CONTEÚDO ANDA

Por que animais ainda são usados na experimentação científica?

Alguns cientistas, séculos atrás, já diziam o quanto era bárbaro a utilização de animais em experimentos, mas ao que parece, suas vozes passaram despercebidas, dando chance para que a vivissecção...

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07/11/2016 às 18:00
Por Redação

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Por Fátima ChuEcco / Redação ANDA

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Alguns cientistas, séculos atrás, já diziam o quanto era bárbaro a utilização de animais em experimentos, mas ao que parece, suas vozes passaram despercebidas, dando chance para que a vivissecção perpetuasse e até se fortalecesse durante muitas gerações de pesquisadores. Ainda hoje o óbvio, ou seja, que os animais têm consciência, dores físicas e emocionais, continua sendo ignorado por grande parte dos cientistas.

A Nova Ciência existe. Métodos modernos e éticos existem dando resultados muito mais precisos mas, ainda assim, a “cultura de explorar o mais fraco, indefeso e de outra espécie” persiste. É com esse foco que os pesquisadores de diversas áreas do GEDA – Grupo de Ética e Direitos Animais do Diversitas – Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos da FFLCH / USP aprofundam seu trabalho.

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O Seminário “Utilização de Animais na Experimentação Científica”, promovido pelo Diversitas com apoio do Move Institute, nos dias 3 e 4 de novembro na Casa de Cultura Japonesa da USP, mostrou que vários estudiosos consagrados já criticavam a exploração dos animais na Ciência. A advogada Vânia Rall destacou a frase do filósofo escocês David Hume (1711 – 1776): “Nenhuma verdade me parece mais evidente que os animais serem dotados de pensamento e razão tal como os homens. Os argumentos neste caso são tão óbvios, que nunca escapam aos mais estúpidos e ignorantes”.

No século 19, Marshall Hall, neurologista e fisiologista, já acreditava que: nenhum experimento deveria ser executado caso a mera observação do organismo já fosse suficientemente informativa, que os resultados buscados pelo vivissecionista deveriam se provar tangíveis desde o início de seu projeto, que repetições desnecessárias dos procedimentos precisavam ser evitadas e que o mínimo de sofrimento deveria ser a meta do cientista.

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“Em 1876 a Rainha Vitória já assinava uma lei proibindo sofrimento animal em experimentos”, conta o historiador Vitor da Matta Vívolo que participou do Seminário do Diversitas. Ao longo da história da humanidade vamos nos deparar com Descartes, que reduziu os animais a simples máquinas e, infelizmente, foi e ainda é admirado por seus pensamentos, e com Darwin, que tinha uma visão talvez evoluída demais para sua época. Ele reconheceu nos animais as mesmas emoções humanas, sentimentos, expressões faciais e outras formas de comunicação que não eram geradas pelo instinto, mas por um estado consciente de ser e viver.

Mas se o sofrimento dos animais mantidos em experimentos é tão evidente, porque grande parte dos pesquisadores não se preocupa com isso? Por que diante de tantos métodos novos de experimentação sem utilização de animais vivos, mais econômicos e eficientes, ainda há tanta resistência em adotá-los?

Os novos pesquisadores

É nas universidades que se formam os futuros pesquisadores. O professor Antônio Ribeiro de Almeida Junior, diretor do Diversitas, salientou que “temos uma ciência antropocêntrica, que não se preocupa com os direitos dos animais”. E acrescentou: “Uma coisa é ser ativista e outra é levar esse discurso para o meio acadêmico e de forma que a ciência aceite”.

O advogado Carlos Frederico de Jesus, do GEDA, fez um minucioso estudo sobre a Lei Arouca, que desde 2008 regulamenta o uso de animais em pesquisas: “Essa lei está atrasada em pelo menos 50 anos. Está em desacordo com nossa constituição que diz no inciso 7 que estão vedadas as práticas que submetem os animais à crueldade”.

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Ele ressalta que na Lei Arouca fala-se em não usar animais quando houver métodos alternativos e que os experimentos devem ser filmados sempre que possível para evitar que novos animais sejam usados. “Eu pergunto: com a tecnologia de que dispomos hoje, quando não é possível filmar? Além disso o CEUA (Comissão de Ética no Uso de Animais) é uma farsa porque dos 14 membros, 12 são pesquisadores e docentes. Apenas uma ou duas vagas são permitidas aos protetores. Em franca minoria o que é possível fazer?”.

Outra problemática é a imposição de docentes resistentes aos novos métodos de estudo e pesquisa. A professora Odete Miranda, da Faculdade de Medicina do ABC, causou uma revolução no ensino, mas foi um caminho árduo: “Os alunos chegam na faculdade sem nada saber e se o professor não apresenta a eles o que há de mais moderno e ético, eles não vislumbram opções de ensino sem uso de animais. Resolvi fazer alguma coisa a respeito quando, em 2002, um cãozinho estava sendo arrastado para dentro da sala de aula. Os cães percebem o que será feito deles e choram, suplicam. Isso traumatiza os alunos e os dessensibiliza. Eu me recusei a dar aula naquele dia e montei um comitê para mostrar alternativas ao uso de animais”.

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A professora teve que conversar muito com outros docentes, com alunos e com a diretoria da faculdade. Montou um dossiê com métodos substitutivos. Valeu a pena! Desde 2007 nenhum animal é usado nas aulas de Medicina e a universidade até já foi premiada por seus resultados no ensino.

O biólogo João Epifânio Lima, autor do livro “Vozes do Silêncio”, também vivenciou algo semelhante: “Quando ainda era estudante havia um silêncio por parte dos alunos que utilizavam animais e assistiam o sofrimento deles todos os dias. Eram práticas de vivissecção extremamente violentas. Pouca gente sabe disso, mas apenas 15% dos experimentos é feito com anestesia. Em geral, as pessoas acham ruim causar sofrimento, mas também acreditam que não há outro jeito de fazer. É preciso haver pluralismo metodológico”.

E a questão da vivissecção em faculdades e laboratórios não atinge apenas os animais de biotério, criados para uma vida de sofrimento contínuo desde os primeiros meses de vida, como é caso de cães da raça Beagle e macacos Rhesus, conforme lembra o jornalista Dimas Marques do site Fauna News: “Animais de todos os tipos estão sendo arrancados das florestas para abastecer o mercado da vivissecção. É a biopirataria. São seres importantíssimos para a manutenção do ecossistema em que vivem, ou seja, além da crueldade dos experimentos, a vivissecção também contribui para com o desequilíbrio ecológico”.

Saiba mais sobre o Diversitas acessando aqui.

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