Ativistas brasileiros criam primeiro partido animalista da América Latina


Por Gelcira Teles (em colaboração para a ANDA)

Depois de sete meses de trabalho, um grupo de 101 ativistas veganos, integrantes de mais de 20 ONGs e protetores independentes de 17 estados do Brasil, fundaram o primeiro partido de defesa integral dos animais da América Latina. A partir da publicação do Estatuto e Manifesto no Diário Oficial da União, em 27 de julho, a Comissão Pró-Fundação do Partido ANIMAIS foi oficializada e já se organiza para a coleta das 500 mil assinaturas exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o registro da legenda seja efetivado até 2018. Em breve, serão lançadas página na internet e redes sociais, com FAQ e cadastro para os interessados em contribuir.

Há 10 partidos animalistas na Europa, um nos EUA, um no Canadá e um na Austrália, além da Coalizão Europeia – que reúne representantes de sete países. Não há referências de partidos dedicados à defesa dos animais afora os países citados, ou na Ásia e África, por exemplo. Com razoável precisão, o Partido ANIMAIS é o 14º do mundo, conforme dados levantados pelo jornalista Maurício Kanno (SP), Articulador Internacional de ANIMAIS.

Segundo a jornalista Carolina Mourão (DF), uma das idealizadoras da legenda e Articuladora Executiva do partido, os ativistas pelos direitos animais constituem o maior movimento nas redes sociais, mais ainda são desafiados quanto ao seu potencial político. “Montamos um grupo técnico de altíssimo nível. Juntos entregamos esse projeto à sociedade, que nos refina como seres humanos e promove o debate da libertação dos animais explorados como matriz econômica no Brasil. De forma oficial, o Partido ANIMAIS será a ferramenta que vai estabelecer este debate no Parlamento, enquanto poderemos obter conquistas definitivas e graduais rumo à abolição da escravidão animal”, explica.

Frank Alarcon (DF), biólogo molecular e porta-voz de ANIMAIS, evidencia que reflexão ética e a defesa dos vulneráveis constituem a matriz de pensamento do partido. “Entendemos que a dimensão do outro é o limite da nossa. Portanto, enxergamos nos animais não-humanos e no meio ambiente circundante importantes atores em nossas relações de convivência e respeito”. O objetivo do partido, segundo ele, é defender e garantir à dimensão animal o justo usufruto de suas necessidades mais fundamentais, tais como vida digna em completa liberdade, dotada de plena integridade física e psíquica, com franco acesso à sua ambientação ecológica originária e à espontânea manifestação de suas características inatas. “Queremos construir no país uma realidade respeitosa, ética e legislativamente justa com todas as representações biológicas – sejam elas observadas em espaço urbano, rural ou selvagem; sejam elas humanas ou não-humanas”, complementa.

Desde a Declaração de Cambridge (2012), na qual um grupo de renomados cientistas reconheceu que diversos animais possuem consciência, os defensores dos direitos animais têm contabilizado avanços históricos. O Partido Animalista (PACMA), da Espanha, passou dos 0,87% de votos alcançados em 2015 a 1,19% em 2016, enquanto o Parlamento Europeu acabou com os subsídios para as touradas. Na Itália, a nova prefeita de Turim, Chiara Appendino, quer promover novos hábitos veganos como prioridade de sua administração. Também em 2016, o FBI passou o abuso de animais para uma nova categorização, tipificando como crime contra a sociedade.

Em uma frase popularmente atribuída a Platão, diz-se que aqueles que não se envolvem ou se interessam por política estão condenados a ser governados por aqueles que por ela se interessam, lembra Alarcón, ao fazer um chamamento aos que quiserem aderir ao partido. “Convidamos todos que buscam o cultivo da paz, da não-violência e do respeito, a trilhar conosco este percurso que se inicia. Os proponentes do partido têm o desafio de defender aqueles que têm sido silenciados na longa história da exploração praticada pelo homem, no Brasil e no mundo. Junte-se a nós! Lute conosco! Somos ANIMAIS!”

Organização de ANIMAIS

O convite para a construção coletiva do Partido ANIMAIS foi feito por Carol Mourão, em 18 de dezembro de 2015. Com a presença de 20 pessoas, entre técnicos, advogados e ativistas, a primeira reunião foi realizada em 13 de fevereiro, na Câmara de Vereadores de São Paulo. Seguiram-se reuniões online em 30 de março, 11 de abril e 11 de julho, quando ativistas de todo o Brasil uniram-se à iniciativa. Durante o período, os fundadores da legenda debateram o Estatuto e o Manifesto (Programa) e elegeram sua primeira Comissão Executiva, composta por 10 articulações.

Nominata da Executiva:

Porta-Voz – Nicole Puzzi (SP) e Frank Alarcón (RJ)
Executiva – Carolina Mourão(DF) e Alexandre Gorga (DF)
Organização – Fátima Prudente (SP) e Alexandre Terreri (SP)
Comunicação – Gelcira Teles (RS)
Jurídico – Eduardo Barcelos (MG)
Parlamentar – Natasha Machado (DF)
Internacional – Maurício Kanno (SP)
TI – Luciano de Lazari (RS) e Gabriel Montenegro (DF)
Financeiro – Sylvia Maria (DF) e Viviane Reis Nogueira (RJ)
Movimentos Sociais – Teresa Botarro (DF) e Rafael Shinnishi (SP)

– 17 estados representados no Partido ANIMAIS: AC, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MG, MT, PA, PE, PI, RJ, RN, RS, SP, TO

– COMISSÃO PRÓ-FUNDAÇÃO DO PARTIDO ANIMAIS (Brasília). Programa e Manifesto: Estatuto. 2016. Disponível em: <http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=161&data=27/07/2016>. Acesso em: 27 jul. 2016.


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