COLLET NGOBENI

Integrante do 1º grupo feminino anti-caça na África do Sul defende poder da educação

Ao invés de armas e balas, utiliza-se o patrulhamento e a educação de comunidades locais. Há quatro anos, Collet Ngobeni, 33 , é uma das 33 integrantes das Black Mambas,...

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17/01/2017 às 19:20
Por Redação

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Arquivo Pessoal

Ao invés de armas e balas, utiliza-se o patrulhamento e a educação de comunidades locais. Há quatro anos, Collet Ngobeni, 33 , é uma das 33 integrantes das Black Mambas, o primeiro grupo de combate à caça na África do Sul exclusivamente feminino.

As Black Mambas iniciaram seu trabalho na reserva Balule Nature Reserve em 2013 quando Craig Spencer, diretor da Transfrontier Africa the Organisation, teve a ideia de convocar mulheres das comunidades pobres próximas ao para proteger os animais selvagens, entre eles, rinocerontes altamente procurados por caçadores.

Desde então, elas são as responsáveis pela área de 400 quilômetros quadrados. Nesta entrevista exclusiva à ANDA, Collet explica mais sobre o trabalho do grupo que luta para defender vidas tão preciosas.

ANDA: Como você ingressou nas Black Mambas? Por que decidiu se tornar um dos membros da equipe?

Collet Ngobeni – Sempre quis ser uma monitora ambiental ou de conservação da natureza desde que eu estava no Ensino Médio. Eu descobri que as Black Mambas tinham um programa para as mulheres, então eu me candidatei, me chamaram e fiz uma entrevista e passei.

ANDA: Como foi o seu treinamento e como é seu dia a dia?

Collet Ngobeni – O treinamento foi muito difícil, andando grandes distâncias, correndo todos os dias. Era como um treinamento militar que eu nunca havia feito antes. Nós patrulhamos a cerca todas as manhãs, fazemos varreduras de enxadas, blocos de estradas e patrulhas noturnas dentro de veículos.

ANDA: A sua relação com a natureza e os animais mudou depois que começou a atuar como uma das mambas? De que forma?

Collet Ngobeni – Sim, o meu relacionamento com os animais mudou porque, a princípio, caminhar dentro do mato foi muito difícil porque eu estava com medo de alguns animais, mas agora compreendo que esses animais precisam ser respeitados e se eu respeitá-los eles não irão me prejudicar.

ANDA: No final de 2016, uma pesquisa feita pela WWF e pela Zoological Society revelou que o número de animais selvagens na Terra deve cair em dois terços até 2020 principalmente devido à caça. Qual é a importância de participar de uma iniciativa que luta para preservar os animais?

Collet Ngobeni – Para mim é importante preservar os animais porque é a nossa herança, nossa cultura e nos torna diferentes de outros lugares. Quero que meus filhos vejam esses animais também.

ANDA: Desde a formação do grupo em 2013, vocês tiveram muito sucesso, mas em setembro vocês sofreram suas primeiras perdas de rinocerontes, quando dois deles morreram. Como foi lidar com isso?

Collet Ngobeni – Foi difícil enfrentarmos a perda dos animais. Tivemos que nos tornar mais criativas e fazer mais em nossos trabalhos do que costumávamos fazer. Às vezes ficamos desanimadas com o que está acontecendo.

ANDA: Ainda vivemos em um mundo patriarcal, no qual se espera que homens e mulheres exerçam determinadas funções. Como uma patrulheira mulher, você ou alguma de suas colegas sente algum tipo de preconceito relacionado a essas expectativas de gênero ou não? Como respondem a isso?

Collet Ngobeni – Sim, algumas pessoas ainda seguem a cultura e acreditam no que a mulher pode fazer e no que os homens podem fazer. Elas têm em suas mentes que este trabalho é apenas para os homens, mas não é verdade. Elas precisam entender que uma mulher pode fazer este trabalho. A natureza é para todos.

ANDA: Vocês também criaram o Bush Babies Environmental Education Program, que é uma parceria com escolas locais para conscientizar as crianças sobre a importância da preservação do meio ambiente. Como tem sido sua experiência de trabalhar com elas?

Collet Ngobeni – Às vezes trabalhamos com o Bush Babies. A educação ambiental é trabalhada de forma que os jovens compreendam que tudo está relacionado ao meio ambiente. Preservar a natureza é uma grande parte da educação. Adoro trabalhar com eles porque tenho filhos e é emocionante vê-los entusiasmados em aprender sobre a natureza. Sentimos orgulho do que fazemos.

ANDA: Quais são os objetivos atuais das Black Mambas e os seus como integrante do grupo?

Collet Ngobeni – Nossos objetivos são limpar a reserva de armadilhas e impedir que os caçadores entrem no local. Eu tenho sido uma mamba desde o início e sinto que meu propósito é ser uma líder. Agora também trabalho na sala de operações onde eu me certifico de que todas as equipes estão patrulhando e estão seguras. Elas relatam tudo o que encontram e eu informo os guardas.

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