Golfinho se recusa a abandonar sua família após escapar de caçadores no Japão


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Sea Shepherd

Na sexta-feira (20), caçadores em Taiji, no Japão, encontraram a pior surpresa possível: um grupo de cerca de 300 golfinhos. Eles levaram a família para a enseada próxima, deixando uma rede para conter os animais em pânico e os deixaram lá para esperar pelo pior.

Durante os dias seguintes, selecionaram os animais considerados mais jovens e bonitos para serem vendidos para uma vida em cativeiro. Na segunda-feira (23), pelo menos 80 golfinhos haviam sido levados para parques e aquários marinhos ao redor do mundo – muitos deles são apenas bebês e foram arrancados de suas mães.

A seleção ainda ocorria na noite de segunda-feira. Os golfinhos, que foram deixados para passar fome durante o processo, estavam frenéticos – vários deles morreram de estresse e medo. Porém, quando um golfinho sortudo escapou da cena de pesadelo, nem mesmo o horror por que passara foi suficiente para fazê-lo abandonar sua família.

A Sea Shepherd, que tem uma equipe de voluntários em Taiji monitorando a caça, compartilhou uma foto de um único golfinho flutuando fora da rede que separava sua família da liberdade. Em vez de nadar para longe, ele parecia ficar perto da rede, mantendo sua cabeça perto da superfície da água.

O solitário golfinho fora da rede. Foto: SeaSheperd

“Notamos que um golfinho escapou da rede externa, sem nenhuma barreira para impedir que nadasse para mar aberto. Os golfinhos são criaturas incrivelmente ligadas ocialmente e não deixarão o grupo para trás”, escreveu a Sea Shepherd.

“É por isso que cortar as redes não funcionaria, como sua lealdade com sua família iria impedi-los de deixar qualquer membro do grupo”, acrescentou a organização.

Não está claro o que aconteceu com o golfinho depois que a foto foi tirada, mas infelizmente esta é só mais uma história trágica sobre a perda de vidas neste ano.

A cada ano, os caçadores capturam centenas de golfinhos na caça anual de golfinhos de Taiji. Os mais jovens e mais atraentes são sequestrados de suas famílias e vendidos para parques marinhos ao redor do mundo. Os caçadores podem ganhar bem mais de US$ 100 mil por cada golfinho treinado.

Porém, a grande maioria dos golfinhos, que são considerados muito velhos ou pouco atraentes, é massacrada por sua carne. Nos dias após uma caçada bem-sucedida, a infame “enseada matadora” fica vermelha devido ao sangue dos animais torturados e mortos na frente de suas famílias, que observam e esperam sua vez.

Foto: Sea Shepherd

Filmes e imagens do processo de seleção mostram os golfinhos aterrorizados, agrupando-se em grupos pequenos para obter conforto conforme tentam desesperadamente escapar. Em alguns casos, são tão torturados que desistem e morrem.

Enquanto a Sea Shepherd especula que os golfinhos sobreviventes voltariam para a enseada, em vez de serem mortos, isso dificilmente significa algo mais feliz para estes animais sensíveis que são inevitavelmente traumatizados pela experiência.

“É exatamente igual a colocar um ser humano em uma situação em que ele observa os membros da família serem mortos”, disse Heather Rally, veterinária de mamíferos marinhos que atualmente trabalha com a PETA, ao The Dodo.

“Esses são traumas de toda a vida. Estes animais são altamente autoconscientes assim assim como você e eu e eles sabem exatamente o que está acontecendo ao redor – são muito próximos de seus familiares”, apontou.

O trauma pode gerar uma série de questões fisiológicas, tanto durante a caça como depois dela. Os golfinhos levados em cativeiro chegam a matar uns aos outros ou a atacar seus treinadores.

“Esta é uma situação muito fatal. Pode causar problemas de saúde ao longo da vida, problemas iminentes de saúde e bem-estar, úlceras estomacais e comportamentos estereotipados”, ressaltou Rally.

Foto: Sea Shepherd

É claro que isso não importa muito para a cidade de Taiji, que indiretamente apoia a caça aos golfinhos – o Museu da Baleia Taiji, um museu de morte da cidade abriga uma coleção de ferramentas de caça e golfinhos que realizam truques, além de facilitar a venda dos animais capturados.

Embora muitas pessoas afirmem que a caça é uma tradição, a verdade é que é a matança em massa não era possível até o advento de lanchas.

“Os cerca de 300 golfinhos foram submetidos a terríveis níveis de crueldade e tortura. Isto não é tradição – isto é ganância, pura e simples”, disse a Sea Shepherd.

Infelizmente, há pouco que as pessoas podem fazer. A área é altamente policiada e a tentativa de interferir levaria à prisão imediata por oficiais japoneses. E, como mostra o golfinho que escapou, isso não é tão simples como cortar as redes.

Entretanto, a Sea Shepherd espera que, ao compartilhar esta história, as pessoas ao redor do mundo percebam quão brutal é a caça e façam o que puderem para detê-la, informou o The Dodo.


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