Cães coreanos destinados ao consumo encontram novas famílias


Por Laura Dourado/ Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Daisy e Tulip em uma jaula localizada em uma fazenda na cidade de Wonju, Coreia do Sul/ Foto: Abbie Hubbard, Animal Welfare League of Alexandria

Minnow, um filhote de Sapsali que vive em um abrigo de animais em Alexandria, na Virgínia, aparenta estar feliz e saudável, muito diferente de como estava dois anos atrás, quando saiu de uma fazenda lotada que produzia carne de cachorro na Coreia do Sul e chegou a um abrigo norte-americano.

Seu destino antes de ser resgatada era a morte, sua carne e ossos seriam destinados à alimentação. Desnutrida e com uma perna quebrada, provavelmente por estar confinada em uma jaula de metal, a cachorra de cinco meses foi nomeada Minnow pelo vice-diretora da Animal Welfare League of Alexandria, Abbie Hubbard, que a adotou.

Minnow é um dos 770 cachorros resgatados até agora pela campanha mundial que almeja acabar com a prática de criar cachorros para o consumo humano na Coreia do Sul.

Segundo ativistas pelos direitos animais, a estimativa é de que existam 17 mil fazendas que criam cachorros no país e somente em uma semana deste mês cerca de 200 cachorros resgatados chegaram ao Aeroporto Internacional de Washington Dulles. Essa indústria é antiga e na cultura coreana sopas e pratos feitos com carne de cachorro são considerados iguarias.

Seis dessas fazendas foram compradas pela Humane Society International nos últimos dois anos e foram fechadas. Os cachorros que estavam nesses locais foram levados para abrigos ao longo dos Estados Unidos e residentes de Washington adotaram cerca de 100 deles.

A sexta fazenda, em Wonju, na Coreia do Sul, fechou suas portas recentemente.

Ativistas estão trabalhando com os coreanos para acabar com o comércio de carne de cachorro e a ideia é de que alguma ação seja tomada antes dos jogos olímpicos de inverno em 2018 que acontecerão em Pyeongchang.

Celeiro com animais presos em jaulas em Wonju/ Foto: Abbie Hubbard, Animal Welfare League of Alexandria

Em dezembro de 2016, o maior mercado de carne de cachorro da Coreia do Sul, que vende cerca de 80 mil cães para consumo por ano, anunciou seu plano de parar com a venda e morte de cachorros até o mês de maio de 2017. O mercado disse que irá usar uma estratégia pioneira criada pela Humane Society, pagando para os vendedores ingressarem em outros ramos.

“Nossas ações mostram que há interesse entre alguns fazendeiros que estão dispostos a mudar de negócio. Simplesmente não temos recursos para fechar todas as fazendas, por isso é crucial que o governo sul coreano comece um programa para acabar com esses locais”, comentou o porta-voz da Humane Society de Maryland, Raul Arce-Contreras.

A embaixada coreana em Washington não respondeu nenhum telefonema ou email para comentar o caso. A carne de cachorro também é considerada apropriada para o consumo humano em outros países asiáticos, como a China, o Vietnã, a Tailândia e o Laos, mas os ativistas dizem que apenas a Coreia tem um sistema tão vasto e bem estabelecido.

Mesmo que alguns coreanos diferenciem cães criados para consumo e para serem criados como animais domésticos, os ativistas dizem que nas fazendas são encontrados cães de todas as raças, incluindo Spaniels, Beagles e Pireneus.

Muitos ativistas já relataram terem visto leis sanitárias e ambientais sendo violadas no mercado de carne canina coreano, infrações que causam sofrimento desnecessário para o animal.

Ativistas da Humane Society transportam um cão depois de chegarem até o Aeroporto Internacional de Duller com cinco cães resgatados/ Foto: Jahi Chikwendiu

Abbie Hubbard viajou para a Coreia do Sul em março de 2016 para conhecer as fazendas de cachorros e ela conta que viu (e cheirou) locais em péssimas condições: “Os sentimentos que você sente ao ver tudo aquilo são esmagadores. Amônia [da urina] e fezes ficam acumuladas embaixo das jaulas. Os cachorros estão em espaços muito apertados e barulhentos, a presença de humanos não é normal e eles estão estressados”.

No final de 2016, um canal de televisão coreano divulgou a situação, fazendo com que o preço da carne caísse vertiginosamente.

Muitos ativistas argumentam que o número de jovens coreanos interessados mais em cães como animais domésticos do que como uma iguaria de verão está aumentando.

“Há certa quantidade de funcionários [do governo local] que apoiam o fim do comércio de carne de cachorro, assim como uma boa porcentagem da população coreana, principalmente as gerações mais novas”, conta Kelly O’Meara, diretora de animais de companhia da Humane Society, em um email enviado quando estava na Coreia do Sul ajudando a fechar a última fazenda de cachorro que eles se prontificaram a encerrar.

Minnow e Abbie Hubbard/ Foto: Jahi Chikwendiu

“A divisão de opiniões sobre esse tema já existe e parece que só cresce conforme a sociedade aprende mais sobre a cruel verdade por trás desse comércio”, completa.

Muitos dos cachorros resgatados das fazendas não são disponibilizados para acompanhar humanos e outros mostram comportamentos obsessivos. “Nossa equipe aprendeu muito sobre trabalhar com cachorros que apresentam problemas comportamentais severos”, disse Abbie Hubbard.

Abbie tirou Minnow da jaula na qual ela estava quando chegou ao abrigo em janeiro de 2015 e se apaixonou instantaneamente. Mas Minnow precisou de um tempo para se adaptar às novas circunstâncias. “A primeira vez em que eu a levei para casa, ela ficou apenas tremendo”, relembra Abbie.

Minnow ainda se assusta facilmente, mas se tornou a melhor companheira de Abbie, que disse: “nossos corações se conectaram, eles são velhos amigos”.


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