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A vida da orca Tilikum: terror, privação e morte no cativeiro do SeaWorld

Durante 30 anos, a orca Tilikum foi condenada ao desespero e à privação. Há anos, ativistas alimentaram a esperança de que ele poderia sentir novamente o prazer de estar no...

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10/01/2017 às 06:00
Por Redação

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Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Creative Commons

Foto: Creative Commons

Durante 30 anos, a orca Tilikum foi condenada ao desespero e à privação. Há anos, ativistas alimentaram a esperança de que ele poderia sentir novamente o prazer de estar no oceano e que uma mínima compaixão surgisse no frio coração corporativo do SeaWorld para que Tilikum ganhasse o que mais desejava e merecia: a liberdade. Essa esperança desapareceu após a morte recente da orca.

O anúncio feito pela SeaWorld de que Tilikum estava chegando ao fim de sua trágica vida mostrou uma grande mentira.

“Apesar dos melhores cuidados disponíveis, como todos os animais que envelhecem, ele luta contra problemas de saúde crônicos que estão tendo prejuízos maiores à medida que envelhece”, disse o SeaWorld em seu site.

Tilikum tinha 35 anos e deveria estar no auge de sua vida. As orcas do sexo masculino vivem uma média de 70 anos na natureza e as fêmeas podem ultrapassar um século. Porém, o SeaWorld queria que todos nós acreditássemos que Tilikum estava morrendo naturalmente por causa da velhice.

Esta declaração é uma mentira deliberadamente criada pela equipe de relações públicas da SeaWorld. A vida de Tilikum foi repleta de um abuso trágico desde que ele foi arrancado de sua família em 1981, aos dois anos de idade.

Ao levá-lo do oceano e aprisioná-lo, seu grupo ficou visivelmente perturbado. Sua mãe seguiu o barco em fuga e impotente enquanto seu bebê chorava até que ela não conseguiu ouvir mais nada. O barco de captura acelerou, deixando para trás a família de Tilikum. Ele nunca mais os veria.

A vida anterior de Tilikum

Foto: CTV News

Foto: CTV News

A orca bebê foi confinada por um ano no Hafnarfjörður Marine Zoo, perto de Reykjavík, Islândia junto com duas outras orcas bebês, Nandu e Samoa antes de ser transferida para o Sealand of the Pacific, em British Columbia, no Canadá.

Forçosamente separado de sua mãe, enfrentou uma separação vigorosa de seus dois jovens companheiros, um ano depois, que mais tarde foram vendidos para o Aquarama, em São Paulo, onde Nandu morreu em 1988, aos oito anos de idade.

Samoa foi revendida para SeaWorld em Ohio (EUA) e, em seguida, enviada para o SeaWorld San Antonio para reprodução. Ela se tornou a primeira orca a morrer (14 de março de 1992) no SeaWorld de complicações de nascimento causadas por uma infecção fúngica. Tinha 12 anos.

Em Victoria, Tilikum foi colocado em uma piscina de 100 por 50 pés com apenas 35 metros de profundidade, treinado com técnicas de privação alimentar e intimidado por duas fêmeas mais velhas, Haida e Nootka.

Uma das razões para o bullying (além das condições de aglomeração) foi o fato de que todas as orcas sofreram privações de alimento quando Tilikum não executou truques que satisfizeram os treinadores.

O Sealand também não levou em consideração que Tilikum era uma baleia islandesa e incapaz de se comunicar com as duas orcas do noroeste do Pacífico.

Impactos do cativeiro em Tilikum

Foto: Orca Research Trust

Foto: Orca Research Trust

Forçado a fazer oito shows por dia, sete dias por semana, Tilikum desenvolveu úlceras estomacais ainda muito jovem.

Tilikum, juntamente com Haida e Nootka, participou da morte histórica de Keltie Byrne, de 20 anos, em 21 de fevereiro de 1991 no Sealand. Ela foi jogada entre as três orcas até se afogar, o primeiro caso documentado de um ser humano morto por orcas.

As três baleias estavam severamente estressadas em um recinto cheio, privadas de alimentos e fisicamente abusadas. Quase uma década de confinamento involuntário após ficar traumatizado depois de ser retirado da segurança de sua mãe e do grupo, envio para um local estrangeiro com duas fêmeas dominantes com as quais ele não podia se comunicar e abusos de orcas e humanos certamente geram um perfil psicológico propício à raiva, frustração e comportamento violento.

Se fosse um ser humano arrancado dos braços de sua mãe em uma idade precoce, confinado ainda bebê, enviado a uma terra estrangeira e forçado a fazer um trabalho ao ser intimidado por companheiros cativos e privados da comida, nós não ficaríamos surpresos se tal pessoa exibisse tendências antissociais graves, incluindo uma psicopatia.

Na visão do especialista em orcas, Ken Balcomb: “Tilikum é basicamente psicótico. Ele foi mantido em uma situação onde acredito que era psicologicamente irrecuperável em termos de ser uma baleia selvagem”.

Como Blackfish mudou nossa percepção sobre o cativeiro marinho

Foto; AP

Foto; AP

A produção e o lançamento do documentário “Blackfish” finalmente revelou os escuros segredos que as bem financiadas operações de relações públicas do SeaWorld tinham mantido escondidos com tanto êxito do público.

Emergiu o retrato de uma indústria que captura e escraviza golfinhos incluindo orcas. Muitos animais morreram durante as tentativas de captura e, no caso dos cetáceos menores, milhares foram deliberadamente mortos como, por exemplo, na caça de golfinhos no Japão, onde grupos inteiros são levados para uma baía, selecionados para exibições de golfinhos e aqueles que são rejeitados são violentamente assassinados. A caça anual de golfinhos no Japão é um combustível do cativeiro de espécies marinhas.

Os “afortunados” que escapam da faca estão condenados a uma vida mais curta de abuso, privação sensorial, solidão, insegurança e alienação. Durante o século 19, asilos para os criminosos insanos e até mesmo para os não tão criminalmente insanos eram instituições que o público em geral mal conhecia. Atrás das paredes protegidas, os seres humanos eram punidos e privados de alimento como uma forma de modificação de comportamento.

Reprodução/One Green Planet

Reprodução/One Green Planet

A terapia de eletrochoque e a lobotomia foram utilizadas com grande frequência e os pacientes foram explorados principalmente como ratos de laboratório com o objetivo de investigar, compreender e manipular o comportamento humano.

Em alguns casos, essas instituições ofereciam passeios em que, por um determinado preço, os membros do público podia observar os reclusos retidos em casacos de força, acorrentados às suas camas ou recebendo choques elétricos.As pessoas confinadas eram por vezes comercializadas como entretenimento e apresentadas como se fossem espetáculos monstruosos.

O moderno show monstruoso socialmente aceitável é o asilo aquático no qual o público pagante pode olhar para um dos mais inteligentes e mais fortes seres sensíveis do mundo e se sentir superior enquanto as orcas são obrigadas a fazer truques para o seu divertimento.

Tais instituições de horror, dor e morte não são abolidas da noite para o dia. É preciso tempo, paciência, coragem e compromisso para derrubar tais paredes. Ativistas lutam para esvaziar os tanques aquáticos como o SeaWorld por décadas e, assim como o movimento para acabar com as instalações que impunham tanto sofrimento a humanos, foram ignorados por muitos anos.

Mas, uma vez que a porta é forçada a abrir, a iluminação rapidamente traz a consciência da sociedade e a mudança progressiva começa a acontecer, reportou o One Green Planet.

Por décadas, essas instalações conseguiram esconder a verdade sobre seus abusos e agora fazem tudo o que podem para controlar os danos, mas isso não irá funcionar. Agora, a batalha continuará implacavelmente e com muito mais apoio e força.

Como os asilos do século XIX para seres humanos insanos, esses asilos aquáticos precisam ser fechados e suas instalações abandonadas de modo que somente os gritos sombrios das orcas ecoem dos tanques de água entre as ruínas de algo que deve envergonhar toda a nossa espécie.

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