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Cemitério de SP é marcado por chacina de gatos

Nico Nemer/Diário SP
Nico Nemer/Diário SP

A falta de segurança no Cemitério da Quarta Parada, na Zona Leste, na Água Rasa, na Zona Leste de São Paulo, é tão notória que nos últimos dois meses houve uma chacina de gatos ali. Somente entre abril e maio deste ano, 20 felinos acabaram encontrados mortos, sendo que metade deles era da cor preta.

A denúncia, que chegou ao Ministério Público, foi feita por Eduardo Pedroso, um dos gestores da ONG Bicho Brother, que cuida de animais. De acordo com o ativista, ataques a esses bichanos são recorrentes, mas nos últimos dois meses houve aumento drástico. No mesmo período, ano passado, foram registrados dois casos pela organização.

“Os gatos sofreram cortes por lâmina e ficaram com as vísceras expostas. Imagina a dor desse bichano. É um crime bárbaro e em série contra esses animais indefesos.”

Divulgação
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O fato de os gatos pretos terem o abdômen aberto e serem colocados nas alamedas do cemitério com os órgãos internos à mostra pode indicar algum tipo de ritual, de acordo com Pedroso. “Mas teve gato também morto a tiro. É preciso investigar”, afirmou.

Segundo denúncia no site da ONG, existe um ritual de magia que usa osso de gato preto considerado, entre os adeptos dessa seita, como poderoso protetor. É chamada de “hoodoo” ou magia do osso do gato preto.

“Mas a grande maioria dos psicopatas também são ritualistas e os crimes podem ser de autoria de algum ‘serial killer’ que tem acesso ao cemitério à noite”, disse Pedroso, que teme que o número de vítimas felinas seja bem maior, já que gatos são comuns no local.

Gato morto encontrado dentro do cemitério / Arquivo/ONG Bicho Brother
Gato morto encontrado dentro do cemitério / Arquivo/ONG Bicho Brother

Ele explicou que também foram achados os corpos de gatos amarelos e de outras cores, sendo que vários já tinham sido castrados e eram tratados por voluntários locais. “Os animais são menosprezados. A dor deles é desconsiderada. Só que eles têm sentimentos e sofrem por serem indefesos”.

A morte de animais não é novidade. “Há anos sabemos de cães e gatos mortos no cemitério. Triste. Essa crueldade é preocupante”, disse o motorista Valdemir Araújo, 42. Entre as alamedas chama atenção potes com ração e água para os gatos, colocados dentro dos túmulos destruídos, para onde entram e saem gatos a todo momento, passando entre os mortos que têm seus ossos expostos.

MP desarquiva pedido de ação contra a matança de bichanos

O Ministério Público Estadual afirmou ter mandado um ofício para a diretoria do cemitério pedindo esclarecimentos sobre a morte dos gatos. “Existiu um procedimento sobre invasão de pessoas ao cemitério e projeto da Prefeitura de ronda feita por cães, o que estaria ou poderia ocasionar a morte de gatos. À época, a questão foi solucionada e foi pedido o arquivamento. Mas, diante de novos fatos, o Gecap (Grupo Especial de Combate aos Crimes Ambientais e de Parcelamento Irregular do Solo) pediu o desarquivamento do procedimento e está aguardando retorno do Judiciário”, afirmou o MP, por meio de nota.

Gatos circulam pelo cemitério o tempo todo / Nico Nemer/Diário SP
Gatos circulam pelo cemitério o tempo todo / Nico Nemer/Diário SP

“É um absurdo”, disse o deputado estadual Feliciano Filho (PSC), que tem projetos de lei para proteção e defesa de animais. Um deles, se aprovado, proíbe o uso de animais em rituais religiosos. “Isso não é impedir a liberdade de culto, mas sim deixar claro que matar animais também é crime. Uma pena que as leis no Brasil sejam brandas.”

Segundo Filho, quem comete crueldade contra animais, se julgado, entra na categoria de crimes com baixo potencial ofensivo. A pena é a prestação de serviços comunitários ou doação de cestas básicas. Em caso de reincidência, o assassino de animais deixa de ser réu primário.

“A impunidade traz a banalidade do crime”, disse o deputado. “Mas quem mate um gato pode fazer isso com uma pessoa.”

Segurança – No fundo do cemitério, do lado oposto à entrada principal (na Avenida Salim Farah Maluf), onde fica o velório, há um portão destrancado e outro com cadeado, porém retorcido por baixo, como se alguém tivesse entortado para entrar ali. Há ainda arames, que protegem os muros, cortados em vários pontos do “fundão” do cemitério, o que facilita a entrada de pessoas estranhas.

A ausência de obstáculos para entrar por uma via menos vigiada amedronta. “É de dar medo, mesmo durante o dia. Passo que nem um tiro”, disse a comerciante Vitória Cardoso, 43, que usa o cemitério para “cortar caminho”.

A dona de casa Luzinete de Almeida, 45, contou que a segurança do cemitério, em especial à noite, deixa a desejar. “A base fixa da GCM (Guarda Civil Metropolitana) saiu daqui há um ano. Sem os agentes, aumentou o número de moradores de rua que dormem nas tumbas, de assaltos, de usuários de drogas e mesmo casais que entram ali para fazer sexo. É um horror”, contou ela.

“Sempre vejo uns góticos fazendo rituais. Tem muita gente estranha que circula no cemitério à noite”, disse a balconista Maria Aparecida Rocha, 62, que trabalha em uma floricultura na frente do cemitério há dez anos.

Resposta das autoridades

O Serviço Funerário do Município de São Paulo afirmou que sinalizará o local com placas para reforçar que abandono e maus tratos à animais é crime. A administração disse que irá verificar a cercas de arame nos muros e “as falhas encontradas serão consertadas”. A administração do cemitério também irá intensificar as ações de zeladoria no local. No fim de 2015, disse a nota, houve uma intervenção para melhorar a segurança da necrópole.

A GCM disse realizar rondas ali e possuir câmera monitorada. A Polícia Civil informou que trabalha em conjunto com a Polícia Militar para coibir os crimes no cemitério Quarta Parada.

Fonte: Diário de SP

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