SHIRLEY FRAGUAS

Cineasta conta como uniu a sétima arte aos direitos animais

Shirley Fraguas é apaixonada por animais desde a infância e tornou-se vegetariana aos 15 anos, quando começou a descobrir a realidade bárbara por trás da indústria da carne. Em 2014,...

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28/07/2016 às 21:30
Por Redação

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Arquivo Pessoal

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Um papagaio foi comprado e teve suas asas cortadas para não fugir. Em seguida, em uma atitude de extrema crueldade, para se certificar de que o animal seria incapaz de voar, o tutor o jogou do segundo andar de uma casa. O animal ficou aleijado e poderia ter sua morte induzida, mas graças a uma protetora ele ganhou um novo lar.

Esse é o relato inicial que faz parte do documentário “Salve-os quem puder”, sobre as dificuldades e as lutas enfrentadas por protetores de animais, realizado em 2006 pela cineasta e fotógrafa Shirley Fraguas.

A profissional é apaixonada por animais desde a infância e tornou-se vegetariana aos 15 anos, quando começou a descobrir a realidade bárbara por trás da indústria da carne. Em 2014, ela aderiu ao veganismo e cada vez mais busca unir seu trabalho aos direitos animais. Seu documentário “Por eles”, feito em 2015, que exibe relatos de pessoas que optaram pelo veganismo, foi selecionado para participar da Mostra Internacional de Cinema pelos Animais realizada em maio deste ano em Curitiba. Confira a conversa de Shirley com a ANDA.

ANDA: Conte mais sobre o seu trabalho em prol dos animais. Quando decidiu unir a fotografia e o cinema aos direitos animais e como tem sido esse processo?

Shirley Fraguas – Eu não sou uma pessoa muito ativa quando o assunto é ajudar animais que foram espancados ou que enfrentam condições extremas de maus-tratos. Determinadas situações abalam muito o meu emocional. Faço os meus projetos ajudando paralelamente alguns protetores de animais e também fazendo campanhas e atividades semelhantes. Ajudo também com fotografias de animais que são colocados para adoção e que possuem necessidades especiais.

O cinema veio como uma consequência. Desde pequena, a fotografia está presente na minha vida: meu avô materno foi fotógrafo, meu pai é fotógrafo. Então sempre tive a fotografia presente. O audiovisual foi uma consequência mesmo e unir os direitos animais aos meus trabalhos não foi difícil nesse sentido. O difícil é lidar com o a realidade, na qual há tanta maldade e descaso com os animais. Colocar a atualidade nos trabalhos é o mais difícil, por isso sempre trabalho com os meus próprios projetos, pois sei até onde consigo ir (ou vou um pouco mais além).

ANDA: Seu documentário “Por eles” enfatiza a percepção de pessoas que se tornaram veganas. Como foi o processo de produção e como tem sido a recepção do público em relação a ele?

Shirley Fraguas – O documentário “Por eles” veio em um momento muito bacana. As pessoas estão um pouco mais abertas para saber mais sobre o veganismo e acredito que isso tem ajudado na receptividade do documentário.

A princípio, eu queria fazer um documentário longa-metragem, mas devido aos custos elevados (minhas produções são 100% independentes), tive muitos problemas com a captação de som em algumas entrevistas e isso fez com que eu tivesse que optar por um documentário mais curto. O processo não foi muito complicado, quer dizer, é sempre muito complicado escolher as pessoas certas: quem deve participar, quem ficará de fora?! Isso tudo é um pouco complicado, já que na minha seleção de entrevistados consegui pessoas extremamente importantes. As respostas de todos eram enriquecedoras.

No total, 22 pessoas foram entrevistadas e tive que fazer uma seleção. Paralelamente ao documentário, aproveitei os entrevistados que não restantes e o tempo que eles cederam ao projeto e somei esse trabalho a um outro projeto, que é o TVVegan, um canal no Youtube que ainda está em construção. Nesse canal, eu vou colocar interessantes que não foram abordados no documentário, mas preciso me organizar para torná-lo bem legal e atrativo.

ANDA: Recentemente, o “Por eles” foi exibido na Mostra de Cinema Animal em Curitiba. Como foi a experiência de participar da mostra e para você qual é a importância de eventos como esse?

Shirley Fraguas – “Por eles” já tinha participado de uma Mostra de Cinema Independente Civitatis em novembro de 2015 antes de ser selecionado na Mostra Animal. Acho importante falar desta mostra também que não era de temática especificamente animal, era mais “livre”. Nesta mostra, o “Por eles” foi muito bem aceito pelo público, tanto que conseguimos uma premiação por voto popular. Ver a reação do público é muito interessante. Ali não tinham veganos, e talvez, nem vegetarianos, mas tenho certeza de que naquele momento de exibição, várias pessoas ficaram pensando sobre essa indústria cruel. Eu via isso no público e nas pessoas que foram conversar comigo depois da exibição.

Já a Mostra Animal também é muito importante para documentários e filmes com essa temática. Porém, as pessoas que a visitam já tem alguma consciência de alguns fatos ou lutam pelos direitos animais. É diferente. Era meu sonho participar e poder ir a Curitiba para contribuir de alguma forma e esse ano pude realizar esse sonho. Pretendo ainda participar com outros filmes na Mostra Animal, mesmo porque tenho vários projetos ligados à causa que ainda vou concretizar e lá é um belíssimo canal de conexão.

ANDA: Você costuma acompanhar a produção de outros documentários sobre direitos animais? Como você avalia essa produção hoje?

Shirley Fraguas – Sim. Estou sempre procurando saber sobre as novas produções com esse tema. E cada dia tem mais e mais, o que acho ótimo. Gosto muito de falar de Brasil, onde tudo é muito mais complicado, equipamentos caros e quem trabalha com cinema independente perde muito para qualquer pequena produção estrangeira.

Sou fã da pessoa Nina Rosa e de seu Instituto, que fazem vídeos sérios sobre o assunto. Na Mostra Animal tive a alegria de conhecer os episódios do “O mundo animal de Bibi” [desenho animado com conteúdo educativo e ético produzido pela AMPARA Animal]. Achei muito legal.

ANDA: Antes de “Por eles”, você também realizou o documentário “Salve-os quem puder”. Pode falar mais sobre ele?

Shirley Fraguas – “Salve-os quem puder” foi meu primeiro documentário. Foi um vídeo muito difícil de fazer por causa do tema: protetores de animais. Como essas pessoas sofrem! Na época eu já conhecia algumas pessoas que faziam esse trabalho e por isso resolvi fazer o documentário.

Embora o documentário esteja fazendo 10 anos esse ano, infelizmente permanece atual. Não vejo tanta mudança nos temas abordados. O documentário é focado em protetores de animais de Belo Horizonte e mostra as dificuldades e preconceitos que eles enfrentam. O vídeo está disponível na internet: https://vimeo.com/23693162. Embora ele seja bem amador, foi bem aceito na mídia. Na época ele passou na Rede Tv Minas e também inaugurou uma sala de cinema em Petrópolis a convite de uma ONG local.

ANDA: Você participa como voluntária do programa “Aproxime-se” da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde dá minicursos sobre meio ambiente, consumismo entre outros temas. É uma preocupação sua também falar do veganismo de outros pontos de vista, por exemplo ,abordando a questão ambiental e os benefícios à saúde, além da ética?

Shirley Fraguas – Eu participo do programa Aproxime-se da UFMG desde 2013. Dentro do programa, abordamos temas ligados às cidades que visitamos com os minicursos. Eu não dou cursos direcionados a direitos animais. Geralmente os meus temas são sempre ligados às questões atuais das cidades e agrego o cinema. Sempre falo de cinema e em algumas ocasiões sobre direitos animais. Por exemplo, nesse ano já fomos em Conselheiro Lafaiete e Governador Valadares e discutimos Cinema versus Educação. O veganismo entrou na pauta , pois é uma questão seríssima de inclusão hoje em dia.

Esses minicursos são abertos ao público mas muitos alunos de pedagogia ou mesmo professores estão entre os inscritos. E existe uma grande buraco nessa hora, do professor ter que saber o que fazer quando um de seus alunos diz que não ingere carne. Nesse contexto, entram estas questões que estão à margem da sociedade.

Este ano, o “Por eles” será debatido em algumas cidades. Sempre uso a ética como principal perspectiva. Entretanto, muitas dessas cidades vivem da agropecuária, o que dificulta a aceitação. Nesses casos, enfatizo mais os pontos ambientais para que o assunto seja mais bem recebido. Geralmente as pessoas se mostram abertas para esta temática, principalmente quando ela se relaciona à educação.

ANDA: Quais são suas expectativas em relação ao seu trabalho pelos direitos animais? Tem trabalhado em algum projeto agora?

Shirley Fraguas – Espero que o “Por eles” consiga alcançar um grande número de pessoas, que as pessoas estejam abertas para compreender a real situação dos animais, seres tão sofridos e puros.

Quero também conseguir concretizar meus próximos projetos para este ano, que seria um livro de fotografias de animais e outro documentário que estou escrevendo. Ambos são sobre causa animal. Em paralelo, possuo uma marca de carteiras que é 100% vegana, a Crutag. Com esse trabalho participo sempre de eventos frequentados por pessoas diversas. A Crutag existe desde 2011 e sempre esteve ligada à frase: “sem crueldade animal, sem mão de obra escrava!”. Hoje percebo que o público conhece mais esses termos e até compra os produtos por causa disso.

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