Lugar de gato é dentro de casa: saiba quais os riscos do acesso à rua e como evitar "escapadas"


ENTREVIATA COM PRICILA FRANCA CARDOSO, SOBRE CRIAÇÃO E PROTEÇÃO
Pricila colocou tela em todas as janelas do apartamento onde mora e toma cuidado na hora de sair (Foto: Antônio Lima)

Quem convive com gatos, sabe o quão curiosos e xeretas eles são naturalmente. Por isso, é comum ver alguns tutores desesperados de preocupação durante algumas fugas e “sumiços” misteriosos. Todos os felinos, desde domésticos aos selvagens, adoram se esconder nos lugares mais surpreendentes. Porém, no caso dos animais domésticos, “sair para passear” na rua pode ser um hábito perigoso.

Na casa de Pricila Cardoso, 31, porém, não há qualquer possibilidade para qualquer um dos cinco bichanos escaparem. Princesa, de 8 anos de idade, Carlinha, 5, Brigite e Sirilo, ambos de 4 anos; e Sirilinha, 3, ficam sempre em segurança. A auxiliar de escritório colocou telas em todas as janelas e toma cuidado para não deixar a porta do apartamento onde mora aberta, principalmente, quando há visitas.

“É super importante se preocupar com o abrir o fechar de portas. Em milésimos de segundo, você pode perder o animal. Também é importante identificá-lo por meio de medalhas na coleira, com nome e telefone de contato caso a fuga aconteça. As chances são maiores de alguém o encontrar e ligar”, afirma, ao ressaltar a diferença no tempo de vida. “Em média, um gato vive em torno de 15 a 16 anos, mas o que tem acesso à rua de 2 a 3 anos”, enfatiza.

Segundo ela, que também é voluntária na Compaixão Animal, outros cuidados importantes para tornar o gato mais calmo — e, consequentemente, mais caseiro — é a castração. Mesmo que ele ainda queria se aventurar fora de casa, não correrá o risco de se reproduzir sem controle, ou entrar em brigas por acasalamento. Sem contar os benefícios na saúde, diminuindo o risco de câncer de útero ou de próstata.

“Recomendo, porque isso melhora a qualidade e o tempo de vida. Evita crias indesejadas, já que uma gata começa a entrar na idade fértil aos cinco meses e têm de quatro a cinco filhotes. A cada três meses, o ciclo recomeça novamente. Isso funciona para os machos também, porque eles não podem pegar várias gatas. Castrar os gatos machos ainda evita que eles esguichem xixi pela casa, marcando território”, explica.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Palavra de especialista
Especializado em ortopedia animal pela Universidade de São Paulo (USP) e pós graduando em neurologia, o veterinário Shalako Rocha Chagas, 32, lida diariamente com gatos acidentados, seja por atropelamento ou quedas de lugares altos. Na opinião dele, o primeiro passo para diminuir as fugas é a castração do animal. E, claro, colocar telas de segurança nas janelas e varandas.

“A castração em ambos os sexos reduz drasticamente a produção hormonal. Então, um animal castrado tende a se aventurar com menor frequência na rua por não ter a necessidade fisiológica de acasalar. Também é importante impor limites físicos para evitar fugas (muros altos, portões sem brechas, etc.) e telas em apartamentos para evitar quedas”, afirma. “Um animal castrado e mantido em domicílio tem a longevidade aumentada”, ressalta.

Destaque
É incomum gatos gostarem de passeios em coleira. Para evitar estresse ao felino, podem ser oferecidas diversas atividades que ajudam a entretê-lo para gastar energia dentro de casa. Incrementar o ambiente com brinquedos, estantes e esconderijos é uma forma de fazer com que eles não fiquem entediados e não ganhem peso extra.

A expectativa de vida de um gato de estimação é de 15 anos, mas sabe-se de casos que superam, como Scooter, do Texas (EUA), que viveu três décadas — o equivalente a 136 anos em idade humana. Ele morreu em maio desse ano, cinco dias após entrar para o Guiness, o livro dos recordes, como o gato mais velho do mundo.

Fonte: A Crítica


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