso significa que o que despejamos no fundo do mar um dia voltará de alguma forma”, acrescentou.

Ele disse que não estava claro o que a poluição encontrada nos anfípodes significava para o ecossistema e mais pesquisas teriam que ser feitas para descobrir isso.

Os poluentes orgânicos persistentes, conhecidos como POP, incluem PCBs e éteres difenílicos polibromados (PBDEs), que podem ser usados como isoladores elétricos e retardadores de chama.

Os PCBs foram proibidos por muitos países nos anos 70, mas a produção total do produto – desde que se tornou amplamente utilizado na década de 30 – é estimada em 1.3 milhão de toneladas.

Os acidentes industriais, os vazamentos de aterros sanitários e as descargas deliberadas fizeram com que grandes quantidades de produtos químicos acabassem no mar, que muitas vezes tem sido usado como um grande depósito de lixo.

Conforme indicado por seu nome, os POPs não se degradam facilmente e acredita-se que podem persistir no ambiente por pelo menos décadas.

Acredita-se que os produtos químicos entraram nas valas conforme detritos de plástico afundaram no mar ou a partir de animais  mortos que estavam contaminados e caíram da superfície. Os POPs acumulam-se na cadeia alimentar de modo que, quando atingem o oceano profundo, as concentrações são muitas vezes mais elevadas do que nas águas superficiais.

Em um artigo associado na mesma revista, Katherine Dafforn, da Universidade de New South Wales, disse que a nova pesquisa descobriu a poluição industrial em “um habitat anteriormente considerado intocado”.

“Apesar das temperaturas que pairam em torno de 1C e pressões mais de mil vezes superiores à superfície, as valas de profundidade possuem uma biodiversidade endêmica significativa. No entanto, há cada vez mais evidências de que as únicas criaturas marinhas nessas valas estão ameaçadas pela poluição causada pelo homem”, escreveu.

As descobertas da equipe de Jamieson foram, segundo ela, “perturbadoras”.

“Concentrações de PCBs e PCBEs nestes minúsculos crustáceos foram superiores aos níveis basais e 50 vezes maiores do que em caranguejos de um sistema altamente poluído rio na China. Isso é significativo, uma vez que as valas hadal estão a milhas de distância de qualquer fonte industrial e sugere que esses poluentes espalham-se por longas distâncias apesar da regulamentação desde a década de 1970”, disse Dafforn.

Ela disse que o problema ficou sob escrutínio desde o livro seminal de Rachel Carson, “Silent Spring”, publicado na década de 60. “A nova consciência e a percepção dos impactos ambientais da poluição inspiraram medidas para a proteção e a proibição do uso indiscriminado de agrotóxicos na agricultura. Produtos químicos manufaturados como o DDT, originalmente usado em pesticidas, fazem parte de um extenso grupo de substâncias baseadas em carbono agora classificadas como POPs. Eles também incluem produtos químicos industriais, como PCBs e PBDEs usados como retardadores de chama”, acrescentou Dafforn ao Independent.

“O foco tem sido sobre esses poluentes devido à sua capacidade de permanecerem viáveis durante longos períodos de tempo e terem um transporte de longo alcance em materiais, como o solo, a água e o ar. Isso aumentou sua penetração em uma variedade de ambientes, incluindo o Ártico e agora o oceano mais profundo. Ao mesmo tempo, eles podem se acumular até 70 mil vezes no tecido adiposo de organismos vivos com ampliação significativa em níveis mais elevados na cadeia alimentar. Esses fatores, juntamente com seus devastadores efeitos sobre os sistemas hormonal, imunológico e reprodutivo foram os principais impulsionadores na sua regulação e eliminação”, finalizou.


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