JANE VELEZ-MITCHELL

Jornalista utiliza mídias sociais para conscientizar público sobre exploração animal

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10/09/2016 às 19:00
Por Redação

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Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

Uma das maiores missões da jornalista norte-americana Jane Velez-Mitchell, criadora do programa “JaneUnChained”, é dar voz àqueles que não têm voz e, certamente, ela desempenha este papel muito bem. Em sua carreira de mais de três décadas, Mitchell já trabalhou em emissoras de televisão renomadas como a CNN e o E!, mas, foi somente quando se desvinculou da chamada grande mídia, que pôde se dedicar inteiramente à sua paixão: os direitos animais.

O trabalho de Mitchell sobre o tema é bastante reconhecido e ela foi premiada quatro vezes pela Humane Society dos Estados Unidos, uma das maiores organizações de proteção animal no mundo, por sua busca incansável em expor a exploração animal. Em 2014, ela criou o “JaneUnChained”, um programa online sobre direitos animais. Nele, Mitchell exibe desde denúncias sobre crueldade animal e protestos de ativistas até eventos que promovem o veganismo.

Jane também contribui para o portal World Animal News, parceiro da ANDA, e é autora de um livro de memórias chamado “My Journey From Addiction and Overconsumption to a Simpler, Honest Life” (Minha travessia do vício e do consumo desenfreado para uma vida mais simples e honesta). Nesta entrevista, ela conta mais sobre sua trajetória.

ANDA: Você defende os direitos animais apaixonadamente. Eu gostaria de saber mais sobre isto, este assunto sempre lhe interessou ou foi algo que aconteceu depois?

Jane Velez – Este tema me interessava desde a infância. Eu era solitária, filha única e meu cachorro era meu irmão e melhor amigo. Meus pais o levaram embora sem me dizer enquanto eu estava na escola e, naquele momento, eu me tornei uma ativista pelos direitos animais. Eu me senti traída pelos meus pais e culpada por não ser capaz de ajudar o meu cão que sempre permaneceu ao meu lado. Este fato foi um dos piores que já aconteceu na minha vida. Meus pais, ironicamente, tinham um pensamento mais avançado do que a população em geral e me criaram em uma casa onde se consumia mais peixe. Acreditávamos que éramos vegetarianos. Conforme eu cresci, aprendi que isto estava errado e me tornei vegana.

ANDA – Quando você se tornou vegana e como foi esse processo?

Jane Velez – Adotei o veganismo cerca de duas décadas atrás. Eu estava entrevistando Howard Lyman, um criador de gado que se tornou vegano e ativista pelos direitos animais. Eu era âncora de uma emissora de televisão local em Los Angeles. Após a entrevista, Howard e sua então publicitária, Marr Nealon, disseram que tinham ouvido que eu era vegetariana. “Você come laticínios?”, Marr perguntou. Eu respondi sim, envergonhada, pois tinha acabado de ouvir sobre os horrores da indústria de laticínios, descrita essencialmente como uma operação de estupro, rapto e assassinato. As vacas são forçadas a ficar grávidas, seus filhotes são arrancados após o nascimento e, no final, todos os animais morrem, seja para a indústria de vitela ou de hambúrgueres. Marr olhou para mim e disse: “Carne líquida”, referindo-se a esta indústria. Eu me tornei vegana naquele momento e nunca voltei atrás. Foi a melhor decisão que já tomei.

ANDA – Como começou seu trabalho como jornalista de direitos animais?

Jane Velez – Como jornalista,sempre tive que enfrentar imagens violentas e perturbadoras, de cenas de crime e afins. Porém, algumas das cenas mais horríveis de violência que já testemunhei, em mais de três décadas como jornalista, foram os vídeos secretos de fazendas industriais e matadouros. É a essência dos pesadelos. Vários colegas jornalistas já se recusaram até mesmo a olhar para as filmagens. Como a maioria das pessoas, eles sabem que é ruim e querem permanecer em negação para que não mudem seus hábitos, mas eu nunca esqueci o que vi e queria fazer algo para mudar nossa sociedade. Quando eu trabalhava no programa “Celebrity Justice”, fiz várias matérias que retratavam celebridades e suas lutas para obter justiça para os animais. Na emissora HLN, tive meu próprio programa e fiz um segmento semanal dedicado aos animais que apresentava várias investigações sobre os horrores de fazendas. Cheguei a ser premiada quatro vezes pela Humane Society dos Estados Unidos, honra que compartilhei com os colegas que me ajudaram a produzir estas histórias.

ANDA – Você escreveu um livro de memórias chamado “My Journey From Addiction and Overconsumption to a Simpler, Honest Life”. Em entrevistas anteriores, você já relacionou o abandono do álcool e a diminuição de consumo ao seu início no veganismo. Poderia explicar como estas questões estão interligadas?

Jane Velez – Ficar sóbria requer uma mudança espiritual. Quando eu cheguei ao fundo do poço devido ao alcoolismo há 21 anos, eu estava moralmente falida. A doença me tornou cínica e cansada. Todos os viciados têm uma preocupação primordial: conseguir recuperar a sensação trazida pela substância que utilizam e o resto fica em segundo plano. Quando fiquei sóbria e aceitei a minha impotência diante do álcool, finalmente senti essa mudança psíquica e a minha preocupação com outros assuntos além de mim mesma aumentou. Na teoria, sempre amei os animais e depois da sobriedade fui capaz de colocar este amor em ação. Minha paixão por festas deu lugar a uma paixão por protestos pelos direitos animais e pelo comparecimento a eventos sobre veganismo.

ANDA – Como você teve a ideia de criar o “JaneUnChained” e qual é a proposta do programa?

Jane Velez – Depois que parei de fazer um segmento de animais semanal na televisão porque o programa foi encerrado, comecei a filmar protestos de defensores dos animais juntamente com minha namorada Donna Dennison. Imediatamente, notei que estes eventos não tinham nenhuma cobertura da mídia tradicional. Então, decidimos criar uma multiplataforma que tivesse notícias sobre direitos animais e eventos veganos nos Estados Unidos e no mundo e usasse várias plataformas como um site e as mídias sociais: Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat etc.

ANDA – Como você avalia a cobertura da mídia sobre direitos animais?

Jane Velez – Jornalistas supostamente devem cobrir notícias, mas as decisões sobre o que será notícia são feitas por pessoas profundamente ligadas ao carnismo, um termo cunhado pela psicóloga social Melanie Joy para descrever o sistema que nos diz para comer alguns animais e amar outros. Os anunciantes também são, em grande parte, relacionados às indústrias da carne e de laticínios. Resumindo: a grande mídia ignora praticamente todas as notícias sobre direitos animais.

ANDA – Você já denunciou diversas formas de exploração animal. Quais delas mais lhe impactaram?

Jane Velez – Os horrores das fazendas e fábricas industriais porque a agropecuária, de longe, é a maior exploradora de animais. As pessoas não podem processar as estatísticas, mas podem se relacionar com a tortura de uma vaca, um porco ou uma ovelha. Estes animais esquecidos são o que me mantêm acordada à noite. Se você ainda os mata para se alimentar ou paga alguém para matá-los para você, peço que, por favor, pare.

ANDA: Hoje em dia, com acesso a novas tecnologias, muitas pessoas produzem e disseminam conteúdo que entra rapidamente na internet. Você acredita que isso pode contribuir para os direitos animais de alguma forma?

Jane Velez – Com certeza. As mídias sociais são a única maneira de conscientizarmos pessoas o suficiente. Agora, há um número crescente de estrelas veganas no Youtube e no Instagram. Por isso, é importante as pessoas começarem a filmar e mostrar seus trabalhos. Sem elas, os animais não têm voz.

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