Veja técnicas para ajudar animais a superar o medo dos fogos de artifício


Huilter Ladir é treinador de cães há 12 anos; ele irá passar a virada do ano com cães que têm medo dos fogos e barulho (Foto: Arquivo Pessoal)
Huilter Ladir é treinador de cães há 12 anos; ele irá passar a virada do ano com cães que têm medo dos fogos e barulho (Foto: Arquivo Pessoal)

Chega esta época do ano e quem tem animais doméstico começa a se preparar para evitar o sofrimento dos animais. É que os barulhos de fogos de artifício e outros sons agridem os animais, principalmente aqueles que não foram preparados com antecedência para suportar o barulho alto e intenso.

Para o treinador de cães Huilter Ladir, a família que opta por ter um animal deve ser ensinada a cuidar dos aspectos comportamentais, também. Segundo ele, cresce a procura por soluções rápidas mas que não tratam o problema do enfrentamento ao medo e todo ano a situação se repete: a procura por orientações aumenta somente com a proximidade dos eventos.

“O que acontece é que o brasileiro previne pouco e procura soluções paliativas. O mineiro é ainda pior nesse quesito. Geralmente recebo contato de pessoas que me relatam sobre o medo e procuram soluções rápidas, mas a mudança efetiva no tratamento do medo ou fobia dos cães não acontece. Raramente sou procurado fora desta data por esse motivo; as pessoas geralmente se preocupam mais se o medo causa um prejuízo financeiro. Posso dizer que a procura é bem menor do que precisava”, explica.

Preparação desde o nascimento

De acordo com o treinador, preparar o animal ao longo de um período é a grande questão. Estão disponíveis no mercado diversos aplicativos que ajudam na socialização do animal logo que ele nasce. O trabalho consiste em apresentar os sons de forma pouco invasiva e, durante uma brincadeira ou refeição, dar a ele algo legal para a associação dos sons às coisas boas.

“Quanto menos eventos de medo ele teve, melhor e mais rápido será a resposta aos estímulos. Se ele tem um ano e tem medo, talvez seja mais fácil [a resposta aos estímulos] que um cão de três anos com mais episódios de medo. Digo talvez porque depende muito dos acontecimentos quando o animal apresenta o medo. A melhor forma de evitar esse problema é expor o animal aos diversos sons, que ele poderá encontrar na vida, já a partir dos 28 dias”, orienta.

Dicas para o dia dos fogos

Segundo Huilter Ladir alguns cuidados podem ajudar muito os animais a “passarem” pelo possível estresse das festividades.

– No dia da festa, seja passagem do ano, celebração de um feriado ou final de um campeonato, crie um lugar seguro, fechado e que os sons sejam abafados.

– É preciso tirar objetos que possam ferir o animal, caso ele fique desesperado e não se controle; deixar a luz acessa e fechar cortinas ou algo que possa tampar as janelas para esconder as luzes ajuda o animal a se tranquilizar.

– Ligue a TV ou um ventilador para abafar o som externo; alguns animais respondem bem com um algodão no ouvido, para outros não fazem diferença.

– Cães ou qualquer outro animal que perde o controle com o susto deve ser separado dos demais para não brigarem e se machucarem; cães de guarda ou de trabalho são mais sensíveis ao som, o que demanda mais atenção dos tutores.

“Para alguns, essa preparação não é o bastante, precisam ter companhia. Muitos sites dizem que não se deve abraçar o seu cão na hora do medo, mas a ciência mostra que isso não tem fundamento e que inclusive fortalece a relação. No momento do medo a resposta é instintiva a sobrevivência e esse medo não será reforçado por ter sido abraçado. No estresse alto não há aprendizado. Nunca puna o seu animal pelos comportamentos que ele apresenta quando está com medo”, ensina o treinador Huilter Ladir.

As recomendações do treinador seguem na mesma linha para preservar os passarinhos do estresse, seja colocando-os dentro de um cômodo ou no colo do tutor durante o período de maior barulho.

Cuidado extra

Muitas pessoas irão passar o feriado de passagem de ano com seus animais pela primeira vez e não tiveram oportunidade de preparação. Por isso, Ladir amplia algumas dicas.

“Existem outras opções que ajudam, como um feromônio chamado Adaptil que ‘auxilia’ durante os fogos. Os interessados devem procurar um profissional da área. Temos também uma camisa chamada thundertshirt. Ela aplica uma compressão moderada em certos pontos do animal trazendo uma sensação de segurança, como um abraço. Mas não funciona em todos os animais. O mais importante é criar essa zona de segura, manejando o ambiente”, reforça.

Por causa do medo, os animais tendem a tentar fugir. Colocar plaquinhas de identificação, caso ele consiga fugir, fica mais fácil de ser encontrado. E não espere o dia dos fogos chegarem. Se prepare para enfrentar esse medo com o seu animal e não passe pela mesma situação no ano que vem!

Fonte: G1


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