Animais mutilados: ONG cobra por maior fiscalização para coibir o usa de linhas com cerol


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Divulgação

Preocupada com o uso de cerol em linhas de pipas, a ONG AnimaVida apresentou ao Ministério Público Estadual, nessa semana, um pedido para que os promotores promovam esforços no sentido de obter, junto aos órgãos públicos competentes, a severa fiscalização de festivais de pipas, com a garantia de que nesses eventos nenhum material cortante, como o cerol, seja utilizado.

Cerol é o nome atribuído a uma mistura de cola com vidro moído que é aplicado em linhas de pipas. O uso do cerol foi proibido em 1993 através da Lei Estadual nº 2.111. As linhas com cerol podem causar cortes profundos em motociclistas e também mutilam animais, especialmente as aves. Com o início da primavera, os acidentes aumentam: o calor faz com que a atividade de soltar pipa aumente justamente na época em que as aves realizam mais voos, que é a temporada de reprodução.

A intenção da ONG é chamar a atenção para os perigos do uso da mistura. “Tomamos essa iniciativa após o conhecimento de que foi marcado nesse fim de semana mais um festival de pipa. Enviamos uma carta para os responsáveis pelo evento, através do endereço de correspondência da associação de moradores do bairro explicando que o uso do cerol é proibido. A intenção é a de justamente chamar a atenção para que o evento ocorra sem eventuais acidentes”, disse Ana Cristina Mattos, coordenadora de atividades do AnimaVida.

Ainda segundo Ana Cristina, um trabalho de orientação deveria ser feito com a população. “Depois que os acidentes ocorrem, não adianta fazer mais nada. A população tem que ter conhecimento sobre os malefícios da prática, não só para os animais. Sabemos que as pessoas também podem se machucar, por isso a fiscalização tem que ocorrer. Sabemos que o cerol é muito utilizado nas comunidades, é uma prática comum. Os animais podem ser mutilados e até morrer. Agora estão utilizando muito a tal linha chilena, que é uma mistura de cola com óxido de alumínio que corta quatro vezes mais do que o cerol”, afirmou.

De acordo com o veterinário e integrante da Comissão Estadual de Meio Ambiente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Felipe Facklam, os acidentes aumentam na primavera por conta da época de reprodução. “É um perigo não só para as aves. Os cachorros e gatos também podem ser feridos quando a linha é cortada, chega no chão e é puxada pela pessoa que está soltando a pipa. O perigo maior é para as aves, porque a linha pode cortar um ligamento que fica na asa do animal e ele pode nunca mais voar. Isso acontece muito com os urubus. Um deles morreu há um tempo, no Alto da Serra, por conta de uma hemorragia causada por um acidente com cerol”, contou.

Nessa semana, Felipe cuidou de uma coruja que também foi vítima de cerol. “A coruja ficou enrolada nos fios. A APA Petrópolis foi quem trouxe para o atendimento. Felizmente, o acidente com essa coruja não foi tão grave e ela poderá voltar para a natureza. Mas, quando a linha não corta, ela pode ficar enrolada no animal, impedindo que ele coma, o que ocasiona a morte, ou seja, o cerol é um perigo constante para esses animais”, explicou Felipe.

O cerol é aplicado diretamente na linha que será usada para empinar a pipa. A cola serve como aglomerante, enquanto o pó de vidro ou ferro serve como abrasivo. O resultado é uma linha extremamente cortante, que pode trazer riscos (inclusive de morte) para quem aplica e para quem usa a linha com cerol. A linha chilena é composta por quartzo moído e óxido de alumínio e corta quatro vezes mais que o cerol tradicional.

Segundo a Lei Estadual nº 2.111, de 1993, é proibido, em todo o território do Estado do Rio de Janeiro, o uso de cerol em linhas de pipas. Em caso de acidente com linhas que contenham o cerol e identificado o responsável pelo uso do material proibido, a ele será aplicada multa de dez Unidades Fiscais do Estado do Rio de Janeiro (UFERJ), independentemente das sanções a que esteja sujeito.

Fonte: Tribuna de Petrópolis


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