Criação seletiva de buldogues deixa animais doentes e inférteis


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto; Nick Norman
Foto; Nick Norman

O bulldogue pode ser um símbolo de força e tenacidade, mas mais de um século de exploração para a criação seletiva enfraqueceu a raça e causou diversos problemas aos cães em nome da vaidade humana.

Os animais têm problemas respiratórios, esqueléticos, de pele e, pior ainda, muitos não podem acasalar ou dar à luz naturalmente, relata a National Geographic.

Se os cães desenvolverem dificuldades respiratórias cedo, é improvável que eles sobrevivam mais do que cinco anos.

Recentemente, foi publicada a primeira análise completa da genética dos buldogues no veículo Canine Genetics and Epidemiology e ela revela que a raça tem uma diversidade genética muito baixa.

De acordo com o American Kennel Club, os buldogues, também chamados de buldogue inglês, estão em quarto lugar entre as raças mais criadas Estados Unidos.

Os pesquisadores coletaram e analisaram o DNA de 139 bulldogues, incluindo um grupo de controle de filhotes saudáveis que vive na América do Norte, Europa e Argentina e outro grupo de cães admitidos no hospital veterinário UC Davis devido a uma série de doenças.

Os resultados foram surpreendentes. Infelizmente, muitas características físicas que tornam estes animais “desejáveis” também os deixam doentes.

Em uma população saudável, cada indivíduo deveria ter um genoma substancialmente diferente, mas no caso dos buldogues, grandes regiões do genoma foram as mesmas em todos os animais.

Além disso, os pesquisadores descobriram uma preocupante falta de diversidade na região do genoma que regula o sistema imunológico dos cães. Os cientistas observaram diferenças entre os cães saudáveis e os animais domésticos doentes no hospital.

A reprodução de animais que visa às cobiçadas faces enrugadas dos animais resultou em uma forma extrema de braquicefalia, um encurtamento do crânio que é agora a principal causa de morte de buldogues.

Além disso, a condição acarreta vários problemas respiratórios e de superaquecimento.

As cabeças deformadas dos animais também afetam a reprodução porque os cães só podem nascer por meio de cesarianas. O responsável pelo estudo Niels Pedersen, pesquisador de veterinária na Universidade da Califórnia, estima que 80% dos nascimentos de buldogues são por meio de inseminação artificial e cesariana.

Para Adam Boyko, geneticista da Universitdade de Medicina Veterinária de Cornell, a nova pesquisa mostra uma “história clássica de criação de cães.”

“Vejam como eles eram 100 ou 150 anos atrás”, diz Boyko.

As imagens de meados do século 19 mostram buldogues com rostos mais longos, rabos mais retos e o mínimo de rugas.

Infelizmente, com o aumento da popularidade de buldogues, alguns filhotes são vendidos por até 30 mil dólares, diz Pedersen e os criadores têm atendido à demanda do mercado pelos animais considerados “fofos’’.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

SOLIDARIEDADE

NOVOS LARES

RIO CLARO (SP)

EXTINÇÃO

VISIBILIDADE

CANADÁ


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>