CONTEÚDO ANDA

Comércio de ossos: África do Sul pretende vender 800 esqueletos de leões por ano

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Africa Geographic

A organização internacional sem fins lucrativos Born Free Foundation alertou que as populações de leões selvagens podem ser ameaçadas criticamente e enfrentar um sofrimento severo devido à intenção da África do Sul de conceder uma cota anual de exportação comercial de 800 esqueletos de leão.

Estes esqueletos serão originários de animais criados em cativeiro em instalações de caça enlatada extremamente cruéis. Após o lançamento do filme Born Free em 1966, as populações africanas de leões diminuíram em pelo menos 80%. Hoje, existem apenas cerca de 20 mil indivíduos na natureza que ocupam apenas 8% de sua faixa histórica em toda a África. As populações de leões na África Ocidental são classificadas como criticamente em perigo.

Em 2016, a União Internacional para a Conservação da Natureza calculou que os leões diminuíram cerca de 43% em todo o continente ao longo dos últimos 21 anos e os cientistas preveem novos declínios devastadores nas próximas décadas na ausência de ações de conservação.

A diminuição da população e a perda de habitat ocorreram por causa de reduções das presas, do conflito com humanos e, sobretudo, do crescente comércio internacional de partes dos corpos de leões, particularmente ossos.

Como resultado, a CITES concordou em proibir o comércio internacional de ossos e outras partes de leões selvagens em sua reunião em Joanesburgo, em outubro de 2016. A CITES também pediu estudos para avaliar os impactos do comércio de ossos na conservação dos animais.

No entanto, um grande problema é que a África do Sul ainda tem autorização para negociar as partes dos corpos de leões criados em cativeiro, desde que estabeleça uma cota anual.

Comentando sobre a cota proposta, o Presidente da Fundação Born Free, Will Travers OBE, disse: “Parece que as autoridades sul-africanas cederam diante da pressão de criadores de leões comerciais que só estão interessados em maximizar seus lucros com essa prática desprezível. Ao propor uma cota de exportação de 800 esqueletos, as autoridades assumiram, erroneamente, em minha opinião, que o comércio não terá qualquer impacto sobre os leões selvagens, sem qualquer evidência para apoiar isso”.

“Na verdade, elas sequer adiaram a sua decisão até que os estudos sobre os impactos do comércio de ossos, acordados na última reunião da CITES, tenham sido concluídos. A Born Free e muitas organizações de conservação acreditam que o comércio irá estimular ainda mais a demanda na Ásia por ossos de leão e perpetuar a demanda por tônicos de ossos de tigre que muitas vezes contêm ossos de leão”, completou.

Em toda a África do Sul, existem cerca de oito mil leões e grandes felinos que são mantidos em 200 ou mais “fazendas de criação de predadores”, criadas apenas com o único propósito de obter lucro.

Esses animais são explorados durante todas as fases de suas vidas curtas e tristes, apesar de falsos programas de “voluntariado de conservação” e de oportunidades como “caminhar com leões” para turistas involuntários e estudantes bem-intencionados.

Quando os leões envelhecem, muitos são liberados em cercados onde são baleados por caçadores de “troféus” que pagam grandes somas de dinheiro para matar o animal no que é chamado caça enlatada, da qual não há escapatória.

Depois que os caçadores pegam seus “troféus”, os ossos do animal e outras partes do seu corpo são vendidos a lucrativos mercados internacionais para substituírem o uso de ossos de tigre em medicamentos e tônicos. Somente em 2013, a África do Sul declarou exportações de mais de três mil esqueletos de leões criados em cativeiro para países do Sudeste Asiático, um enorme aumento em relação aos anos anteriores.

No Congresso Mundial de Conservação, em setembro de 2016, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) aprovou uma resolução pedindo o fim da criação em cativeiro de leões e outros predadores para fins comerciais, incluindo a caça enlatada.
O Departamento de Assuntos Ambientais da África do Sul solicitou comentários sobre sua cota até 2 de fevereiro, segundo o World Animal News.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui