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África do Sul discute a criação de uma cota anual para comércio de ossos de leões

Por Rafaela Pietra | Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Divulgação / LionAid

O comércio de ossos de leões na África do Sul ainda é uma realidade cruel. De acordo com o documentário “Blood Lions”, cerca de três leões criados em cativeiro ou leões domesticados são mortos diariamente na África do Sul devido à caça, e centenas são mortos anualmente para abastecer o comércio de ossos de leão.

Registros comerciais da CITES mostram que, embora não existisse nenhum comércio de ossos antes de 2008, a quantidade de itens comercializados para países como Laos e Vietnam aumentou dramaticamente. Durante os últimos cinco anos, a África do Sul exportou 1.555 kg de ossos, 2.886 ossos individuais e 3.018 esqueletos de leões, vítimas da caça de troféus e criados em cativeiro.

Segundo a ONG LionAid, os números divulgados são provavelmente mais elevados, já que novas evidências mostram que tais exportações são freqüentemente sub-reportadas. Uma decisão tomada na última Conferência das Partes da CITES permitiu que os criadores de leões da África do Sul continuassem a comerciar seus ossos, mesmo após a pressão de ativistas pelos direitos animais e a proibição de importações do gênero em países como a Austrália, a França, os Países Baixos e, mais recentemente, os EUA.

Ignorando os direitos animais e priorizando a crueldade em nome do lucro, o Departamento de Assuntos Ambientais da Africa do Sul reuniu representantes da indústria de criação de leões em cativeiro, caçadores de troféus, comerciantes de ossos em favor do comércio e conservacionistas em uma reunião realizada na última sexta-feira (20). O objetivo era iniciar a submissão obrigatória de uma cota comercial de ossos de leões.

Enquanto nenhuma decisão é tomada e enquanto uma proposta oficial não é apresentada na CITES, o Instituto Nacional de Biodiversidade da África do Sul propôs um total de 800 esqueletos de leões sobre a cota de exportação anual mesmo antes da reunião. Embora esta seja uma quantidade longe de ser aceita, ela mostra o “apetite” elevado da África do Sul em continuar a se envolver no comércio de ossos.

De acordo com a ONG britânica LionAid, que atua em defesa destes animais, no passado, tais ossos eram em grande parte fornecidos como subprodutos da caça ao troféu de leões criados em cativeiro. Embora a prática abominável tenha produzido muitas carcaças (uma média de 862 por ano de 2006-2014), mudanças recentes na legislação e a condenação pública global indicam que haverá uma redução significativa em tais caças no futuro. As recentes proibições de importações de produtos oriundos da exploração de leões criados em cativeiro significam que haverá um declínio previsto de cerca de 58% no número de caçadores de troféus, o que sugere que somente cerca de 360 ​​leões serão caçados no futuro, supondo que os caçadores de outras nações continuarão a caçar leões em taxas atuais. Isso significa que a exportação de ossos de 800 carcaças de leões terá um déficit anual de 440 leões.

A ONG denuncia que, para suprir tal “demanda”, caçadores de leões podem começar a investir na criação de leões em cativeiro especificamente para o comércio de ossos. Neste caso, animais aprisionados serão assassinados para alimentar um mercado de produtos sem qualquer valor reconhecido de “medicina tradicional” em países como o Laos, o Vietnã e a China.

Mark Jones, Diretor da ONG britânica Born Free, também expressou sua preocupação de que leões selvagens e outros felinos em perigo de extinção sejam os novos alvos dos caçadores, mesmo que o comércio internacional de leões selvagens seja proibido.

Para impedir que mais animais sejam brutalmente assassinados, uma petição solicita ao presidente da África do Sul a proibição da criação de leões em cativeiro, assim como o comércio de seus ossos. Criado na plataforma Avaaz, o documento já reúne mais de 1,8 milhões de assinaturas.

Para assinar a petição, clique aqui.

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