Maquinista que salvou cão nos trilhos do metrô sempre criou animais


Dimitri Veras parou o trem em que estava para salvar o animal preso nos trilhos. Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
Dimitri Veras parou o trem em que estava para salvar o animal preso nos trilhos. (Foto: Diego Nigro/ JC Imagem)

Uma lição de humanidade. Na última quinta-feira, o maquinista Dimitri Fernandes Veras, de 38 anos, virou herói ao parar o metrô com passageiros a bordo para resgatar um cão preso nos trilhos entre as estações Cosme e Damião e Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife. Humilde, ele rejeitou o título e contou que o amor e o respeito pelos animais vieram de casa.

Na residência da família, Dimitri criou cães a vida toda. Há dois anos, ele perdeu seu amigo de quatro patas e se mudou com a mãe e o irmão para um apartamento. Desde então, não teve outro animal doméstico. “Sempre fui muito apegado. Não consigo me sentir confortável vendo um animal sendo maltratado.” Foi esse o sentimento que tomou conta do maquinista ao ver o cão no meio dos trilhos. “Ele ficou parado. Geralmente, quando a gente buzina, os cachorros saem, mas este ficou lá.” Foi então que ele percebeu que algo estava errado e parou o trem.

“Eu desci do metrô e encontrei o cachorro amarrado por uma corda no trilho. Ele estava com coleira e tinha problemas de pele”, contou. Veras pediu ajuda aos seguranças da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU), onde trabalha há seis anos, e avisou que não sairia enquanto o animal estivesse no local. O metrô ficou cerca de 10 minutos parado. “Se matasse ele, não ia conseguir dormir à noite. Minha consciência não ficaria tranquila.”

O cão era, na verdade, uma fêmea. Segundo Dimitri, o animal não deveria ter mais do que sete anos. O maquinista acredita que a cachorrinha tenha sido abandonada por algum morador do bairro de Viana, em Camaragibe, onde o episódio ocorreu. “Muitas pessoas dali têm o hábito de entrar no sistema do metrô”, contou. O animal, descrito como muito dócil, foi solto em um local próximo à comunidade e não foi visto desde então.

Respeito

Esse não foi o primeiro ato heroico do maquinista. Há seis meses ele também parou o veículo para tirar um bicho-preguiça dos trilhos do trem. Meses antes, ele havia socorrido outra preguiça que teve parte da pata ferida nos trilhos. “O sistema corta a mata de Brennand, por isso sempre aparecem esses animais por lá. Elas estão em seu habitat natural, nós que estamos interferindo no espaço”, argumentou. Em respeito aos animais, ele passou a diminuir a velocidade nesses trechos.

Foi esse costume que salvou a vida da cadela. “A velocidade permitida naquele local é de 90 quilômetros por hora. No momento em que vi o animal estava, no máximo, a 60. Se a velocidade do trem fosse um pouco maior, não conseguiria frear a tempo.”

Timidamente, Dimitri admitiu que não esperava a repercussão do caso e afirmou que não se considera um herói. “Eu não queria reconhecimento do homem, só de Deus. Eu vim para servir, independentemente de quem seja.” O sentimento que fica para o maquinista? “Sinto que uma parte do meu dever foi cumprida”, completa.

Fonte: Jornal do Commercio


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