Tordesillas mata touro Pelado e outros treze


Por João Rodrigues Filho / Redação ANDA

Pelado durante última aparição em público. (M. Muñoz)
Pelado durante última aparição em público. (M. Muñoz)

Chegou ao fim o martírio do touro Pelado e também a aflição de animalistas no mundo todo.

Após dias de mobilização pela vida do animal, cuja salvação simbolizaria uma histórica virada de página em relação aos Direitos Animais, a petição emergencial que alcançou 50 mil assinaturas não foi o suficiente para sensibilizar as autoridades.

É o que noticiou na manhã de hoje a “Fundación Provegan”, da qual faz parte o ativista espanhol Jon Amad, responsável pelo Santuário “El Hogar Provegan”, que houvera se prontificado a receber o bovino.

Segundo o comunicado, foram mortos no matadouro de Ciudad Rodrigo, em Salamanca, os 14 touros explorados desde o dia 8 de setembro nas festividades em homenagem à “Virgen da la Peña”, padroeira católica de Tordesillas.

Na tarde de ontem, durannte os encerramentos do evento, Pelado e outros dois touros participaram de mais um “encierro”, já visivelmente debilitados, correndo pelas ruas da cidade, tendo sido hostilizado com paus e guarda-chuvas.

O jornal “El Norte de Castilla” utilizou a chuva que caira ao anoitecer para ironizar o fato: “Pelado estreou e despediu-se sob chuva”.

Foram mortos, além de Pelado: Calentito, Simplón, Calabacito, Calapoco, Gironero, Pionito, Ladrón, Canastero, Llorón, Picotero, Venero, Curioso e Javaneto.

José Antonio González Poncela, prefeito de Tordesillas, declarou estar “muito orgulhoso” da população local, que teria demonstrado que a localidade “sempre cumpriu a lei”.

Poncela disse ainda que a atuação dos animalistas é despropositada, argumentando que o agora “Toro de la Peña” é um evento taurino “como tantos que ocorrem em toda a Espanha”.

Assim, Tordesillas, embora impedida de realizar o torneio do “Toro de la Vega”, quebrando tradição de mais de 500 anos, segue perpetuando sua triste reputação.

“Toro de la Vega”

O torneio teve origem em 1534 e foi realizado anualmente até 2015, em meio às festividades em homenagem à “Virgen de la Peña”, padroeira local da Igreja Católica. Em 1980, foi declarado de interesse turístico.

Um vigoroso touro é cuidadosamente selecionado para que, na primeira terça-feira seguinte ao dia 8 de setembro (dia da Virgem) seja solto pelas ruas de Tordesilhas. Ladeado pelos festeiros-algozes, passa sobre uma ponte até chegar ao “Campo del Honor”, onde os lanceiros, a pé ou a cavalo, eram autorizados a golpearem-no, até que vá ao chão. Aquele que desferia o golpe fatal, fincando uma adaga na cabeça do touro, era aclamado vencedor.

Caso o animal passasse do limite determinado, ficaria teoricamente livre de ser morto. Contudo, acabava sendo invariavelmente morto. Seja de forma “nula” pelos próprios participantes (2015), em decorrência dos ferimentos (1993) ou a tiros (1995).

“Toro de la Peña”

Após a proibição da morte em público do touro, em junho deste ano, o evento ganhou novo nome, em alusão à santa católica.

Segundo as novas regras, o touro deve percorrer o mesmo caminho, retornando ao pasto de origem ao final, sem que seja ferido ou morto.


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