Documentarista mostra tortura de elefantes em festas religiosas na Índia


Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Reprodução/SangitaIyer
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Todos os anos, entre os meses de dezembro e maio, o estado de Kerala, no sul da Índia, experimenta um frenesi de cerimônias religiosas. Milhões de pessoas participam das festividades que honram vários deuses.

Porém, no centro das celebrações há centenas de elefantes cativos, que são adornados e obrigados a desfilar em torno de templos e ao longo das ruas de Kerala, diz o National Geographic.

Sangita Iyer dirigiu e produziu o documentário “Deuses em Correntes”, para retratar como esses animais têm vidas infernais.

Kerala possui cerca de 600 elefantes mantidos em cativeiro, a maioria do sexo masculino. Em entrevista à National Geographic, Iyer diz que estes animais são algemados, torturados, espancados e passam fome diariamente.

Entre 2012 e 2015, 175 elefantes morreram e, neste ano, oito faleceram, afirma Iyer. Um desses elefantes se chamava Keshavankutty e tinha 55 anos. O animal tinha doença pulmonar e distúrbios digestivos, mas não recebia uma dieta adequada e cuidados veterinários.

De acordo com Iyer, o elefante estava com tanta fome que foi visto comendo areia dois dias antes de sua morte.

Em uma das festas mais célebres, a Thrissur Pooram, cerca de 95 elefantes são obrigados a desfilar nas ruas por 36 horas ininterruptas sob o sol escaldante quase sem alimento ou água, conta a documentarista.

Reprodução/SangitaIyer
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Durante todo esse tempo, os animais carregam três ou quatro homens montados em suas costas, enquanto suas pernas são algemadas. À noite, há fogos de artifício.

Dados do National Geographic apontam que 100 pessoas morreram durante uma queima de fogos realizada em um templo na edição deste ano do Thrissur Pooram. Frequentemente, os elefantes abusados nas cerimônias são capturados de seus habitats naturais.

“A Lei de Proteção da Vida Selvagem de 1972 afirma que os elefantes devem receber proteção absoluta. Os elefantes em Kerala são muitas vezes transportados ilegalmente de lugares como Assam ou Bihar. Entretanto, os governos centrais ou estaduais não fazem absolutamente nada para impedir isso”, declara Iyer.

Reprodução/SangitaIyer
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Iyer cita várias histórias terríveis. Em uma delas, o elefante de 20 anos Chitillapilly Rajashekaran foi espancado até a morte no início deste ano. Outro caso acompanhado pela documentarista é o da elefanta Lakshmi.

Lakshmi é obrigada a se levantar todos os dias às quatro horas da manhã e recebe apenas uma colher de arroz para participar desses rituais. A elefanta é acorrentada durante as cerimônias e até mesmo quando não está participando delas.

Iyer acredita que a subjugação das fêmeas é também um símbolo da condição das mulheres.

“Ao observá-la acorrentada e sendo torturada, eu me lembrei de meus próprios confinamentos e restrições culturais. Mulheres são subjugadas e não têm os mesmos direitos na Índia”, explica.

De acordo com Iyer, há paradoxos gritantes nessas festividades feitas em nome da religião.

“Por um lado, há uma nação que cultua os elefantes como a encarnação do Senhor Ganesh [um deus Hindu com a cara de um elefante]. Por outro, esses animais são torturados e explorados para o lucro sob o véu da religião”.

“Eles justificam essa exploração ao distorcerem o significado das escrituras sagradas hindus”, diz.

A documentarista conta que o Conselho Central de Certificação de Cinema no país autorizou a exibição do filme. Ela tem expectativas de que o público se conscientize sobre a brutalidade a que os animais são submetidos.

“Deuses Acorrentados” foi finalista do Festival Internacional de Cinema de Elefantes. As projeções públicas começam nos Estados Unidos no próximo mês.


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