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Centenas de animais presos em zoo estão à beira da morte em meio à guerra no Iêmen

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Mercury Press
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A devastação causada pela guerra força inúmeros civis a fugirem de suas casas, se afastarem de suas famílias para ficarem a salvo das bombas rumo ao desconhecido.

Mas o que acontece quando você não pode escapar? Essa é a história dos zoológicos abandonados em meio a esse cenário brutal, principalmente sobre os animais nos Zoológicos de Taiz do Iêmen, negligenciados no fogo cruzado da guerra civil do país.

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Nele, 28 leopardos árabes, criticamente ameaçados de extinção, não comem há seis dias. Eles e quase 240 outros animais enfrentam a morte iminente e precisam ser alimentados com urgência.

Tudo começou no início deste ano, quando o governo iemenita, que administra o zoo, parou de pagar os funcionários e abandonou as instalações diante da crescente violência. Em fevereiro, após a mídia despertar a atenção internacional para a deterioração das condições do estabelecimento, a SOS Zoo and Bear Rescue – uma organização de resgate com página no Facebook administrada por Chantal Jonkergouw – começou a arrecadar dinheiro para cobrir os custos da alimentação, água e cuidados para os animais.

De acordo com Jonkergouw, que mora na Suécia, a SOS arrecadou mais de US$ 125 mil de doadores individuais durante os últimos dez meses.

Em 30 de novembro, ela tomou a decisão agonizante de parar de alimentar os animais até que o governo concordasse em libertá-los para serem ajudados por ativistas. Ela diz que ainda estão recebendo água fresca todos os dias.

Um bom samaritano local deu comida para os leopardos e outras espécies do zoo, mas ele não aparece desde 16 de dezembro, a última em vez que os carnívoros foram alimentados.

Os herbívoros têm subsistido com um suprimento cada vez menor de vegetais estragados. De acordo com Bassam Al-Hakimi, gerente de projeto da SOS em Taiz, muitos animais estão mostrando sinais de extrema fraqueza.

Taiz, considerada a capital cultural do Iêmen, tem sido um ponto crítico na guerra civil em curso no país, um choque entre muçulmanos xiitas Houthis e forças apoiadas por saudita leais ao governo da nação antes da guerra.

Foto: Mercury Press
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O Zoológico de Taiz tornou-se uma vítima esquecida da guerra depois que o governo perdeu o controle da cidade e muitos trabalhadores do local fugiram dos bombardeios e da escassez de alimentos que assolam a região.

De acordo com Jonkergouw, antes de a SOS intervir em fevereiro, 11 leões e seis leopardos árabes morreram de inanição. “Um leopardo tinha comido sua companheira”, disse ela. Os animais sobreviventes foram encontrados vivendo na miséria, ensanguentados, com abscessos e em meio a fezes.

Um leão drasticamente desnutrido foi encontrado com o osso do quadril extremamente saliente, quase ‘’saindo’’ de sua pele e uma cirurgia de emergência salvou sua vida.

Hienas, macacos, pássaros, porcos-espinhos, babuínos são outras espécies exploradas pelo local. Muitos têm mostrado sinais de zoochosis grave – uma condição que muitas vezes aflige os animais mantidos em cativeiro em ambientes artificiais e é caracterizada por comportamentos obsessivos e repetitivos.

O ruído e os detritos da guerra podem agravar o sofrimento: em meados de dezembro, um edifício próximo foi bombardeado, espalhando estilhaços no zoo.

A proximidade dos combates dificulta os esforços de resgate: além da Tamdeen Youth Foundation financiada pela SOS, um grupo local que fornece todo o alimento, cuidados e água para os animais, nenhuma outra organização esteve envolvida já que é muito perigoso.

Foto: Mercury Press
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O governo, que agora tem influência limitada em Taiz, negou as permissões de transferência que poderiam pelo menos dar aos animais a chance de serem extraídos do território Houthi e levados para outro país onde eles teriam esperança de sobreviver em longo prazo.

Funcionários do governo iemenita disseram a Jonkergouw que não irão aceitar qualquer oferta em benefício dos animais. “Eles responderam que nunca deixarão os animais saírem do Iêmen e que eles são bem cuidados”, disse Jonkergouw.

A questão dos leopardos

Existem provavelmente apenas 80 leopardos selvagens árabes deixados no planeta. O Zoológico de Taiz tem 28, incluindo dois filhotes nascidos em setembro. Jonkergouw acredita que o Iêmen está relutante em enviar os felinos para outro país, mesmo temporariamente, porque os leopardos árabes são uma fonte de orgulho profundo.

Qualquer perda de leopardos árabes é devastadora, dada a raridade da espécie. Quatro filhotes desapareceram do zoológico pouco depois que a SOS entrou em cena. Na época, funcionários do local disseram que provavelmente eles foram comidos.

Jonkergouw levanta a possibilidade de que eles foram roubados e vendidos no mercado negro. A península árabe tem um mercado negro considerável para felinos considerados exóticos e vendidos como animais domésticos. Depois desse incidente, ela arranjou um guarda em tempo integral para os leopardos.

Agora a única coisa que mantém os leopardos presos em Taiz – seu status no Iêmen – poderia ser a chave para sua salvação. Se os leopardos começam a morrer de inanição, Jonkergouw espera que o governo possa ceder e permitir a transferência deles e todos os outros animais. “Provavelmente mais leopardos têm de morrer antes de perceberem que precisam evacuá-los”, disse.

Ela pretende começar a alimentar os animais novamente assim que o Iêmen assinar uma carta de intenção permitindo a transferência dos animais para instalações na Jordânia, para os Emirados Árabes Unidos ou apresentar um plano alternativo, informou a National Geographic.

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