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França aprova lei histórica que estabelece instalação de câmeras em matadouros

A Assembleia Nacional da França acaba de aprovar um projeto de lei que estabelece a instalação de câmeras obrigatórias em matadouros. A medida será implementada em 2018 e ocorre após...

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13/01/2017 às 14:34
Por Redação

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Por Carole Raphaelle Davis**
Tradução de Aline Khouri/ Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Reprodução/Medium

A Assembleia Nacional da França acaba de aprovar um projeto de lei que estabelece a instalação de câmeras obrigatórias em matadouros. A medida será implementada em 2018 e ocorre após um intenso clamor público depois que uma série de investigações secretas chocantes foram divulgadas na mídia francesa pela organização local de direitos animais L214.

A votação para monitorar as práticas e os funcionários de matadouro por crueldade animal, segurança e violações de higiene passou de 28 para 4 (os oponentes do projeto de lei eram dos partidos políticos de direita e centro).

Antes de ser levada ao Senado em março para ser aprovada, a medida será implementada em primeiro lugar (até julho de 2017) por meio de uma “experimentação” em 263 frigoríficos, que terão câmeras em todas as áreas onde os animais são “movidos, atordoados e mortos”.
Todos os interessados na questão, incluindo ativistas pelos direitos animais, a direção dos matadouros e os funcionários do governo terão acesso às imagens para determinar como elaborar a legislação final.

Ativistas pelos direitos animais enfrentam trabalhadores de fazendas industriais “doentes”

Fazendeiros penduram a cabeça de um porco em ministério/ Reprodução: Medium

O governo francês, pressionado por grupos poderosos da agropecuária, quer a “oportunidade inicial de avaliar as condições atuais” antes de aprovar uma legislação final apresentada pelo socialista Olivier Falorni, intitulada “respeito pelos animais na lei dos matadouros”.

Durante a sessão, o ministro da Agricultura, Stephane LeFoll, invocou a “crise dos fazendeiros” e o “respeito pelos trabalhadores dos matadouros” para amenizar a crescente raiva dos trabalhadores da área – homens que apareceram na mídia colocando esterco em frente a ministérios, bloqueando o tráfego com caminhões, queimando pneus e pendurando porcos em viadutos de rodovias.

Os sindicatos da agropecuária estão pressionando o governo para obter mais auxílio para a carne e os laticínios “feitos na França” enquanto combatem a queda das vendas de carne, os baixos preços do leite e da carne e pressionam por salários mais altos, preços mais altos e um fim à concorrência “injusta” de outros países.

Defensores dos direitos animais, ambientalistas e progressistas querem acabar com os subsídios do governo para a produção de carne e leite e que o dinheiro público seja gasto promovendo a produção de alimentos sustentáveis, saudáveis e baseados em vegetais.

A nova lei inclui uma comissão independente, um comitê de ética nacional sobre matadouros e estabelece penas duras para violações de crueldade animal – seis a 12 meses de prisão e multas de 7500 a 20 mil euros (US$ 8 mil a US$ 21 mil).

O L214 ganhou legitimidade na França ao conduzir investigações infiltradas para expor os chocantes e rotineiros incidentes de crueldade animal espalhados pelo país. A organização mostrou animais sendo atormentados, brutalizados e massacrados por trabalhadores insensíveis enquanto ainda estavam vivos.

Há várias semanas, 12 ativistas da 269Life Liberation Animale foram presos depois de entrarem em um matadouro para “testemunhar os assassinatos” e parar a linha de produção. Eles permaneceram firmes no local por várias horas, com as câmeras capturando as cenas, antes que fossem removidos pela polícia.

Protestos sobre direitos animais estão atraindo multidões cada vez maiores em Paris, Nice e Lyon, ajudando a tornar a França um dos principais países onde a proteção animal é considerada uma importante causa de justiça social relacionada aos esforços ambientais para limitar as mudanças climáticas.

Se o público finalmente puder ver o sofrimento irrefutável por trás das paredes dos matadouros, talvez os defensores dos animais esperem que os franceses removam a crueldade de seus pratos e optem por uma dieta mais saudável baseada em vegetais.

* Carole Raphaelle é escritora, jornalista, amiga dos animais, ativista pelos direitos animais e atriz.

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