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Canibalismo entre porcos: a crueldade por trás do presunto de Parma

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Reprodução/Youtube, Essere Animali

O presunto de Parma – juntamente com outros alimentos derivados de animais originários de uma localidade específica, como champanhe e queijo Roquefort – é considerado uma iguaria na Grã-Bretanha e um recorde de US$ 28 milhões em presuntos foram importados para a região em 2015.

No entanto, uma investigação sobre seus métodos de produção chamados “artesanais” revelou uma história chocante. Ativistas pelos direitos animais invadiram uma fazenda que explora e mata porcos para o presunto de Parma, dos quais os britânicos compram mais embalagens pré-cortadas do que qualquer outro país.

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A fazenda do distrito de Emilia Romagna, no norte da Itália, é um dos principais fornecedores de presunto, e mantém seis mil animais em seis armazéns sob uma luz artificial durante todas as suas vidas.

Reprodução/Youtube, Essere Animali

Os investigadores do grupo de direitos animais italianos Essere Animali (Animals Being) instalaram câmeras escondidas dentro dos armazéns e filmaram o local durante seis meses. O que emergiu é um registro de um sofrimento indizível.

O filme, às vezes muito gráfico e doloroso de assistir, mostra horríveis casos de crueldade animal, com imagens profundamente angustiantes de porcos muito doentes e feridos, que tremem e muitas vezes sofrem convulsões enquanto morrem em pisos de concreto repletos de urina e fezes.

Os recintos são tão lotados que alguns dos porcos mais debilitados não conseguem ter acesso regular aos alimentos.

Devido ao extremo estresse e à superlotação, um grande número de animais recorre ao canibalismo. Algumas orelhas são mastigadas e ficam com menos da metade do seu tamanho e muitas têm feridas sangrentas porque foram mordidas repetidamente.

Muitos leitões têm seus rabos removidos (sem anestesia) pelos trabalhadores porque, caso contrário, eles seriam mastigados. Os porcos são tão amontoados que precisam andar uns sobre os outros para se mover. Inevitavelmente, os mais fracos são pisoteados.

Animais doentes – que não podem ser utilizados para a produção devido aos “elevados padrões” estabelecidos para o presunto vendido por mais de £40 por quilograma em supermercados britânicos são levados para fora e jogados no chão de concreto. Alguns são deixados para morrer, privados de comida e água por dias.

Em um momento da filmagem, um porco muito magro que dificilmente consegue caminhar é cruelmente empurrado pelos fazendeiros ao longo de um corredor. Também é possível ver trabalhadores espancando os porcos com varas e chutando-os enquanto caminham para a morte.

Quando um trabalhador está perto ou entra em um recinto, os animais fogem, sobem uns nos outros e gritam de terror, cientes de que esses seres humanos lhes infligem dor.

Estes horrores, amplamente divulgados na mídia italiana, incluindo no influente Corriere della Sera, foram descobertos na fazenda localizada nas colinas ao sul de Milão.

Reprodução/Youtube, Essere Animali

Andrea, um dos investigadores, ficou assombrado com o que viu e disse que entrar nos galpões era “como ser catapultado para o pior dos pesadelos – um inferno vivo. Quase todos os animais estavam sujos e feridos, principalmente nas orelhas e rabos, que outros animais comem por causa do estresse e frustração. Encontramos alguns morrendo e incapazes de se mover e emitindo ruídos fracos.”

Ele ficou particularmente apavorado com um incidente: um leitão faminto o viu e deu alguns passos hesitantes em sua direção, balançando para frente e para trás, antes de cair e morrer.

Todo esse horror não poderia, naturalmente, ser um contraste mais marcante com a imagem do presunto de Parma feito a partir de porcos alimentados com uma dieta especial.

Na verdade, a publicidade de um consórcio poderoso que controla a produção de presunto de Parma enfatiza que eles usam as mesmas técnicas que seus predecessores usavam séculos atrás. Supostamente alimentados com milho fresco e ricos subprodutos de queijo parmesão, os porcos mortos pelo presunto de Parma têm a fama de produzir a carne mais saborosa.

Existe também o discurso de que o ar seco das Montanhas Apeninos impregna a carne com uma “doçura” mágica – uma reputação que faz com que o presunto de Parma seja a maior exportação da Itália, à frente de Chianti e do queijo parmesão.

Temendo uma reação dos consumidores, o Parma Ham Consortium of Producers disse que ficou “chocado com a situação mostrada, considera o tratamento dos animais repreensível e condena fortemente esse comportamento”.

Reprodução/Youtube, Essere Animali

O consórcio, responsável pela morte de oito milhões de porcos a cada ano, afirma que as cenas não “são representativas” da criação dos animais.

“É inaceitável que os porcos sejam tratados dessa maneira”, acrescentou um porta-voz. Por conseguinte, o consórcio solicitou imediatamente sanções de emergência contra uma exploração que viola os mais elementares padrões de bem-estar animal.

Agora, a fazenda é objeto de uma investigação criminal. A polícia recentemente foi até o local e confirmou os horrores descobertos pelas câmeras secretas.

Oficiais relataram ao Daily Mail que encontraram “cerca de 550 porcos com suas peles sujas com fezes, feridas abertas em suas orelhas e outros ferimentos resultados de ataques de outros porcos. Havia alguns animais obviamente muito doentes e sofrendo”.

A organização de direitos animais pressiona para que acusações criminais sejam feitas contra os proprietários do estabelecimento. Além da denúncia judicial, a fazenda foi multada em 6.200 euros por crueldade contra animais. Veja mais informações sobre a investigação nesta página.

O Essere Animali ressaltou que os porcos são animais inteligentes, amorosos e brincalhões. No entanto, eles suportam um grande sofrimento dentro de fazendas, incluindo a castração sem anestesia. Simone Montuschi, defensora dos direitos animais, aponta que os animais sequer possuem uma qualidade de vida mínima.

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