O gorila Harambe, de 17 anos, foi morto após um criança de quatro anos de idade, cair na jaula do animal, no Zoológico de Cincinnati, nos Estados Unidos
O gorila Harambe, de 17 anos, foi morto após um criança de quatro anos de idade, cair na jaula do animal, no Zoológico de Cincinnati, nos Estados Unidos

Assisti a diversos vídeos, li reportagens e pesquisei muito antes de me propor a escrever este pequeno artigo pois não quero cometer nenhuma injustiça. E já sei o que abordar com segurança em relação ao caso do gorila Harambe que, como todos já devem saber, foi morto a tiros em consequência do episódio envolvendo a queda de um menino em sua jaula em um zoológico de Cincinatti, Ohio (EUA).

Em diversos vídeos é possível perceber que o gorila apenas protegia a criança, inclusive levantando-a para que não se afogasse e dando-lhe a mão. Acontece que, além de muito amedrontado pela inesperada visita em sua jaula, ele também demonstrava nervosismo provavelmente pelos muitos gritos e frases que os observadores emitiam. O que complicou o entendimento das atitudes do gorila foi o fato dele arrastar a criança segurando-a pela mão. Ele pretendia levar o garoto a um local mais seguro longe da agitação dos gritos e imaginou que arrastá-lo seria a forma mais rápida de salva-lo. O que, para Harambe, parecia um salvamento para quem observava parecia uma agressão ao menino.

Esta forma de “arrastar” a criança gerou manchetes e comentários sensacionalistas em alguns noticiários em que chegaram a afirmar que o gorila “arrastou a criança como um boneco de pano e só parou quando atiraram nele”. Irresponsabilidade da manchete que massacrou a memória de quem morreu protegendo (do seu jeito) uma criança humana.
O zoo informou que Harambe deveria ser utilizado como “reprodutor” e que ainda poderá ser possível conseguir isso graças ao esperma recolhido dele há uns meses para testes de saúde. Então a morte de Harambe não foi em vão. Não pela possibilidade de ser reprodutor mesmo pós morte mas pelo fato de sua morte poder servir como marco na história desta prisão a que os animais são condenados. Se houver uma mobilização em massa para o fim dos zoológicos, não haverá mais nenhum nascimento em cativeiro. É a hora de nos unirmos e exigirmos o fim deste martírio conhecido como zoológico.
Outro ponto importantíssimo neste triste episódio é o fato da criança ter caído de uma altura de quatro metros, estar machucada e amedrontada, não se sabe como ela entendeu a tentativa de salvamento feita por Harambe e, embora eu não tenha encontrado nenhum vídeo mostrando o momento do assassinato, calculo que esta criança estava perto quando isso ocorreu. Alguém pensou nesta criança? Em como armazenará todo este episódio em sua mente? A criança também é uma vítima e poderá ser traumatizada por toda a vida.

Vamos refletir sobre outros ângulos, não é? Neste episódio há duas grandes vítimas, Harambe que, em resumo, foi um gigante incompreendido e a criança que, muito provavelmente, está e se manterá traumatizada por muitos anos, talvez por toda a vida.

Uma curiosidade sobre este tema envolve três acontecimentos:

Em 1996, um menino de três anos caiu no fosso dos gorilas no zoológico Brookfield, em Chicago. Ao cair a criança bateu a cabeça e desmaiou. Houve uma gritaria quando perceberam que uma gorila se aproximava da criança porém, ao contrário do que pensavam, Binti Jua, (Filha do Sol Nascente em Swahili) aproximou-se, segurou a criança no colo, afastou os outros gorilas e carregou a criança até a a porta de acesso dos tratadores. A criança então foi resgatada.
Em 1986, o menino Levan Merrit caiu no recinto dos gorilas em Durrell Wildlife Park. Na queda, a criança ficou desacordada e foi o gorila Jambo quem se aproximou e protegeu a criança da curiosidade de outros gorilas menores. Ao perceber que a criança estava acordando, inclusive começando a chorar, Jambo e os outros gorilas afastaram-se apressados e a criança foi resgatada.

Em comum estes casos tem o fato de ser um menino a cair no fosso, a atitude protetora de todos os gorilas protagonistas, cada um ao seu modo mas todos protetores e o mais curioso, os anos dos acontecimentos. 1986, 1996, 2016, um intervalo de dez anos separou duas atitudes heroicas dos gorilas no salvamento de crianças humanas. E vinte anos após, uma outra atitude de salvamento, porém desastrada, trouxe a morte ao gorila.

É possível perceber que, ao invés de evoluir, a humanidade está regredindo, ao invés de preservar vidas, as está ceifando e os maiores prejudicados são sempre os mais frágeis, ou seja, os animais e as crianças…

Vamos refletir sobre isso?

Lou de Olivier – Multiterapeuta, Especialista em Medicina Comportamental, Bacharel em Artes Cênicas e Artes Visuais. Detectora do Distúrbio da Dislexia Adquirida/ Acquired Dyslexia, Precursora da Multiterapia. É também Dramaturga e Escritora. Vegana, Ativista socio-ambiental/animal e segue a filantropia anônima e desvinculada de política ou religião implantada por seus pais há setenta anos.

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