TÃO DO BICHO - PAULA BRÜGGER

Fernando Gabeira revela seu desprezo pelos animais ao defender matança de javalis

Foto: Reprodução/SXC
Foto: Reprodução/SXC

Dizem que o oposto do amor é o medo ou a indiferença, não o ódio. Não sei se qualificaria como indiferença o sentimento que Fernando Gabeira nutre com relação aos javalis no programa denominado “Invasão de javalis destrói a agricultura na Serra da Mantiqueira”.

Mais uma vez, como na matéria em que defendeu de forma incondicional as vaquejadas [1], Gabeira usa sua voz mansa e pausada para dar continuidade à sua narrativa especista, unilateral e pretensamente técnica.

Aqui ele defende a matança dos javalis porque, segundo ele, esses animais são “pragas que invadiram o Brasil, destruindo lavouras e disseminando doenças como a febre aftosa. Também comem sementes, ninhos e animais pequenos, além de poluir rios e nascentes”.
Como em outras matérias jornalísticas também especistas [2], o cruento massacre de javalis foi totalmente naturalizado. Argumenta-se que tal prática é permitida pela legislação vigente porque os animais não pertencem à fauna brasileira – como se isso os destituísse da capacidade de sofrer – e por estarem destruindo plantações, como se eles tivessem discernimento para evitar propriedades privadas, ou distinguir entre uso sensato e destrutivo dos recursos naturais.

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Não, Gabeira, o fato de a prática ter amparo legal não a isenta de ser moralmente abominável. A reportagem, que não procurou contextualizar a origem do problema, poderia ter tomado um rumo um pouco menos tosco e raso no momento em que a bióloga Clarissa Rosa, entrevistada no programa, comenta que os javalis foram introduzidos no país.

Se não tivesse o propósito de marginalizar os animais, a fim de naturalizar seu extermínio, Gabeira [3] teria dedicado pelo menos uns minutos para esclarecer os telespectadores que tais animais não “invadiram o Brasil” com o objetivo precípuo de causar danos ao meio ambiente ou a lavouras, como se depreende de seu discurso inicial. Foram introduzidos pela espécie Homo sapiens!

Em sendo assim, a situação que se apresenta poderia ter sido evitada, primeiro, não criando/ introduzindo tais animais como “produtos”; segundo, responsabilizando de imediato os culpados pelas externalidades decorrentes de tal ato (criar seres sencientes como produtos!) que fere totalmente qualquer princípio ético tanto animalista, quanto de precaução.

O único controle populacional eticamente correto, uma vez criado o problema, é capturar, castrar e reintroduzir os animais na natureza, e/ou abrigá-los num santuário.  No entanto, o expediente proposto para o controle populacional dos javalis é o pior possível: o extermínio. E no que toca a esse aspecto, transformar vítimas da ganância humana em criminosos é bastante conveniente.

Vejamos então o que é feito para “controlar” as populações desses seres tão inteligentes e sociáveis quanto os cães que, em casa, tratamos como membros de nossas famílias.Segundo a bióloga Clarissa Rosa, o curral é o método mais eficiente para pegar bandos inteiros, com faixas etárias variadas. Colocam-se iscas, aprisionam-se os animais e pronto: O tiro ao alvo está formado!

Metodologia de “abate” no caso em questão: flecha ou besta que, segundo ela, por ser arma branca, não precisa de licença do Exército e com isso há uma redução nos custos (sic)! Ainda segundo a bióloga, arco e flecha/besta têm também a vantagem de matarem silenciosamente (ao contrário de tiros que espantam e dispersam os animais). Segundo ela, isso estressa menos os animais!!!

A reportagem prossegue com Gabeira que elogia os javaporcos – um presente dos javalis para servir ao consumo humano – e afirma que os agricultores da região pediram sua ajuda para combater esse inimigo. Nas perguntas que faz a cada entrevistado que supostamente vai “ajudar”, Gabeira enfatiza o caráter destruidor e agressivo dos javalis, claramente dando o tom de onde quer chegar. Foi patético aquilatar (e fácil perceber) que, mesmo quando a pessoa entrevistada não expressava um juízo de valor negativo sobre os animais, Gabeira tomava providências para que ocorressem narrativas nesse sentido. Esse foi, por exemplo, o caso de um trecho do depoimento da dona de uma pousada que afirmou que os cães podiam ter seus focinhos arrancados pelos javalis.

Mas o que faria qualquer animal para salvar sua própria vida, Gabeira? Encurralados por cães de caça, amedrontados, feridos, mutilados…
Em nenhum momento da matéria se examina se a metodologia de baixo custo, tão enaltecida pela bióloga, cobra um alto preço em termos de sofrimento, embora isso tenha sido levantado no início do programa como uma preocupação. Gabeira se limita a fazer perguntas do tipo “quando matam os javalis, dá para comer? É possível vender a carne?”

Todavia, no que diz respeito ao calvário desses animais, a resposta está na própria reportagem. Ainda no início do programa aparece um matador, armado, olhando de cima um curral onde se encontram alguns animais acuados. Com a mesma frieza de um jogador de dardos num pub britânico, o atirador fere um indefeso filhote que agoniza diante das câmeras. A cena é dura.

Mas o pior ainda estava por vir. No fim da execrável matéria, Gabeira oferece uma aula de crueldade e covardia ao disponibilizar a cena dantesca de dois filhotes sendo alvejados por uma única flecha. O projétil atravessa o crânio do primeiro filhote e atinge a cabeça de outro – provavelmente seu irmão ou irmã – fazendo com que seus pequenos corpos estrebuchassem em agonia. A matéria sequer informa por quanto tempo suportaram tal sofrimento até falecerem. Mas não faltou nesse trecho um elogio ao atirador: alguém, às gargalhadas, comparou-o a Robin Hood!

A despeito de a matança ser legal, cabe a pergunta: a legislação brasileira tolera tal tratamento indigno sob a justificativa de tais animais serem exóticos? Em sua discreta fúria contra os animais, Gabeira sequer questiona tal fato.
No fim da matéria, a bióloga Clarissa Rosa comenta que se conseguirem efetuar um controle eficiente da população desses animais é possível que eles possam substituir funções ecológicas de espécies já extintas em alguns locais, como os queixadas. No universo de sua avaliação meramente “técnica”, a bióloga não tece qualquer comentário sobre o caráter cruento do assim chamado controle populacional que realizam, ou sobre possíveis alternativas.

Fico contente de pertencer a uma minoria de pessoas que está envelhecendo sem nunca ter se submetido a pensar “dentro de uma caixinha”. A educação adestradora deforma mental, ética e espiritualmente. Dentro dessa caixinha – ou zona de conforto dentro da qual as respostas para quaisquer situações já estão previamente elencadas – a banalização da chacina de tais animais é vista como um mal necessário (assim como a vivissecção!).

Antropocentrismo total. Sensibilidade zero. Esquizofrenia moral absoluta. Especismo seletivo à flor da pele. Visão instrumental ilimitada da vida. Triste mundo.Talvez a indiferença não seja o único fundamento do enfoque de Gabeira nesse caso. Penso que o desprezo, ou mesmo um ódio velado, expliquem melhor a origem de tamanha ausência de empatia diante da impiedosa execução desses inocentes.

Gabeira parece determinado em seguir sua estrada em prol da manutenção do preconceito especista. Felizmente também florescem, de forma pronunciada, as reações a essa postura. Depois que noticiamos nosso repúdio ao apoio dado por Gabeira às vaquejadas, inúmeras pessoas nos enviaram comentários sobre a atitude dele com relação a outras questões que envolvem os animais.

Foto: Reprodução/A Onça
Foto: Reprodução/A Onça

Um contato bastante interessante incluiu um texto de um jornal que transcrevemos abaixo. Ele mostra o posicionamento de Gabeira no que tange à famigerada farra do boi:

Matéria publicada em O Globo – 07 de abril de 1988 – PAG. 04.

A “FARRA DO BOI” EM SANTA CATARINA

Que é isso, Gabeira?

Há certas pessoas que são famosas por serem famosas. Não inventaram cura para doença alguma, não descobriram continentes, não compuseram um concerto, não pintaram quadros, não foram Prefeitos, Governadores nem Presidentes da República.
Fernando Gabeira é famoso. Famoso porque foi terrorista, seqüestrou um Embaixador americano, foi preso exilado e motorista de metrô na Suécia. Famoso porque voltou glorioso, sunga corpo-aberto no espaço, tensão saltitante de Juiz de Fora. Entre almoços no Restaurante Natural e uns cigarrinhos pra relaxar, escreveu livros contando sua brava jornada por outras terras, outros países, outras estações – que Catete, que Botafogo, que Carioca? -, estações suecas, nomes inimagináveis, difíceis de ler, impossíveis de escrever, como ousar tentar pronunciá-los?

Já nos tempos do CPC da UNE eu optava por um timido “dá licença?”, de preferência com o braço acenando curto a meio-mastro, em vez de um “questão de ordem, companheiro!” gritado de lá de trás da platéia. De modo que na Cinelândia, em frente ao Teatro Municipal, na segunda-feira da semana passada, numa demonstração contra a “Farra do Boi”, o que eu vi foram faixas. Faixas contra a “Farra do Boi”. Só que o Gabeira estava lá. Não sei por que, mas estava. Esteve. Rapidamente. Enquanto lá estiveram as câmeras de TV e os jornais. Depois saiu. E saiu dizendo que saía porque não concordava com algumas “palavras de ordem”. Eu não sei ler “palavras de ordem”. Sei ler faixas. No caso, faixas contra atrocidades cometidas contra o boi no litoral catarinense. Não é com semântica, com frases de efeito, ou com brilhos de reuniões intelectuais que se vai lutar contra um absurdo como a “Farra do Boi”.

Enfim, o Gabeira foi embora e nós ficamos. A Lya Cavalcanti, a Maria Lúcia Frota, a Nise da Silveira , eu. Ficamos e ouvimos gente da rua – cariocas, mineiros, catarinenses – todos revoltados com a “Farra do Boi”. Ficamos e mandamos para o Governador Pedro Ivo Campos, de Santa Catarina, milhares e milhares de assinaturas, abaixo-assinados, telegramas e cartas. De todo o Brasil. Finalmente uma causa uniu o povo brasileiro depois das saudosas Diretas-Já. Já não se pedia mais um diálogo. Já não se apelava mais para o “sentimentalismo”. Milhares de pessoas exigiam que o Governador Pedro Ivo Campos mantivesse a proibição da “Farra do Boi” (Decreto 24.645, de 10/07/34 art. 3º), ou fosse enquadrado como contraventor. Não tinha mais papo. Contraventor é contraventor. Por que não fazem a “Farra da mãe”?

E aí aconteceu o bonito. O lindo. No dia seguinte, os jornais anunciavam que estava proibida a “Farra do Boi”. O Governador Pedro Ivo proibiu e botou as polícias Civil e Militar no belo litoral catarinense para acabar com aquela antiga, tradicional e bárbara brincadeira.
Santa Catarina tem quatro milhões de duzentos mil habitantes. Destes, só doze mil são da região onde se educa crianças não só com o leite de vaca como também com sangue vivo de boi. E esses habitantes não gostaram da proibição. E reclamaram, e jogaram pedras, e feriram soldados, e choraram lágrimas amargas de frustração e de gás lacrimogêneo. E fim da “Farra”.

Só que aí, não se sabe por que, nem a convite de quem, chegou o Gabeira. Junto com o Fábio Feldman, do PMDB-SP. Foram dialogar com o povo. E o povo, coitadinho, disse que a “Farra do Boi” era uma brincadeira inocente, que eles não machucavam o boi coisa nenhuma, não vazavam olho nenhum, não serravam pata nenhuma. Que era tudo sensacionalismo da imprensa. Que as fotos eram retocadas. Tudo uma açoreana e inocente brincadeira. Então o Gabeira e o Fábio Feldman pontificaram que era impossível acabar com a “Farra do Boi” em uma semana. Que era preciso conscientizar o povo (coisa que as Sociedades Protetoras de Animais vêm tentando fazer desde 1925). E exigiram que o Governador Pedro Ivo voltasse outra vez atrás, e tornasse a permitir a “Farra” proibida um dia antes. E o povo ficou feliz, e agitou bandeirinhas vermelhas para uma vaquinha do Jornal Nacional, e começou tudo de novo. Tudo. Olhos vazados, pimenta, patas serradas, bombinhas de São João – que apropriado, afinal é Semana Santa!- em todos os orifícios do boi indefeso, e depois, um belo churrasco! Um boi custa CZ$ 8 mil. Na Semana Santa, em Santa Catarina, passa a valer, não sei como, de CZ$ 25 mil a CZ$ 50 mil. Será que os fazendeiros também estão gozando dos benefícios da Lei Sarney? “Eu te dou oito, você diz que recebeu 25, a gente racha e eu descarrego no meu Imposto de Renda”. “Farra do Boi” também é cultura.
A “Farra do Boi” existe, por sadismo, ignorância e crueldade há 200 anos. Não. Há 199 anos. Porque este ano ela existiu porque o Gabeira e o Feldman pediram. Em nome do povo.

Então eu sugiro que a estes verdes e ecológicos companheiros que abram ainda mais seu leque de defesa às tradições populares. Que a vaquejada do Nordeste termine numa grande “Farra do Boi”, unindo de uma vez este país tão ordeiro, de dimensões continentais. Que os rodeios terminem numa “Farra do Cavalo”. Que em Nova Jerusalém e nos Arcos da Lapa se crucifique mesmo, de verdade, o ator que faz o papel de Cristo. Que as Protetores dos Animais, que até agora só resgatavam animais em enchentes, remoções de favelas, calamidades públicas etc., dêem agora um sentido cristão e social a essas atividades sentimentalóides: vamos doar os cães e gatos recolhidos às criancinhas de Santa Catarina. Assim, elas terão um farto material para poder ir treinando o ano inteiro com farrinhas de gatos e cachorros até a próxima Semana Santa – que pena, está tão longe! – quando todos poderão voltar a trucidar bois, a se embebedar de cachaça e de sangue, e a carregar nos ombros, em triunfo, este grande brasileiro chamado Fernando Gabeira.

CLAUDIO CAVALCANTI

Notas:
[1]: Vaquejada na TV: O discurso especista e opressor de Fernando Gabeira. Disponível em: https://www.anda.jor.br/05/07/2016/vaquejada-na-tv-o-discurso-especista-e-opressor-de-fernando-gabeira
[2]: Veja, por exemplo, Jornalismo especista, disponível em: https://www.anda.jor.br/02/12/2011/jornalismo-especista; Veja também Educação especista na TV: O leão Cecil na Globo News. Disponível em https://www.anda.jor.br/04/07/2016/educacao-especista-na-tv-o-leao-cecil-na-globo-news; e Globo News promove touradas, disponível em https://www.anda.jor.br/30/09/2010/globo-news-promove-touradas
[3]: A entrevistada também poderia ter feito essa discussão. Entretanto, não temos elementos para saber se sua fala foi editada (ou não) nesse sentido.

1 COMENTÁRIO

  1. Decepção total com o ex-ambientalista e ex-ecologista Fernando Gabeira, atualmente um patético conservador acomodado e cheio de ideias ultrapassadas… Vergonhoso!!!

    • Paulo, extremamente correta e pontual sua opinião.
      Esse Sr. foi uma enooorme desilusão para mim como ex-eleitora dele.
      Para minha leitura ou ele fingia ser algo que nunca foi (amigo dos animais) ou mudou completamente de opinião e posturas.
      Quando fez uma reportagem em Paraty e usou uma carroça para se locomover, percebi que estava diante de outra pessoa.

      Eu até panfletei para esse Sr, ser alcaide no Rio e oxalá ele perdeu! Como sempre penso, “o mundo conspira a favor daqueles que não conspiram contra ele”

  2. Também vi a reportagem e fiquei revoltada. Fizeram uma grande idiotice ao trazer os javalis ao Brasil e agora fazem outra para elimina-los de forma cruel, como se fosse uma vingança, como se os animais é que tivessem culpa de estarem aqui. Quanto aos comentários do sr. Gabeira, lembro que, embora tenha mudado de partido político, muitos do antigo partido dele, inclusive atores, defendiam a Farra do Boi. E alguns políticos cometeram atos abomináveis contra os animais, como a matança indiscriminada de gatos na cidade de Santos, como o fez uma certa prefeita desse mesmo partido. Dá a impressão de ser uma marca registrada, não é mesmo? O que podemos fazer contra mais esta barbaridade no caso dos javalis?

  3. Quem conhece a trajetória desse senhor não deveria se surpreender com a quantidade de idiotices que fala e faz. Sim faz. Nunca foi ambientalista (só se for para plantar algumas especies de planta) ou ecologista. Ele se aproveitou na época da criação do PV. Só isso. FORA GABEIRA.

  4. Uma pergunta: pretendem mandar alguma correspondência ao Gabeira? Seria importante mostrar a ele os seus enganos, e até mesmo mostrando o que realmente pode ser feito no caso dos javalis sem apelar para a matança. Talvez ele não conheça opções. A matéria aqui também apenas o ataca, mas não informa o que deve ser feito. Eu não informo porque não sei. Minha sugestão é procurar soluções e enviar para ele mostrando ainda os erros cometidos por ele no referido programa. Por favor, façam isso, porque ele provavelmente não vai ler o texto colocado aqui.

  5. Um documentário revoltante onde impera o abate cruel destes animais. Fernando Gabeira tem disseminado o ódio contra animais em todas as suas reportagens. Que mais podemos esperar deste sequestrador , ex-ambientalista e ex-ecologista?????????

  6. Tais atitudes vão de encontro a qualquer projeto político que se proponha “ambientalista”! Bem, desde os primórdios de sua carreira tem tentado de tudo para ser famoso; conseguiu: tornou-se ‘tristemente célebre’. Agindo assim, de maneira cruel e individualista, maculou a coletividade que um dia acreditou em seu pseudo ambientalismo.

  7. Pessoal,
    Grata pelas manifestações!
    Ursula (homônima de uma bisavó minha),
    Sim, os javalis foram introduzidos no Brasil e agora são criminalizados por um erro humano. Este não é um caso isolado, mas a regra, infelizmente! São incontáveis os casos em que animais (também plantas) exóticos encontram condições favoráveis ao crescimento de suas populações e se tornam o que se convencionou chamar de “pragas”. Este tipo de problema é muito antigo em todo o planeta e as soluções cruéis – como a matança – são eleitas porque os animais não humanos encontram-se fora da nossa esfera de consideração moral.
    O que podemos fazer contra mais esta barbaridade no caso dos javalis? Eu desconheço a situação atual em termos populacionais (tanto geral, quanto caso a caso) mas gostaria de saber, junto aos que são favoráveis à chacina, se há algum estudo confiável que mostre ser impossível algum controle populacional via castração, por exemplo. Certamente acharão risível essa alternativa, mas, de novo, ela é “risível” (ou impensável) na medida em que tais seres estão situados fora de nosso universo de consideração moral. Além de serem eticamente injustificáveis, outros casos de matança indiscriminada jamais resultaram eficientes no controle de populações de cães e gatos, por exemplo. No caso dos javalis, o fato de sua carne ser apreciada, torna qualquer pensamento de controle sem abate ainda menos viável, lamentavelmente. É muito triste perceber que numa época de tantos avanços em tecnologia e conhecimento ainda estejamos no mesmo patamar ético de séculos atrás.
    Virgínia,
    Não pretendemos mandar nenhuma correspondência para o Gabeira. No que diz respeito à outra matéria da ANDA, sobre as vaquejadas, houve uma tentativa de argumentação por parte dele em seu FB. Em minha opinião a resposta dele não esclareceu nada e, no caso dos javalis, não penso que desconheça ou esteja interessado em alternativas. Se eu estiver enganada e este não for o caso, creio que ele se posicionará novamente em seu FB.
    Marisa, se você não leu até o fim, perdeu a descrição da chacina de dois filhotes indefesos. Tudo aconteceu em meio a gargalhadas e aplausos!

  8. Nunca fui com a cara de Fernando Gabeira. nem quando ele parecia defender o meio ambiente. Agora sei a razão da minha antipatia. Mas fiquei decepcionada com Fábio Feldmann. Eu não sabia disso.
    Que alguem faça alguma coisa por esses pobres animais. Que Deus tenha piedade deles.

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