Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), segue sendo palco de maus-tratos a capivaras


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Inacreditavelmente, das 52 capivaras resgatadas pela Prefeitura de Belo Horizonte na orla da Lagoa da Pampulha, em setembro de 2014, na gestão do prefeito Márcio Lacerda e do vice-prefeito e secretário municipal do meio ambiente, Délio Malheiros, apenas 14 sobreviveram. Não pelo contágio da febre maculosa, tendo em vista que esse foi o principal motivo do remanejamento, feito pela empresa Equalis Ambiental Ltda. Mas, segundo o Ministério Público Federal, por falência imunológica, por terem sido retiradas de seu habitat e encaminhadas a ambiente inadequado.

Dois anos depois, o crime ambiental continua, mesmo o local tendo ganhado recentemente o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Em 2013 uma capivara foi encontrada ferida e amarrada em uma árvore, e em 2015, uma fêmea prenhe foi encontrada morta com onze tiros. Na última semana, mais dois animais foram agredidos. Um foi atropelado e o outro gravemente ferido. Em ambos os casos, não houve resgate por parte dos órgãos públicos competentes.

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“É visível e incontestável a ação humana que provocou a grave ferida exposta, devido ao seu formato. Além da dor dessa ferida, a capivara está sendo comida por bicheiras e morrerá lentamente, agonizando de dor”, diz Adriana Araújo, responsável pelo Movimento Mineiro pelos Direitos Animais. Segundo ela, tanta violência decorre da falta de conscientização da população pelo poder público e da impunidade prevalecente.

De fato, a negligência das autoridades responsáveis é o principal agravante. Segundo a lei estadual 22.231/16, de autoria dos deputados Fred Costa e Noraldino Junior, e sancionada pelo governador Fernando Pimentel, todos os servidores públicos do Sistema Estadual de Meio Ambiente (SISEMA) são responsáveis pela fiscalização e aplicação das multas e penalidades previstas, entre eles a guarda municipal e a polícia militar. No entanto, na prática, não funciona.

“Os profissionais não são treinados para prestar socorro a esses animais e, em sua maioria, não sabem o que fazer. É necessário a capacitação integrada dos agentes envolvidos”, diz a ativista. No caso da capivara gravemente ferida, nem mesmo a Polícia Ambiental tinha os equipamentos necessários para realizar o resgate. “É bom lembrar que, em parceria com o MMDA e o Movimento Nossa BH, conseguimos garantir recursos para o manejo sustentável das capivaras no orçamento de 2016, mas até agora nem um real foi executado pela Prefeitura”, declarou a ativista Janine Horta.

Medidas preventivas que protegem humanos e animais
Resguardadas por lei federal, as capivaras são respeitadas e mantidas em segurança em cidades como Viçosa, Mato Grosso e Curitiba. Em 2015, o projeto realizado na Universidade Federal de Viçosa (UFV) coordenado pelo professor do Departamento de Veterinária Tarcízio Antônio Rego de Paula, obteve sucesso no manejo das capivaras existentes no campus, sem precisar exterminá-las. O primeiro passo foi a esterilização dos animais para evitar a superpopulação. O segundo foi o combate do carrapato-estrela ou carrapato de cavalo, responsável pela transmissão da febre maculosa. Na ocasião, foi desenvolvido um colete com durabilidade de três meses que aplica carrapaticida sobre a pele dos roedores, diminuindo a presença dos parasitas. Além disso, exames laboratoriais podem comprovar se as capivaras estão ou não contaminadas.

Os principais reservatórios da febre maculosa são animais de grande porte, entre eles bois, cavalos, capivaras, além de cães, aves domésticas e roedores. Nos seres humanos, para que ocorra a transmissão da doença, o carrapato infectado precisa ficar pelo menos quatro horas fixado na pele. Somente após esse período, ocorre a contaminação. A pergunta que fica é: por que a Prefeitura de Belo Horizonte não adota medidas preventivas que preservem a vida tanto de humanos quanto dos animais?

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Fonte: Petcetera


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