Especialistas diagnosticam estresse em Belugas exploradas no aquário de Vancouver


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Reprodução/VancouverSun
Reprodução/VancouverSun

O Aquário de Vancouver quer convencer o público de que uma beluga branca confinada e obrigada a executar truques para uma plateia está sendo “bem cuidada”.

Mas os críticos especializados em comportamento animal enxergam um mamífero marinho que exibe um comportamento repetitivo, também conhecido como estereotipia, e condenam a prática de manter esses animais em cativeiro, informa o Vancouver Sun.

“Eles estão presos. Psicologicamente, eles não estão felizes e estão se comportando de forma anormal”, disse Rebecca Ledger, especialista em comportamento animal, durante uma visita ao aquário.

“Isso é triste, estes são animais muito inteligentes”, completou.

A estereotipia é potencialmente autodestrutiva, pois é um comportamento altamente repetitivo e pode evidenciar muitos fatores, desde o tédio ao estresse.

A mais jovem das duas belugas fêmeas que vivem no aquário, Qila, nada regularmente em uma piscina e muitas vezes vem à superfície no mesmo local.

Ledger é especialista em comportamento animal e em ciência do bem-estar e é uma consultora em Vancouver e colunista de animais domésticos no Vancouver Sun. Ela estudou os mamíferos marinhos como parte de sua graduação e também da pós-graduação.

“É muito ritualístico, essa é a preocupação. É uma bandeira vermelha. Eu vi isso a cada vez que estive no aquário”, contou.

A saúde mental de belugas do aquário – especificamente, Qila, nascida em cativeiro em 1995 – atinge o cerne do debate sobre manter baleias e outros cetáceos em cativeiro.

Desde 1996, o aquário declara que não irá tirar baleias da natureza novamente, embora permaneça comprometido com a reprodução em cativeiro sob os pretextos educacional e de pesquisas.

Lori Marino, membro do corpo docente no Departamento de Psicologia da Universidade de Emory em Atlanta e diretora-executiva do Centro Kimmela para Defesa Animal, sediada em Utah, visitou o Aquário de Vancouver há alguns meses e imediatamente reconheceu a estereotipia.

“Os estereótipos são comportamentos anormais. A estereotipia não é um hábito ou uma atividade programada. Não é nada como jantar o mesmo horário ou dormir oito horas por noite”, esclareceu.

O aquário alega que manter belugas em cativeiro contribui com pesquisas relacionadas a doenças, ruídos subaquáticos, taxas de crescimento e o desenvolvimento de maneiras para rastrear animais que “beneficiam a gestão das belugas selvagens”.

O aquário tem sete belugas e planeja uma nova exposição que irá ampliar a piscina de dois milhões de litros das belugas, construída em 1990, em pelo menos duas vezes, disse o vice-presidente sênior Clint Wright.

“Ninguém se preocupa mais com estes animais do que as pessoas que estão aqui, trabalhando com eles”, disse Wright.

“Se tiverem escolhe, os animais preferem liberdade e espaço e caçar seu próprio alimento em vez de serem mantidos em espaços pequenos e socialmente restritivos”, disse Ledger.

Segundo ela, uma alternativa ao cativeiro é a transferência das belugas para o mar, porém o aquário não está convencido da ideia.

Marino está liderando uma iniciativa para criar uma rede de santuários de “aposentadoria” ou refúgios para os cetáceos em cativeiro na América do Norte.


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